Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 11 [Vampiro a máscara 5ª edição]
(14/05/2023 domingo)
José Teixeira Cavalcante e Gilmar Mesquita tinham assuntos pendentes, coisas políticas, mundanas e imorais. Partiram em direção a Brazlândia. Foram resolver a situação com a menina do Senador.
O endereço dava em uma casa recém-reformada, com um carro novo na garagem. Era um carro popular e a casa era simples, mas tudo tinha uma aparência recente. Os olhos de José Teixeira estavam atentos para aquele tipo de despesa, o Senador certamente havia gastado um bom dinheiro com a menina.
Cavalcante e Mesquita bateram à porta e mesmo com o avançar da hora, o rosto de uma pequena mulher apareceu. Seus olhos eram expressivos, o formato de seu rosto lembrava muito uma ex-secretária que havia passado pelo gabinete. Ela era bem mais nova, mas lembrava. Eloá era o nome dessa pequena mulher, pouco mais que uma adolescente. Pelo cheiro de seu sangue ela não era tão nova quanto imaginou, mas, mesmo assim, era uma bomba pronta para explodir e acabar com a carreira do velho Senador.
Inicialmente usou de toda sua simpatia e carisma para ganhar a confiança de Eloá, queria entender o que se passava na cabeça daquela mulher. A barriga era proeminente, isso o preocupou. Eloá ficou confusa com a conversa. Mesquita sussurrou nos ouvidos de Teixeira que a menina estava apaixonada. Isso complicaria as coisas. Eloá chamou a mãe à conversa.
A casa estava cheia de presentes, móveis novos, reforma. Maldito Senador. A menina e a mãe começaram a entender o objetivo daqueles homens na casa, eles queriam que não houvesse mais ligação entre Eloá e o velho político. Eloá e a mãe exigiram que eles partissem, deixando-as em paz, mas a noite traz perigos e a porta foi aberta para homens perigosos. Cavalcante perdeu a paciência. Ele não iria mais discutir com pessoas que ele considerava serem bem abaixo de sua estirpe. Ele era um vampiro, ele era poderoso e acima de tudo ele era Ventrue. Como é que elas ousavam questioná-lo? Num rompante ele expandiu suas ordens sobre a vontade inferior daquela plebe. José Teixeira comandou-as, através de Dominação, a abortarem a criança. As palavras foram incisivas e interpretadas de forma linear, com ações mais diretas do que esperadas pelo Ventrue. Eloá e a mãe saíram da sala e foram para o banheiro, lá, com uma faca abriram a barriga da menina. Mesquita ficou horrorizado com tudo aquilo, ele foi lá para servir de apoio e ouvir como um advogado. Ele queria atrapalhar a vida das duas, processá-las, suborná-las, qualquer coisa, não era um homem de muitos escrúpulos, mas ao ouvir o grito de agonia e ver o sangue jorrando, percebeu que Cavalcante jogava um jogo muito mais perigoso e venal do que ele próprio. Exigiu que José fizesse algo, que fosse levá-las ao hospital, que agisse. Teixeira deu de ombros. Houve uma feroz troca de ofensas entre os dois homens. Por um momento o ódio de Cavalcante ficou intenso e ele quase partiu para vias de fato com Teixeira, mas evitou, tinha planos mais práticos e perenes para punir aquelas palavras.
Entraram no carro e partiram. Mesquita deixou Cavalcante na porta da Bloodlust e foi embora.
Catarina Oliveira estava apreensiva com tudo o que ouviu na noite anterior. Tanto as palavras de Reinhardt, o Senescal, quanto de Lodo, o Xerife, haviam-na incomodado. Por anos trabalhou forte, entregou-se, manteve-se perfeita, para poder galgar degrau a degrau na Torre de Marfim, e agora, após um minúsculo deslize, algo que se fosse outra pessoa seria desconsiderada, estava desnuda de seu status. Sempre havia visto os outros membros de sua coterie como reforços para poder subir na Camarilla, membros que lhe davam possibilidade de crescer, se mostrar e ser temida, todavia, de uma noite para a outra aquele castelo de cartas parecia ter desmoronado. Apegava-se firmemente à semântica. Precisava acreditar que aquela punição seria transitória. O Senescal havia deixado claro que os Clãs Maiores deveriam ser exaltados e não havia Clã Maior que o Clã Toreador. Os Ventrue talvez tivessem a liderança, mas os Toreador certamente possuíam a elegância e o “joie de mourir” que deveria ser característico de todos os cainitas. O Pastor não havia comparecido ao fatídico encontro com Reinhardt, e além do mais Lodo, apesar de suas escaras e o desconforto que ele exalava a cada palavra que proferia, havia questionado a própria lealdade do clã Lasombra. Saber que Iran e Alice Pink eram contra a coterie lhe doía, não pela decadente e horrenda mulherzinha subalterna do clã Nosferatu, mas pela Harpia Iran, o vampiro que a acolheu quando chegou ao principado de Brasília.
Foi então que viu o Pastor Israel. Ele parecia distante, estranho, talvez mais profundo que um sonho atormentado, entretanto jamais poderia saber, uma vez que ele era, até outro dia, de um clã antagônico, perigoso e monstruoso, como o clã daquela aberração que quase a devorou. Todavia, por mais que quisesse ir contra, sabia que ele também pertencia aos Clãs Maiores e daria a chance dele se explicar.
Conversou com Pastor Israel sobre as coisas que ouviu do Senescal, de Lodo, e dos ocorridos na chácara, quando enfrentaram aquele deformado. Questionou Israel sobre sua lealdade, não somente à Camarilla, mas à coterie. Ouviu um discurso de fidelidade, amizade e força. Catarina sempre soube quando mentiam para ela, mas daquela vez parecia que Pastor estava falando a verdade, ou, quem sabe, suas perguntas não haviam sido as melhores. Ficaria atenta às ações do Lasombra e também lhe daria um voto de confiança.
Cavalcante chegou todo cheio de sangue e raiva.
Pastor Israel há muito tempo não possuía um sobrenome fixo. Antes de se filiar à Camarilla, possuía pseudônimos transitórios. Antes disso, possuía um nome real, mas era melhor mantê-lo no passado. Tinha vergonha de alguns acontecimentos ligados àquele nome. Agora, o que importava realmente era sua nova não-vida. Ele não havia morrido, como tantos outros morreram pelas ordens imbecis de seus antigos senhores do Sabá. Se uniu a outros dissidentes? Sim. Cometeu crimes e recebeu castigos? Com certeza. Estava vivo e em um novo ambiente? Sem dúvidas. E faria o necessário para manter-se íntegro, vivo e operacional.
A conversa com Catarina o deixou nervoso. Eram muitas mudanças em pouco tempo e não tinha como evitar, precisava consultar um dos outros que o entendia realmente. Apesar de todo o desconforto e embaraço, foi conversar com Santa Tereza do Sangue.
Santa Tereza do Sangue, querendo ou não, foi a vampira que teceu a entrada deles na Camarilla. Ela os convenceu, os aceitou, os defendeu e, junto com Cravos, desferiu o golpe fatal em Don Diego, perante uma plateia de membros até então inimigos.
Israel tinha o dom da oratória e sabia que precisava de cada palavra bem colocada para explicar seus medos, anseios e preocupações de uma forma que parecessem intensos, que fossem responsabilidades de todos e que ainda assim estivesse altivo perante qualquer atribulação.
E, após uma longa introdução, falou sobre não ser mais Vehme. Santa Tereza ficou decepcionada com a notícia, pois era importante manter poder na estrutura da Camarilla, ainda mais na posição desfavorável em que os Lasombra se encontravam. Israel disse que havia membros que tramavam contra eles, incluindo Alice Pink, uma Nosferatu muito próxima do Xerife. Santa Tereza do Sangue questionou se Alice Pink não estava insatisfeita com a Vehme porque ela mesma não gostaria que sua própria coterie tivesse aquele papel. Era um caso a ser pensado e que havia escapado de Israel.
O Pastor então preparou o terreno para seu verdadeiro medo. Contou que foi visitado por Benedita Venegas, a Mãe Sombria, a Assassina de Caim, e que ela tinha contato com Vicenzo de Zúñiga, a cria de Don Diego Borda Carrillo, o Lasombra que eles sacrificaram para entrar na Camarilla, e que ela exigiu que o diário de Grosu, Niko Petrakis, lhe fosse entregue. Santa Tereza ficou assombrada com a notícia. Ela não sabia que Benedita estava viva, que ela queria algo que pertenceu ao demônio Tzimisce e, o pior de tudo, que ela soubesse do paradeiro dos três traidores do Sabá.
Após longa e intensa conversa, chegaram à conclusão de que haviam entrado para aquela seita para se protegerem e que não havia melhor momento para que a Camarilla os protegesse. Precisariam passar a informação de que havia um Lasombra no Domínio, sem deixar que a sombra soubesse, e ainda, preferencialmente, que os louros pela informação caíssem sobre os fiéis e solícitos Santa Tereza do Sangue, Pastor Cravos e Pastor Israel.
Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert - Malkaviano - Senescal;
Lodo - Nosferatu - Xerife;
Santa Tereza do Sangue - Lasombra;
Pastor Cravos - Lasombra;
Benedita Venegas - Lasombra;
Vicenzo de Zúñiga - Lasombra;
Don Diego Borda Carrillo - Lasombra;
Eloá Gonçalves - garota grávida;
Yngryddy Gonçalves- mãe de Eloá.
Vampiro: a máscara 5ª edição

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