Vícios Sombrios em Almas Perdidas - Sessão 01
É necessário que o leitor tenha mais de 18 anos.
Continue por sua conta e risco.
José Carlos dos Santos morreu. Ele era conhecido como Zeca e foi um membro do motoclube The Lost MC. Zeca não apenas morreu, ele foi assassinado. Seus assassinos foram os mesmos homens que juraram que iriam protegê-lo, que seriam seus irmãos em armas e motos. Mas Zeca não queria ter haver mais com o tráfico e a tão reiterada violência. Foi aí que resolveram silenciá-lo, de uma vez por todas.
Quando a alma de Zeca viu os portões e iria atravessá-los, ele ouviu o chamado de um pássaro. A ave, um anu-preto, negro como a asa da graúna e o mais profundo céu noturno, disse-lhe que se ele quisesse ele poderia se vingar, desde que também assumisse alguns compromissos além de suas próprias vontades e justiças pessoais. José Carlos dos Santos ressurgiu. Saiu do túmulo como um recém-nascido sai da mãe, com choro e desespero. Os dias se passam e o Anu-Preto leva o perdido e recém ressurgido por seu novo e sombrio mundo. Era uma madrugada já próximo do sol nascer quando Zeca acordou em seu antigo apartamento, que ficava sobre a oficina de motos. Seus sonhos mostravam agonia, promessas de vingança e repetiam sempre as cenas do espancamento que levou até que a vida lhe abandonasse o corpo. A ave piou alto, fazendo-o despertar de vez. Ela falava sobre o tempo e sobre a areia que caia na ampulheta, mas as palavras não se fixavam na mente do homem que queria apenas vingança. Foi então que ele ouviu tiros. Os tiros acertaram a porta várias vezes. Zeca rolou para o lado, pegou sua arma, uma muda de roupas e correu em direção à janela. Zeca saltou pela janela, arrebentando a esquadria com seus vidros e metal. A ave emprestou momentaneamente suas asas para o desmorto que foi longe, ao menos setenta metros adiante, ele deu um rolamento no chão, posicionou-se e viu os dois atacantes na janela quebrada, atirando. Zeca correu até finalmente despistar seja lá quem fosse que o perseguia. Ele invadiu uma loja de produtos de limpeza e lá permaneceu por vários minutos. Após um tempo ele retornou para casa, para ver se encontrava alguma pista. Além de tudo quebrado e bagunçado, observou um cartão no chão, era de um tal de Vitor, o profeta, com a figura de uma runa na parte inversa.
Dr. Victor Zimermann, o maculado, dirigia pela cidade, ainda fugindo dos homens que queriam assaltá-lo a pouco mais de meia hora. O telefone celular tocou, era uma pessoa que ele conhecia bem, Madame Ágata, vidente, cigana falsa e espiritualista que faz amarração para o amor e trás a pessoa amada em três dias. A não mais de um ano Zimermann salvou a vida da filha de Madame Ágata. Foi um terrível acidente que levou o filho mais velho da vidente. Madame pediu que ele fosse à sua casa, junto com o carona que estava em seu carro. Nesse momento a mente de Victor clareou e ele sentiu a presença fantasmagórica de Gael, o espectro que o avisara dos homens que se esgueiravam atrás do carro. O fantasma estava sentado atrás. Observando. Junto com Gael chegou à casa na 711 sul. O grande letreiro dizia “MADAME ÁGATA, VIDENTE”. Antes mesmo que pudesse tocar a campainha a porta se abriu, era a mesma moça que ele havia salvado. A menina pediu para que ambos entrassem. Gael sentiu-se desconfortável, como é que ela sabia que ele estava ali? Não estava acostumado com essa nova faceta de sua existência. Zimermann sentou-se à frente da vidente e ela diz que forças começam a se opor aos planos dele. Ela podia não gostar das coisas que ele fazia, mas também não podia ignorar que ainda havia uma filha a qual amar por causa da intervenção do médico. Enquanto isso Gael, conhecido em vida como “Neguinho”, viu um outro fantasma na casa e o seguiu. Era a primeira vez que Gael via um outro como a si mesmo. Analisou o rapaz, que parecia mais intangível que si, observar algumas fotos em porta-retratos e concluiu que ele havia sido filho da mulher sentada junto com Victor, contudo não conseguiu estabelecer uma conversa. Era como se aquele outro fantasma fosse menos ciente de sua condição. Uma figura soturna bateu à porta, era Zeca, que guiado pelo Pássaro havia chegado à casa de Madame Ágata. Ele entrou e se sentou à mesa, junto com Zimerman e a anfitriã. Avançando com a mão ele entregou o cartão que havia pegado em seu apartamento para a Madame, que o colocou sobre a mesa e cobriu o papel com a mão. Os cabelos de Ágata se levantaram, seus olhos se fecharam, velas se acenderam e tremulejaram. Ela teve uma visão. Com a visão os dois fantasmas na casa foram sugados para dentro da mulher e Gael observava pelos olhos dela, preso naquele corpo. Ela revelou que o Profeta era um mago da vida, que empregaria todos os seus recursos contra o ressurgido e contra o maculado que desejava abrir uma clínica clandestina de aborto. Ela informa o local e que entrar pela porta da frente seria muito perigoso. Dentro da mulher, Gael sente que há muito mais do que as palavras que ela diz. Ele quase consegue tocar em um segredo, mas contenta-se em saber que se o tal Vitor, o Profeta, for morto, a Madame Ágata ficará muito grata e ficaria em dívida com o assassino.
Gregório Prates, o mago, levou a caixa que a senhora Maria Elisa havia dado a ele, junto com o bolo de dinheiro. Não perdeu tempo, limpou o local de seu santuário, colando os livros que estavam no chão mais próximos das grandes prateleiras repletas de ingredientes exóticos. Pôs a foto de Maicon Silva no centro de um pentagrama hermético, junto com um controle de videogame e a certidão de nascimento do rapaz. Os cânticos ritualísticos se iniciaram. Ao seu redor os cheiros e sons mudavam muito além de seu controle. Ele viu o rapaz saindo do trabalho, entrando num ônibus, viajando, descendo na parada próxima da faculdade e então, com uma dor aguda em sua fronte ele viu a face de uma mulher, de dentes afiados partindo para cima de Maicon. Aquilo o deixou nervoso. Gregório pegou seu carro e foi até o local onde a visão se desfazia com o rosto, e avaliou as condições e energias que lá estavam. As marcas da noite eram acentuadas e o cheiro sussurrante de sangue era revelado por sua magia. Muito possível que a mulher fosse uma morta viva, uma vampira. O destino se impõe aos que se aventuram nas sombras e ali na região ele foi até uma possível aliada, uma pessoa a quem ele já devia muito por acolhê-lo na cidade, quando ele não tinha nada. Alice Pink era uma vampira de feições distorcidas, com cabelos raspados na lateral e um corte moicano desajustado. Seu corpo era magro e ossudo, com dentes proeminentes e assustadores, marcas de queimaduras no rosto e uma grande ferida que descia pelo pescoço e se perdia no colo dos seios murchos. Gregório chegou à igreja abandonada onde ela costumava se esconder no início das noites, o mesmo lugar onde ele mesmo havia dormido quando chegou à cidade. Era exatamente igual, arrumado, simples, com uma pilha de revistas de teor erótico feminino num canto. Ela permitiu que ele a visse e Gregório pediu ajuda à Alice Pink. Com um sorriso macabro no rosto disforme ela ouviu tudo o que ele tinha a dizer e reconheceu a mulher que ele descreveu. Ela iria ajudá-lo, mas iria cobrar caro e imediatamente por isso. Gregório ficou tenso. Alice Pink abaixou a cabeça por um instante e quando a levantou, parecia uma pessoa diferente. Ela era uma mulher extremamente bonita. A noite se fechou com Gregório e Alice na mais carnal das intimidades.
César, o fae era um traficante conhecido e temido, mas mesmo os seres mais brutos possuem paixões e amores. Mesmo a fera mais selvagem às vezes era prisioneiro de seu coração. Florisbela era a dona da chave que guardava aquele amor todo. O problema era que ela não atendia suas ligações nem respondia suas mensagens já a algum tempo, aquilo o agoniava, pois ele sabia que Florisbela também o amava e ela já havia dado muitas provas disso. César procurou Maria Cecília uma amiga de Flor. Cecília fez com que se encontrarem no Área 51 e entre mesas de sinuca e música alta o ser feérico se encontrou com a moça. Ao vê-la ele pode notar o quanto ela ficava excitada com tudo aquilo, o quanto ela mesma era regida por emoções além do mero companheirismo ou das dívidas de drogas que ela tinha com ele. César se aproximou de Maria, deu a ela um pequeno saco plástico, que ela recebeu com exultação. Um presente como aquelas drogas, faria Cecília soltar a língua e não guardar receios. Ela conta que o ex namorado de Flor, um membro do moto clube the Lost, chamado Bonga, foi a última pessoa que falou com ela, e que ele batia sempre em Florisbela. César ouviu com atenção a cada palavra dita e após o encontro ligou para um contato seu na polícia, Freitas. Conversou com Freitas e disse que gostaria que esse Bonga fosse enquadrado, e que no dia do enquadro, ele pudesse estar lá. Era uma boa oportunidade para Freitas fazer-se de bom moço com a corporação e também ganhar alguns pontos com os outros traficantes. Eles que entrassem em guerra. Seria só lucro para ele.
Personagens Jogadores
Dr. Victor Zimerman,
maculado;
César, um féerico
metamorfo;
Gael, o espírito;
José Carlos “Zeca”,
ressurgido;
Gregório Prates, um
mago.
Personagens Não
Jogadores
Madame Ágata, vidente;
Vitor, o profeta,
feiticeiro;
Bonga, motoqueiro
traficante;
Maria Cecília,
viciada;
Florisbela; amante de
César;
Maria Elisa, mãe de
Maicon;
Maicon, rapaz
desaparecido;
Alice Pink, vampira;
Núbia, filha de Ágata;
Miguel, fantasma filho
de Ágata;
Dois assassinos.
Sombras Urbanas
Vícios Sombrios em
Almas Perdidas

Comentários
Postar um comentário