Vícios Sombrios em Almas Perdidas - Sessão 02
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Gregório terminou o sexo com Alice Pink. Em momento algum Alice revelou-se como horrenda criatura que era de verdade, mesmo depois do coito, ela se se afastou, sempre “bela” e ficou sob a luz fraca, vestindo cada vez mais a intensa escuridão. Ela disse que ela mesma falaria com a mulher da visão do mago, e que para isso precisaria de um tempo para organizar tudo, a não ser que ele desejasse ir sozinho. Gregório aceitou a ajuda e aguardou. Ir sozinho atrás de um ser da noite não era uma boa ideia. Dois dias depois Alice entrou em contato e informou que uma reunião havia sido agendada. No dia da reunião Gregório apareceu e Alice colocou um broche na camisa dele, um símbolo de segurança, algo que ela acreditava, e foram até um antigo cinema abandonado em Taguatinga, o último cinema de tela grande que não havia sido transformado em igreja, ainda. Lá viram sete pessoas em pé, com a figura da visão no meio. Alice e Gregório se aproximaram, fizeram reverências e a mulher da visão fez questão de ofender sistematicamente Alice, que escutou em silêncio. Mas a mulher queria mesmo era ouvir o que o visitante desejava e Gregório disse que queria saber do paradeiro de Maicon. Ele descreveu o rapaz e informou que sua profissão era encontrar pessoas. A mulher da visão, que se apresentou então como Lucila, disse que devolveria Maicon para a mãe, se o mago fizesse um favor, ajudando um amigo. Gregório aceitou e Lucila pegou o braço do mago, o levou à boca, mordendo levemente com um princípio de dor, mas depois, com alegria e um certo prazer. O processo se repetiu com todos os outros presentes. Na noite seguinte, Maicon chegou em casa e sua mãe, Maria Elisa, ligou agradecida para Gregório.
Após saírem da casa de Madame Ágata, Victor Zimmerman, José Carlos e Gael ficaram parados à porta. Zimmerman tentou conversar algo sobre o mago da vida que queria todos eles exterminados, e tentou usar sua retórica, entretanto Zeca estava perdido em outras palavras. A ave da morte murmurava em seus ouvidos e dizia que enquanto estavam na casa da vidente, ela encontrou um dos membros do motoclube. Um dos que estava jurado de morte. A vingança precisava ser executada. Chegaram ao setor comercial sul, já depois da uma da manhã. A vida noturna do lugar era totalmente diferente da sua contraparte diurna. A fauna era diferente, as cores eram desbotadas, apesar de serem mais intensas. Os cheiros eram mais doces e se perdiam num azedo de vômito, bebida barata e perfumes dos inúmeros travestis que se ofereciam aos que caminhavam pelo lugar. O pássaro guiou Zeca e Zimmerman através dos prédios e parou não muito distante de um animado bar, onde Zeca pode observar sua vítima. Aldo Ronão estava cercado por amigos, prostitutas e toda sorte de seres que gostasse de andar naquele ambiente. José Carlos viu a moto de Ronão e enviou Victor para roubá-la, fazendo assim que o homem se afastasse da mesa e que ele pudesse ser pego de surpresa.
Gael observava a tudo, oculto em seu manto de morte. Ele observava, à parte, as ações dos vivos quando notou que à mesa da vítima da vingança de Zeca, existia alguém como ele, um outro desencarnado. Se aproximou do outro fantasma e foi hostilizado. Ao ser empurrado, uma das garrafas no mundo físico quase caiu no chão. Alguém pensou ter batido na mesa.
Victor Zimmerman roubou a moto de Aldo. O barulho do escapamento fez o dono do veículo sair correndo, com uma arma na mão, com ódio no coração e todas as ofensas do mundo na boca. Junto a ele correu também Sanha, um de seus amigos. Ambos correram, empurrando a plebe do lugar, abrindo espaço para tentarem evitar que a moto desaparecesse de suas visões. Então apenas o barulho de tiro foi ouvido e o corpo de Sanha foi ao chão.
Os dois fantasmas brigaram por vários minutos até que ambos sessam suas hostilidades e observaram. A força de uma morte era importante. O corpo caído lhes é pertinente naquele instante.
O desmorto José Carlos então surge à frente de Aldo e com violência fez com que ele caísse. A queda foi severa, quebrando-lhe o pulso. Os olhos de Aldo se enchem de medo ao verem o homem que deveria estar morto e enterrado, ali à sua frente. Mesmo com dores, Aldo tentou se afastar, rastejando de costas, para longe de Zeca. A ave pousou sobre o ombro do desmorto e teceu palavras de ódio e vingança. Através do pavor nos olhos do homem caído, Zeca o convenceu de que o deixaria vivo, mas que ele o ajudaria a encontrar os outros dois que participaram de seu assassinato, para então sua vingança ser completa. Aldo Ronão aceitou, ficando no chão, enquanto Zeca sumia na escuridão da noite.
Do corpo caído com um tiro certeiro na fronte, a alma continuou a correr, como se não percebesse o que havia ocorrido. Então Sanha perdeu as forças e caiu. Pedro, o fantasma com quem Gael estava brigando, olhou para Gael e o inquiriu, perguntando se ele já havia sido apresentado à Irmandade das Sombras. Gael não sabia o que aquilo significava. Pedro então disse para segui-lo e ambos caminharam em direção ao recém-morto, pegaram a alma, cada um em um braço, e a carregaram. A voz de Sanha parecia um zunido distante enquanto tentava se comunicar sem que seus pulmões funcionarem, sem ar, sem garganta, sem vida. Pedro e Gael caminharam para a noite e uma escada surgiu à frente deles, se abrindo para baixo. Gael ainda exitou um momento, mas sabia que já era tarde demais, em vários aspectos. Os três desceram as escadas.
César ainda estava se satisfazendo com a ideia de ter enviado a polícia para lidar com Bonga, aquele maldito que desapareceu com sua amada Florisbela. O telefone então tocou, era Délia, uma entidade de sua Corte. Délia disse que o Imperador desejava falar o quanto antes com ele. Uma convocação do Imperador não era para ser levada de forma leviana pois dele emanava toda a existência dos fae e de todos seres tênues. Vestido com a armadura que era relíquia de seu pai, César foi até à comercial da 205 Norte. Lá, em uma porta que ficava entre a loja de jogos e o teatro, uma porta que daria acesso a uma cozinha, ele inseriu a chave que sempre carregava consigo. A porta se abriu, como deveria fazer e César viu o caminho de terra em direção ao brilho verde do outro lado. Quando entrou, a porta se fechou de imediato. O caminho era longo, portanto as regras deveriam ser obedecidas. Surgiu de joelhos à frente do majestoso Imperador. Todos os rituais da Corte foram feitos: as palavras ditas, gestos executados e até os silêncios corteses colocados nos momentos certos. O Imperador então disse, com sua voz que dominava aquele mundo, com a voz que emanava poder, que as contas de César não estavam de acordo com seus ganhos e que a caravana de contrabando entre o mundo das lendas e o mundo dos mortais seria passada para outra pessoa, um opositor de César, chamado Imani. Aquilo fez César ficar apreensivo. Sua fonte de renda seria cortada. Os outros iam até ele pela qualidade exótica de suas drogas. Cocaína, maconha, crack, estase, qualquer um vendia, mas o que ele oferecia era muito maior, eram esperanças perdidas, dor controlada, medos vencidos, velhos sonhos. O Imperador permitiu que uma contenda entre os dois ocorresse. Imani precisaria ser vencido. No dia seguinte, uma ligação de número desconhecido surgiu em seu telefone. A voz do outro lado disse que seu nome era Gregório e que fora enviado por Lucila, para sanar uma dívida antiga. É, parecia que a vampira sabia que César estava próximo do abismo. Se ela queria ajudar enviando esse Gregório, que fosse.
Personagens Jogadores
Dr. Victor Zimerman, maculado;
César, um féerico metamorfo;
Gael, o espírito;
José Carlos “Zeca”, ressurgido;
Gregório Prates, um mago.
Personagens Não Jogadores
Madame Ágata, vidente;
Bonga, motoqueiro traficante;
Florisbela; amante de César;
Maria Elisa, mãe de Maicon;
Maicon, rapaz desaparecido;
Alice Pink, vampira;
Imani, fae;
Lucila, vampira;
Imperador;
Délia, fae;
Aldo Ronão, humano;
Sanha, amigo de Aldo;
Pedro, fantasma.
Sombras Urbanas
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