Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 20 [Vampiro a máscara 5ª edição]

 


Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 20

(06/08/2023 domingo)

Pastor Israel se percebeu dependurado de cabeça para baixo, dolorido, pendendo como um salame curado. As dores percorriam seu corpo esguio. A escuridão que o rodeava não era apenas fruto da noite, nem apenas de sua mente desconectada com a realidade, era também nascida do abismo de onde Guardiões retiravam suas ligações abissais.

Pouco após recuperar um mínimo de consciência, a violência contra seu corpo reiniciou-se. Ele estava à mercê de Benedita Venegas, que exigia o diário de Niko Petrakis.

Não havia tempo para argumentar, a cada negativa ou palavra que desagradasse minimamente Benedita, a violência e brutalidade castigavam a carne e a mente de Israel.

A Apaziguadora; a Mãe Sombria; Venegas, a Bruxa Divina, a Assassina de Cain, exigiu seu prêmio e mostrou que as opções do jovem traidor do clã Lasombra estavam minguando.

A escuridão sobrenatural se desfez e Pastor controlou as sombras para removê-lo daquela humilhante situação e depositá-lo no solo com o mínimo de impacto.

Rastejou em direção ao lado de fora daquela igreja abandonada e, quebrando o vidro do primeiro carro que viu, tentou voltar para seu refúgio, pois o dia não demoraria a nascer. Ele estava em Sobradinho e a distância entre aquele lugar e Taguatinga era grande.

Com dificuldade, e bem pouco antes do sol mostrar sua face no horizonte, adentrou as salas ocultas da Bloodlust, depositando-se seguramente no consolo umbrífero de seu quarto.

Rezava para que as dores se dissipassem com o mortal sono diurno, entretanto Deus não ouviu sua oração, ou ouviu e o colocou em provação divina.


A noite caiu mais uma vez. À bela mesa um buquê de lírios trazia a brancura e o rosáceo robusto da flor. Naquela noite haviam quatro vampiros sentados. Eli Urt, Torrado Martins, Catarina Oliveira e um baqueado Pastor Israel.

Questionado sobre sua situação, Pastor Israel contou à sua coterie o acontecido, falou sobre seu sequestro e o ligeiro cativeiro com uma persuasiva Benedita Venegas.

Apesar de serem assuntos extremamente pertinentes, havia duas coisas que deveriam ser tratadas, antes de qualquer coisa, a fome enorme de Israel, que pediu ajuda da bela Catarina para acompanha-lo, uma vez que o medo de Benedita era recente e crescente. A outra era a Gangrel Ingrid Menezes que estava aprisionada na cela nos porões abaixo.

Torrando contou o que ouviu da conversa entre Bruno Giovanni e Ingrid, na noite anterior. Martins deixou claro que havia um fantasma ali para vigiá-los, a mando de Giovanni. Apesar das dores e do temores, Israel sabia o que fazer. Contra a aparição demoníaca que atormentava Torrado não tinha poder, pois os grilhões do diabo eram fortes nos filhos de Caim, mas aquele fantasma estava em sua casa e ele não permitiria que ele a atormentasse e vigiasse!

Israel pronunciou as palavras dos anjos, tanto os de luz quanto os apagados, e comandou a aberração descarnada para fora de seu refúgio. Sob o olhar dos demais membros, assombrados com o feito, Israel fechou a bíblia, que agora possuía páginas a menos e marcas de fogo em seu interior. Deus poderia não tê-lo curado, mas lhe dava caminho contra e a favor do abismo. Olhou para Catarina e os dois partiram em direção à noite, para caçarem.

Com a partida de Catarina e Israel em busca do rubro sustento maldito, Eli Urt desceu à sessão da cela de Ingrid, ainda pegando-a em uma bizarra conversa com um roedor. A conversa entre a Gangrel e o Tremere rodou em torno do que aconteceria com ela quando a Sentinela Escarlate a entregasse a Lodo. Ingrid foi categórica que sua vida havia chegado ao fim, enquanto Urt defendia que a Camarilla protegia os seus e que ela  não morreria, contudo Ingrid foi direta ao dizer que sim, a Camarilla protegia, mas protegia a Máscara. Aquilo abalou Eli, que abaixou os olhos e a deixou sozinha.


Não dava para esperar mais, era hora de levar Ingrid. Eles estavam apreensivos, ainda mais agora que ela estava alimentada com o sangue de uma humana e o sangue de Bruno Giovanni.

Desceram para pegá-la e ela já estava fora da cela, esperando pacientemente, magra, horrenda, inumana. Não haveria grilhões para segurá-la. A Vehme colocou sua fé toda na crença de que ela manteria a palavra de que não causaria problemas e se entregaria calmamente. A coterie sabia que se ela resolvesse utilizar suas habilidades, principalmente sua velocidade sobre-humana, dificilmente teriam ação, pois os ferimentos causados por ela, ainda marcavam profundamente a carne e a mente de todos.

Subiram, entraram no carro, se dirigiram para o ponto de encontro. Poucas palavras foram trocadas entre os integrantes  do veículo. Todos os momentos eram tensos. Era como se transportassem um tanque cheio de nitroglicerina  por uma estrada esburacada. Se ainda fossem vivos plenamente teriam prendido a respiração por toda a jornada e transpirariam de medo.

Chegaram ao ponto de encontro no Polo de Modas do Guará. Ronaldão abriu o portão do lugar, entraram com o carro. Desceram todos, aguardaram Lodo. O tempo parecia não passar. Cada segundo parecia um ano. Desejavam terminar logo aquilo, entregar aquela bomba para o Xerife e poderem partir para curarem suas feridas.

Ingrid aguardava seus novos carcereiros.

Da escuridão do galpão apareceu Lodo, Alice Pink e uma figura inesperada, Iran Borba, a Harpia.

Lodo olhou para a coterie, contou apenas quatro, mais uma vez Cavalcante parecia não dedicar seu tempo a ter com o Xerife.

Catarina e Urt se colocaram à frente e entregaram a guarda de Ingrid ao Primogênito Nosferatu. O Xerife elogiou a Vehme pela tarefa bem executada, por julgarem e capturarem a Gangrel. Ingrid apenas olhou mais uma vez para a Sentinela Escarlate, antes de acompanhar Alice Pink e Iran Borba rumo a outro destino.

Lodo então agraciou a todos com palavras fortes de liderança, deixando claro que em primeira instância foi totalmente contra a entrada dos três Lasombra no Domínio, contudo agora havia mudado de posição e via habilidades e até compatibilidade daquele seleto grupo com os ditames da Camarilla. Então perguntou a Israel se as feridas expostas eram fruto da contenda com Ingrid. Pastor Israel então contou o seu infortúnio com Benedita Venegas. O Xerife mostrou indignação e foi galpão adentro, determinado que a Sentinela Escarlate aguardasse no local. Pouco tempo depois retornou com Alice Pink e Iran Borba.

À luz do acontecido o Xerife Lodo informou aos presentes que a Sentinela Escarlate ficaria fora do próprio domínio por algum tempo, questionou sobre Cavalcante e foi informado que ele estava em outros afazeres, quando Eli Urt ensaiou dizer algo sobre seu líder, recebeu um olhar de silêncio de Lodo, pois ali, presente, estava a Harpia. A conversa continuou e o Xerife deixou claro que ele caçaria Benedita Venegas e por tempo indeterminado a Sentinela Escarlate deveria ficar hospedada com o próprio Nosferatu ou com Iran, que, apesar da surpresa, mostrou-se imensamente satisfeito, como apenas um Toreador pode ser, com seu belo sorriso repleto de subtextos.

Sem palavras bonitas, Lodo sabia que o lugar que ofertaria para eles, principalmente para uma joia delicada e facilmente quebrável como Catarina, seria péssimo, e impeliu Iran a reforçar que a Vehme ficasse com ele. Assim foi feito.


Iran e Catarina estavam no mesmo carro, conversando sobre amenidades enquanto o lindo chofer guiava em segurança. 

Iran usou suas técnicas de Toreador e Harpia para arrancar da alpinista social tudo o que podia sobre seus companheiros e recebeu de presente inúmeros segredos e indignações. Aquilo o deliciava.

Catarina destinou sua indignação com a liderança de uma criança Ventrue que não possuía sequer meia década de abraço! Listou erros cometidos por José Cavalcante, contou casos de infortúnios e rompantes de raiva. A Harpia dava apoio a Catarina, induzindo-a a falar mais e mais. Perguntou sobre Pastor Israel, sobre Torrado Martins e também sobre Eli Urt, deixando quase claro, que uma ligação maior entre Catarina e Urt seria útil, pois muitos ainda viam a antiga liderança de Beliza Gregory com os olhos da saudade.

Catarina havia caído na armadilha brilhante de elogios e incentivos de Iran.

Por fim, pararam em um apartamento, onde Iran Borba fez questão de vestir bem seus  convidados por obrigação. Roupas belas, pretas e formais para Pastor Israel e Eli Urt. Um traje adequado para Torrado Martins, uma vez que não era de bom tom deixar um Nosferatu desconfortável trajando algo além de sim mesmo e um lindo vestido vermelho para Catarina, sua melhor "amiga".

Uma festa os aguardava.

Personagens

Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra] 

NPCs:
Ingrid Menezes Ortis - Gangrel;
Bruno Giovanni - Hecata;
Lodo - Nosferatu - Xerife;
Alice Pink - Nosferatu;
Iran Borba - Toreador - Harpia;
Ronaldão - porteiro;
Luiz Pareto - carniçal.

Sistema:
Vampiro: a máscara 5ª edição

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