BASTIAL - Godsend Agenda RPG


O sexo havia sido bom, impetuoso e orgásmico. Desde a sua libertação que Timóteo não teve um momento tão relaxante. Seu corpo esbelto, longilíneo e belo foi observado por Carla à medida que ele se vestia. A moça o devorava com os olhos, mesmo depois de uma boa parte da última hora estarem juntos, de forma tão integrada. A luz que entrava na sala do zelador através da janela basculante no alto da parede parecia acentuar a aparência de Timóteo, emprestando a ele uma certa aura divina. A menina sorriu feliz, enquanto mordia sensualmente o lábio vermelho próximo do canto da boca enquanto se satisfazia com o troféu à sua frente. Carla jamais imaginaria que se deitaria com um homem tão bonito e ela já tinha alguma experiência no assunto, de formas boas e ruins.

Timóteo sorriu para Carla com uma suavidade no rosto. Então houve uma rápida movimentação. Alguém parecia querer entrar no escritório! Carla pegou suas roupas e correu o mais silenciosamente possível para um canto mais afastado, onde procurou se vestir rápido, para não ser expulsa do colégio.

“Fique aqui” - Timóteo falou baixo no ouvido da morena - “Eu saio primeiro, vejo se está tudo bem, e depois de uns quinze minutos você sai.”

Como não obedecer àquele homem tão bonito? Simplesmente o fez. Ficou.

Quando saiu da sala, Timóteo olhou ao redor e viu Jorge e os outros meninos ricos do colégio, que insistiam em fazer bullying com ele e os outros pária. Eles estavam num canto não tão distante. Evitou olhar diretamente, não por medo ou respeito, mas simplesmente porque não queria bater nos 5 novamente. A professora Letícia ficaria muito chateada se isso acontecesse de novo.

Contudo nem sempre os planos dão certo e Jorge e seus seguidores o viram e foram em sua direção. Quando começou a apressar o passo ele ouviu Jorge falar alto e claramente:

“Ô Gianecchini, quero falar com você. Não corre não”

Timóteo estacou seu movimento, apurou seu olhar, quase fez seus dentes crescerem para sua forma felina, mas evitou que as unhas de suas mãos e pés se tornassem garras. Ele se controlou bem, a professora ficaria feliz ao saber.

“Quê vocês quer?” - Falou de forma direta, com um olhar penetrante e assustador, apesar de a dicção e o vocabulário de Timóteo ainda serem um desafio.

“Calma, Gianeco. Só queremos conversar.” - Jorge levou as mãos a meia altura com as palmas abertas. “Eu vim aqui pedir desculpas por te encher o saco. Sério! O seu problema é que você fica andando com aqueles lascados. Nenhum deles vai a lugar nenhum. Todos nasceram pobres, burros e continuarão assim. Mas acho que você pode andar com a gente.”

Timóteo começou a pensar no que Jorge falou quando um grupo gritou perto deles. Era um gol e muitos comemoraram! Timóteo congelou. Suas pupilas dilataram e suas narinas se expandiram involuntariamente.

No âmago de seu ser ele viu seus braços e pernas amarrados a uma cadeira, enquanto testes eram feitos em seu corpo. Vozes desconexas permeavam o ambiente escuro. Um homem de voz forte falava com uma mulher de comportamento suave, porém sarcástico. Eram fios, canos, agulhas e vários produtos que picavam, doíam e laceravam. Quando então o próprio homem, que agora se percebia vestir um uniforme militar e uma postura altiva, olhou para o lado quando vários outros homens, dez ou doze deles, gritaram GOL e comemoraram, enquanto olhavam para a televisão preto e branca que havia no cômodo.

“Gianeco? Ficou doido igual ao retardado do Vítor? Gianeco? É um idiota mesmo. Vamos embora daqui.”

Os meninos se afastaram de Timóteo. Pouco depois ele se viu parado, sozinho, no colégio, com uma das amigas de Jorge olhando para ele. Ela, quando notou que ele havia voltado a si, se aproximou e com um sorriso bem doce, o beijou os lábios. Timóteo correspondeu de maneira automática. Ao fim do beijo ela foi embora, sem falar nada. Quando Timóteo começa a andar novamente, notou que Carla estava próxima olhando sem falar nada e então saiu correndo, claramente com lágrimas nos olhos.

“Essa história de colégio está muito complicada” pensou Timóteo.
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Godsend Agenda RPG
Delta City, a cidade dos heróis.

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