Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 26 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 26
(24/09/2023 domingo)
Pastor Israel e Eli Urt entraram pela frente. Israel, utilizando-se de seus conhecimentos peculiares, arrombou a fechadura da porta de entrada sem muita dificuldade. Eli não quis saber mais do que já sabia sobre o passado dele. Ao mesmo tempo, nos fundos da casa, Catarina forçou a entrada e passou pela porta junto com Cavalcante.
O lugar estava ainda sem muita organização, com móveis cobertos por lençóis e alguns espaços vazios. Ainda não era um lar, muito menos na visão de um Toreador.
Alguma coisa no lugar deixava Urt angustiado. Era uma sensação diferente, como se alguém apontasse uma estaca para o coração do Tremere.
O ambiente inquietava Catarina, as cores, formas, cheiros e disposições atiçavam na Toreador uma mistura de ansiedade e Fome. Ela não sabia explicar, mas era como se os detalhes naquela casa fortalecessem a Besta e instigassem seus instintos mais primais. Tudo aquilo que escondia sob a pele, afastado do mundo parecia aflorar. A linda Toreador nunca havia sentido tanta fome. Sua beleza sempre lhe ofereceu um amplo cardápio de presas dispostas a saciarem-na, contudo aquele lugar a enervava e a fazia se perder em devaneios.
Os olhos de Catarina buscavam além da percepção humana, além mesmo do que a maior parte dos vampiros podia enxergar. E com essa estranha percepção do invisível, Catarina viu uma diferente energia enigmática emanar de uma grande pintura.
Atrás da pintura havia uma enorme porta de cofre, reforçada, com um mecanismo. Ali certamente era a entrada para o verdadeiro Refúgio, onde um vampiro poderia se esconder de inimigos e da temida luz do sol.
Urt se sentiu mal mais uma vez. A agonia o deixava preocupado.
Catarina olhava fixamente a porta, ela estava perdida nos padrões art-nouveu que cobriam toda a superfície blindada. Cavalcante observava a Toreador, sem entender o que se passava na mente daquela vampira.
Israel e Eli Urt se juntaram à dupla Catarina e Cavalcante.
Mais uma vez o Pastor Israel mostrou dons que fariam um gatuno corar de vergonha. Ele começou a destravar a porta, desvendando seus segredos e códigos. E foi quando conseguiu destrancá-la e ameaçou abri-la que foi impedido pelo trio ao seu redor. Foi Cavalcante quem rompeu o silêncio do ambiente e gritou para que a porta não fosse aberta. Todos então param e olham para ele. José Teixeira Cavalcante tomou a frente e apontou para um dispositivo de segurança, uma armadilha, projetada para membros despreparados. Uma armadilha feita para atuar contra vampiros. A porta ao ser aberta sem as devidas providências, despejaria um gás que seria inflamado, ateando fogo aos invasores.
Com muita calma, o Ventrue desarmou o dispositivo.
Armadilha foi desfeita por Cavalcante. A porta estava segura.
Catarina obedeceu à ordem de Cavalcante e entrou, descendo as escadarias. Exerceu influência sobre seu sangue e tornou seus movimentos virtualmente invisíveis aos seus companheiros. Desceu as escadas como se apenas houvesse desaparecido. Para o espanto dos outros, ela surgiu tão logo desapareceu, segurou o braço do Ventrue e o levou, em silêncio, para outros lugares da casa.
Pastor e Urt desceram então e viram um homem sem camisa, amarrado, com sinais de tortura. Marcas de escritas profanas foram marcadas a ferro e fogo em seu corpo. Não parecia vivo, mas produzia alguns movimentos.
Os símbolos esculpidos em sua carne pouco faziam sentido para Eli, mas para o Pastor era como um livro antigo para sua nova realidade. Ele não se atreveu a chegar mais perto do moribundo. Eli Urt fez um exame clínico, na pessoa e descobriu que era um membro, um vampiro. As costas fustigadas, com símbolos escritos fundos na carne, com a língua cortada e suas presas arrancadas. Parecia que o coitado passou por algum ritual de punição.
Israel disse que aquilo era coisa de membros de fora da Camarilla, era informação suficiente para Urt. Subiram.
Então escutaram barulhos na entrada da casa. Catarina possuída por um instinto bestial se adiantou ao grupo e confrontou o invasor, numa velocidade presenciada poucas vezes pelos membros da Vehme.
Quando os outros conseguiram alcança-la viram que ela devorava a vítima com tamanha ferocidade que Pastor Israel precisou intervir fisicamente para interrompendo a alimentação.
Era Valentina Ferreira, senhora de um domínio no guará. Ela havia ido a casa atendendo ao chamado da Caçada de Sangue proclamada pelo Príncipe Maximiliano. Pelo menos era nisso que o grupo queria acreditar. Eli questionou o que ela fazia ali e os demais membros da Vehme ficaram chocados. A Toreador estava com um enorme corte na garganta, que havia sido arrancada pela violência bestial de Catarina. Valentina não conseguiria dizer nada, mas seus olhos transmitiam a raiva, ódio e medo que agora carregava em seu coração.
Passado o susto, deixaram ela na casa, a seu pedido. Enrolamos o corpo em um edredon e partiram, não sem antes que Eli devolvesse a bolsa da Toreadora ferida com uma pequena pedra, fruto de um ritual de localização. Urt estaria ciente da localização dela enquanto os efeitos do ritual durarem.
Torrado Martins foi avisado pela Harpia tanto da caçada de sangue quanto do retorno de seus associados ao território outorgado pelo Príncipe à Vehme.
Ao voltar para onde lhe era devido, através de suas influências nas ruas, entre os mendigos, bêbados, abandonados pela sociedade, soube que outros caçaram em seu domínio. Eram desleixados, como um bando de novatos sem instrução.
Mais um problema para ser colocado em conta.
Finalmente regressaram ao Refúgio sob a boate Bloodlust. Discutiram sobre o que fazer com o novo 'visitante'.
A princípio decidiram entregar o membro a Reinhardt Birkheuer, o Senescal, temendo que fosse um vampiro tão poderoso quando Ingrid, contudo Eli os convenceu de que deveriam extrair mais informações sobre aquela pessoa. Então desceram até o recinto das celas, onde ele estava e lá o deixaram. O inclemente sol estava para nascer.
Durante dias a coterie mal dormiu. Todos sentiram uma sensação extremamente desagradável. Um medo e um sentimento de ser vigiado tomou conta de todos, impedindo um descanso completo.
Aquela sensação parecia também afetar os colaboradores da Bloodlust, pois a costumeira decoração 'matutina' não estava presente sob a imperiosa mesa de reuniões.
A fome os consumia como jamais havia consumido. Por várias noites não fizeram nada além de caçar. Voltavam saciados para o Refúgio. Alguns agiam além da alimentação sustentável e acabavam assassinando suas vítimas. A situação estava insustentável. Precisavam fazer algo. Culparam o vampiro em torpor, que jazia sob seus pés.
Assim Eli Urt preparou um ritual. Acompanhado de sua coterie ele desceu à cela onde o vampiro estava amarrado e cedeu um pouco do seu próprio sangue.
O vampiro despertou em agonia e sofrimento. O vampiro tentava gritar, mas não conseguia. Tentava se debater, e as amarras o restringiam. O sangue do Tremere começava a ser absorvido pelo sofredor, para que tudo desse certo.
Todos os membros da Vehme estavam presentes. Muito embora os rituais Tremere sejam guardados a sete chaves e muito reservados Eli resolveu mostrar um pouco dos seus segredos e não se importou em realizá-lo na frente de seus companheiros. Urt tinha plena confiança neles. Vestido com roupa repletas de símbolos, adornado com joias ritualísticas e entoando cânticos numa língua há muito não falada, Eli Urt tomou em suas mãos um cálice de prata e colocou ali um pouco do sangue do vampiro ferido e seu próprio sangue para então tomar e dar início ao ritual.
Durante algum tempo dominou o silêncio, mas então o Tremere falou: "Um vampiro sem clã, um vampiro sem senhor, um vampiro escravizado por dois laços de sangue. Um quase sangue ralo. Sinto o sabor de uma beleza amaldiçoada e da loucura ingrata nele, como se fosse despertado para a Noite através de um Abraço duplo. Uma profanidade. Ele se proclama Bonga, mas tem como nome de nascença Antônio Carlos de Almeida."
A noite ainda não havia acabado. Eli percebeu algo ainda dentro do caitiff. Um objeto estranho. Havia uma protusão um pouco acima do diafragma causado por um corpo estranho. Eli então retornou de seus aposentos com sua maleta de instrumentos cirúrgicos. Fez uma incisão precisa e retirou de dentro do caitiff uma adaga, que estava no lugar de seu coração.
No mesmo instante o vampiro se convulsionou com a mais extrema violência e, quase que instantaneamente, ardeu em chamas que surgiram a partir do corte feito para retirar a adaga de dentro dele. A combustão quase levou todos à insanidade.
Enigmas sombrios.
Da visão de Pastor Israel.
Chegamos à casa da Toreador diablerista e nos dividimos em dois grupos. Eu fiquei com Eli Urt enquanto Catarina ficou com Cavalcante. Ao entrarmos não encontramos nada e acabamos nos encontramos com os demais em frente a uma porta semelhante a um cofre.
Utilizei habilidades que aprendi na minha outra vida, e com a ajuda de Cavalcante para desarmar uma armadilha, abrimos a porta. Em resumo, a diablerista não estava lá, porém, tinha algo muito pior. Um cainita drenado e em torpor, em condições deploráveis, e que tinha sofrido um ritual de punição muito familiar a minha outra vida. Isso, é muito mais grave do q uma toreador q cometeu diablerie, pois me deixou com muitas perguntas: Quem fez aquilo?
Um infiltrado? O sabá da região está ativo? Mas, eles não haviam partido? Se o Sabá estiver de volta, não estarei seguro jamais... Já não bastava Benedita...
Eli Hurt e eu enrolamos aquela pobre criatura em um edredom e levamos ele para fora do quarto guardado, para me deparar com Catarina no limiar de sua Besta, atacando uma irmã de clã. Olha, essa menina precisa relaxar, ela está levando muito a sério essa coisa de caçada de sangue.
Discutimos brevemente o q fazer com o vampiro com as marcas de seus pecados, e o Tremere tinha um ritual que nos dizia tudo que precisávamos sobre aquilo. Confesso que fiquei em dúvidas se me livrava logo daquilo, ou se corria o risco e buscava mais informação, afinal, informação é poder, e é sempre bom ter uma carta na manga.
Prendemos o Vampiro mas precisávamos nos preparar. Eu raramente fico tão faminto a ponto de sucumbir a minha besta, mas no dia que se passou eu sequer consegui dormir e isso me consumiu de forma que eu me encontrei cometendo assassinato para saciar a minha sede, e sinceramente, as vezes me pergunto porque Deus permite que criaturas como nós caminhemos sobre a terra com toda a nossa capacidade de iniquidade. Me arrependo e rezo pela pobre alma que ceifei.
Após mais um dia sem dormir, o dito ritual foi feito. Eli Urt muito entregue a sua liturgia herege, mas eficaz. Descobrimos algumas coisas sobre o Vampiro, mas nada muito importante ou que ajude muito na investigação. Porém, o que aconteceu foi curioso! Foi encontrado uma adaga dentro do Vampiro, que por sua vez, entrou em combustão espontânea assim que a adaga foi retirada. Isso sim, também merece alguma atenção.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert - Malkaviano - Senescal;
Isabel Vilasques Lacerda - Toreador - diablerista;
Dr. Isaac Campos - Toreador - assassinado;
Valentina Ferreira - Toreador;
Bonga - Caitiff;
Sistema:

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