Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 13 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 13
(28/05/2023 domingo)
Mais uma vez, o sol havia se posto e a Sentinela Escarlate reuniu-se em torno da pomposa mesa de reuniões. As noites sempre agitadas exigiam organização de pensamentos e orientação comunal. Todos à mesa pertenciam a clãs diferentes e tinham pensamentos distintos, ambições particulares, mas objetivos em comum. Apesar de serem monstros, predadores implacáveis, eles eram conscientes de que juntos eram mais fortes, especialmente contra inimigos e perigos iminentes.
Após um período de ausência, avistaram Eli Urt. O membro do clã Tremere exibia uma cicatriz proeminente no pescoço, do lado direito. O desconforto do doutor Urt era facilmente perceptível. Quando questionado sobre a ferida, Eli explicou que ela não era resultado de um confronto ou violência, mas sim de um ritual necessário para suas atividades ocultas. Os outros simplesmente se calaram sobre o assunto. Então, José Teixeira Cavalcante, membro do clã Ventrue e o mais jovem da coterie, provavelmente o mais jovem da Camarilla no domínio de Brasília, anunciou a todos que havia sido encarregado de guiar a Arconte Nyala Kintu em alguns lugares da região. Cavalcante deixou claro que eles permitiram que ele levasse sua coterie, o que poderia restaurar a visibilidade perdida da Sentinela Escarlate se realizassem o trabalho com primazia. Com alguma relutância e sem compreenderem os reais motivos da visita da Arconte, os demais membros aceitaram o desafio. Enquanto a conversa se voltava para a nobreza da Camarilla, Catarina aproveitou a oportunidade e comentou que "alguém" queria saber o paradeiro de Beliza Gregory. Era de conhecimento público que a ex-Príncipe estava morta, mas seus restos mortais ou, pelo menos, seu antigo refúgio, nunca foram encontrados. Falar sobre a Venerada Beliza Gregory abalou um pouco Urt, pois ele sempre soube que Jason Wild e os outros membros do clã Tremere eram extremamente leais a Beliza.
Por fim, José Teixeira chamou Eli para uma conversa particular e informou-lhe que Vicenta D'Agostin desejava falar com ele com certa urgência. Eli Urt agradeceu a informação.
Urt dirigiu-se ao Laboratório de Hematologia e Células-Tronco da UnB para conversar com o Dr. Horácio Satoro Hamada, seu antigo colega de profissão. Urt havia encomendado uma cepa de sangue particularmente complexa, e Hamada entregou o produto. Estava tudo dentro das especificações, o que alegrou bastante o vampiro. A mente de Eli estava cheia de ideias e ele via no Dr. Horácio uma grande oportunidade. Urt perguntou o que ele achou do sangue, e o doutor mostrou-se nervoso. Hamada abriu uma gaveta na escrivaninha do seu escritório, tirou um fundo falso e de lá retirou um caderno de anotações repleto de estudos e "inconclusões" sobre o sangue de Eli, entregando-o ao Tremere. Horácio afirmou que jamais revelaria algo sobre aquele sangue, pois ele nem mesmo deveria existir, e tomou coragem para perguntar há quanto tempo Urt estava morto. Urt conteve sua satisfação, pois havia fisgado sua vítima. Eli então indagou se Hamada desejava se tornar algo mais do que era. O ambicioso professor de hematopatias raras questionou se valeria a pena. Urt respondeu que seria outro mundo, repleto de novas oportunidades e conhecimentos. No entanto, deixou claro que tudo tinha um preço, mas que valeria a pena se a pessoa fosse capaz de suportá-lo. O homem se perdeu em medos, pensamentos, incertezas e possibilidades enquanto Urt partia, prometendo retornar em breve em busca de uma resposta.
Eli Urt chegou ao endereço que estava escrito à mão no cartão de visitas que Cavalcante lhe havia dado. Foi recebido e logo começou a conversar com Vicenta D'Augustin. Tudo ocorreu em um mundo de elegância e pompa. As palavras foram cuidadosamente escolhidas, pronunciadas com altivez e respeito. Urt então entregou o sangue a Vicenta. A Ventrue ascendente abriu a caixa refrigerada, retirou um dos pacotes e o consumiu ali mesmo. O efeito que o sangue teve sobre ela foi extremo. A expressão do rosto da figura elegante e autoritária mudou completamente, seus olhos se transformaram e alternaram entre o negro absoluto, o vermelho intenso e um verde adoecido. A vivacidade de Vicenta se transformou em pura melancolia, como se ela nunca tivesse experimentado a felicidade em toda a sua existência, e então, ela voltou ao normal. Recuperando-se, expressou sua grande satisfação com o produto, chegando até a dizer que Urt era um artista, mas que levava muito tempo para adquirir os produtos. Urt pediu desculpas pela demora e valorizou o seu próprio trabalho, afirmando que, para encontrar algo além do excelente, às vezes era necessário ir a lugares onde outros não iriam. O pagamento foi feito e a promessa de futuros negócios foi reforçada. A satisfação de Vicenta era genuína, talvez um passo para Urt ser notado pelos Sangue-Azul.
Pastor Israel foi para a Catedral de Brasília, onde havia marcado nova conversa com Santa Tereza do Sangue. Ao se dirigir para a entrada, quase ficou desconfortável com as estátuas de bronze dos Evangelistas que pareciam segui-lo com os olhos. Ao chegar à nave, cumprimentou Santa Tereza. Os anjos de metal eram as testemunhas daquele encontro. Uma velha devota rezava longe, e um leigo recolhia plantas mortas e limpava vasos no outro extremo. Israel levou a Santa Tereza as informações sobre a Arconte e eles se questionaram se poderiam utiliza-la para irem contra Benedita Venegas, a Apaziguadora; a Mãe Sombria; Venegas, a Bruxa Divina, a Assassina de Cain. Como poderiam fazer isso? Talvez usando o próprio pastor Israel de isca, algo que Israel certamente desaprovava, mas não poderia evitar. Não desejavam discutir aquilo com Cravos, pois a proximidade dele com a mente doentia de Reinhardt poderia colocar tudo a perder. Apesar dos tons amistosos, as acusações de medo constante de traição estava presente entre os Lasombra. Coube ao Pastor verificar se a sombra atormentadora de Benedita Venegas ainda pairava nos subsolos de sua igreja ou em seus arredores.
Às vezes as noites da Bloodlust eram mais intensas. Vilmar, o carniçal, foi convidado pela coterie e compareceu para a reunião. Por saberem que sua senhora era Alice Pink, precisavam dele para disseminar notícias, ameaças veladas e dissimulações. Ao chegar na casa noturna Vilmar foi recebido por Catarina. A forma como ele foi tradado inicialmente, todo amistoso, com palavras cheias de sorrisos, gracejos e Nirvanas e a conduta adotada durante a conversa, eram bem díspares, Catarina mostra suas garras de insatisfação, ameaça e perigo, mesmo com a voz doce e a face angelical. Foi-lhe dito que havia um vampiro quebrando a máscara em lugar próximo, e que ele deveria levar esse recado para os níveis superiores. Vilmar despediu-se da maneira mais respeitosa que conhecia, mas deixou transparecer o pavor que sentiu ao estar entre os membros da Sentinela Escarlate.
Naquela mesma noite um segundo encontro ocorreu com outro personagem também convidado pelos membros da coterie. Mazira recebeu o chamado do grupo, e foi até eles. Ao contrário do carniçal, o Ravnos foi recebido com satisfação por todos. Ele ficou satisfeito de observar que estavam intactos, e reafirmou a satisfação de estar vivo, por conta das ações da Sentinela. Urt devolveu a chave do local estratégico de dormida, para Mazira. Então o grupo perguntou sobre a noite em que ele foi preso, quem era o contratante do serviço. O Ravnos disse que não falaria, pois seria errado revelar tal coisa, mas Mazira sabia que devia sua vida à Sentinela Escarlate e, através de sua disciplina de ilusão, acabou revelando a eles que a contratante inicial era Alice Pink, a Nosferatu cria de Lodo. O grupo falou então que a eles e a Camarilla tinham muito apreço por Mazira. Mazira ficou desconfiado. Ele gostava da coterie, mas foi obrigado a questionar se quem gostava dele era realmente a Camarilla ou apenas a Coterie. Não souberam responder. Ser Ravnos não era fácil.
Algumas coisas não poderiam ser evitadas e Eli Urt foi conversar com Jason Wild.
A sala branca, com a pequena estante com livros como "A Chave dos Grandes Mistérios por Eliphas Levi" e "A Clavícula de Salomão" davam o tom formal ao encontro. Wild estava calmo. Era uma calma falsa, como o vento parado antes de uma tempestade. Urt sabia como interpretar aquilo e continuou. Evitou muito da ritualística, mas manteve-se organizado e quando teve a oportunidade, perguntou sobre Beliza Gregory. Os olhos de Jason quase saltaram das órbitas. Urt disse que outros clãs queriam saber do paradeiro dela, de seus restos mortais, de suas cinzas ou de seu refúgio. Aquelas palavras eram heresia consolidada, uma heterodoxia aberrante. Jason Wild, o Primogênito do clã Tremere no Domínio de Brasília, quis saber quem eram esses clãs, quem eram os vampiros. Urt não soube dizer, mas que ficaria atento aos sabores das palavras. Wild mandou que ele descobrisse, e Eli concordou. Jason continuou a conversa e questionou a aliança de Urt com Margot, da casa Carna. Eli Urt disse que não havia aliança e que foram apenas conversas amistosas, que tinham a ver com fantasmas e espíritos, algo que Margot era especialista. Urt tinha plena consciência de que sofreria alguma privação. Ainda não temia por sua destruição, mas algo certamente aconteceria. Então, com sua postura de líder cultista, Wild exigiu que Eli se ajoelhasse no pentagrama hermético. Com palavras de poder e a força doo sangue, Jason fez um pequeno ritual de benção em Urt, uma coisa inesperada, e assim que terminou o ritual, o esbofeteou com violência. O golpe foi tão violento que a cicatriz do ritual de noites anteriores se abriu um pouco e fez jogar o vitae precioso, que logo estancou.
O Primogênito do clã Tremere colocou sua face de líder e fúria. As palavras ásperas e, ao mesmo tempo imperiosas, de Jason Wild foram sobre lealdade e que Urt deveria andar com cuidado, pois Margot era inimiga, apesar de sempre ser fiel à memória da Venerada. Guardado na mente, Urt sabia o quanto ainda teria que conversar com Margot, principalmente pelos favores que devia para a bruxa. Só precisaria ser mais cauteloso, pois se Wild soube que haviam se encontrado foi porque alguém contou.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Nyala Kintu - Ventrue - Arconte;
Beliza Gregory - Tremere - ex-Príncipe;
Jason Wild - Tremere - Primogênito;
Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert - Malkaviano - Senescal;
Vicenta D'Augustin - Ventrue;
Santa Tereza do Sangue - Lasombra;
Benedita Venegas - Lasombra;
Paulo "o Pastor" Cravos - Lasombra;
Mazira - Ravnos;
Alice Pink - Nosferatu;
Lodo - Nosferatu - Xerife;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

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