Por todas as noites áridas - sessão 4
A noite mal havia começado e o vento seco, erosivo e frio batia forte nos rostos desprotegidos das pessoas que se aventuravam naquela paisagem urbana ordeira e paradoxalmente caótica de Brasília. Hiram Borba havia despertado para essa noite, deixando a segurança de seu refúgio e emergindo para tramar e prender novas moscas em sua teia de influências e meias verdades. Haveria um encontro com a doutora Alice Moreira, a professora de história medieval da UnB, que queria falar com ele. Sempre um bom vinho, sempre uma música calma e roupas roupas acompanham os encontros entre Hiram e Alice, e apesar de naquela noite haver todo o ritual de sedução, havia também um ar de preocupação no semblante de Alice. Ela avisou que Hiram não deveria falar ou pesquisar mais sobre aquela página de livro, ele não deveria mais querer saber onde está o ídolo. Hiram ouviu com atenção. Alice ainda adicionou a informação de que pessoas acreditam na sobrenaturalidade do ídolo, e que ele contém um demônio antigo, um dos 72 demônios de Salomão, O conte Andromálius, ou Andromalus, em tempos modernos. Hiram passa então o resto da noite com a doutora, e permanece lá, dormindo durante o dia.
No IAPI as coisas estavam vermelhas de sangue e vísceras. Estevão havia deixado o caminhão com as crianças que seriam vendidas pelo, agora morto, policial Bernardo Kamil ao deputado Dorneles. Estevão estava apreensivo, pois havia deixado o trabalho sujo todo para Rodrigo Dantas. O que ele encontraria quando chegasse lá? Apenas retalhos do que um dia foram humanos ou ainda haveria alguém com quem conversar e conseguir informações? Aquirir uma nova pista seria importante para seu trabalho como caçador de cultistas. Os membros da CBC sabiam que onde havia um, haveria outros. Ao chegar à chácara, Estevão escuta os sons apavorantes advindos do filho da lua cheia. Os olhos vermelhos e ameaçadores ocultavam-se entre as folhas e os dentes brancos, enormes, prontos para destroçar carne e ossos, brilhavam com a luz lunar. Estevão exitou por um instante. De arma em mãos então avançou em direção ao único corpo que parecia ligeiramente inteiro naquele cenário. Era o deputado federal Daniel Dorneles. Suas pernas foram amputadas pelas mordidas do monstro Rodrigo, mas a vida ainda não havia partido de seu corpo. Estevão suspirou aliviado, pois haveria com quem conseguir informações. O interrogatório foi rápido e direto. Estevão inquiria quem eram os líderes da seita em Brasília, qual a razão de eles quererem as crianças e quantos eles eram. Dorneles prometeu contar tudo, desde que não fosse morto. Com o pacto firmado, Dorneles lhes contou que A líder da seita era Aline Almeida, mas ele não sabia quantos eram, pois um grupo desses não tem informações centralizadas, e as crianças seriam ofertadas como sacrifício para a vinda do demônio, conde Andromálius. Após terminar o interrogatório, o lobo dá fim à vida de Dorneles, com uma enorme mordida no pescoço. Agora tinham um nome e conheciam uma pessoa, ou melhor, um vampiro, que tinha muitos contatos na cidade.
Finriel havia entrado na espiral de sofrimento e tristeza, na casa da QI 09, no Guará 1. Um vento fantasmagórico fazia com que pedaços de objetos soltos, asfalto, telhas, pequenas pedras, moedas, voassem em círculos. Finriel Mabus protege seus olhos com o braço e tenta convocar o espírito da casa, Rushin. O espectro ameaça o ser feérico, que tenta de várias formas tanto se proteger quanto conseguir apaziguar Rushin. O espectro muda sua feição, de um ser translúcido e quase humano para uma entidade distorcida e cadavérica, aproximando-se rápida e violentamente de Mabus, que mantém a aparência de calma. As ameaças do espectro tornam-se cada vez mais brutais, cada vez mais intensas, o fantasma havia sido morto por Marlene, seu ódio pela vampira era palpável, seus grilhões eram pesados e sua fúria severa. Entretanto as habilidades de Finriel tornam Rushin capaz de aceitar uma conversa com Marlene Vaak, que até aquele momento apenas observava, sem entrar no círculo proibido. Rushin então vai até Marlene, longe dos ouvidos de Mabus. Os dois seres da noite conversam por vários minutos, com o feérico aguardando. Marlene pede o perdão de Rushin. Rushin retorna para dentro da casa e pede para Finriel partir. Marlene estava sentada no chão, ela se levanta, limpa a roupa com as mãos e agradece ao belo e exótico homem à sua frente, por te-la ajudado. Agora havia um caminho menos perigoso para Finriel ir ao sanctum de Vitor Vargas, mas ainda precisava saber mais sobre seu alvo.
No Pub Noturnos quase todos são bem vindos. Os jovens belos e dispostos a gastar que frequentam o lugar se alimentam de suas próprias juventudes e novas descobertas para aproveitarem a vida. Hiram estava em seu escritório, quando uma de suas assistentes lhe avisa que uma dupla gostaria de conversar. Hiram se depara com Estevão Matarazzo e Rodrigo Dantas. Os três se sentam para tratarem de negócios quando, Finriel e Marlene Vaak também se aproximam da mesa. O olhar de descontentamento de Hiram em direção à sua "irmã" é quase indisfarçável. E como se as coisas não estavam complicadas o suficiente, os irmãos Petrakis surgiram para saberem o andamento das investigações sobre o ídolo. Hiram estava em uma situação complicada. Três assuntos importantes, com várias nuances que se ligavam. Dizer ao caçador que os Petrakis trabalhavam para o mesmo demônio que ele queria destruir, não seria bom, nem para os negócios, nem para sua própria saúde. A diplomacia precisava vencer ali. Ele precisava fazer com que cada dupla esperasse sua vez de se reunir. A sua teia era forte e ele esperava que fosse forte o suficiente para conter tanto poder...
PERSONAGENS JOGADORES
Estevão Matarazzo, caçador;
Rodrigo Dantas, lobo;
Hiram Borba, vampiro;
Finriel Mabus, fae.
PERSONAGENS NÃO JOGADORES
Daniel Dorneles, deputado federal;
Marlene Vaak, vampira, cria da senhora de Hiram;
Rushin Cláudio Kandake, espectro da qi 09 do guará 1;
Alice Moreira, dra em história medieval da UnB;
Aline Almeida, líder dos Discípulos do Segundo Sol, dissidentes dos Discípulos do Sol Negro.
Conde Andromálius, um dos 72 demônios de Salomão, segundo o Ars Goétia, d'A Chave Menor de Salomão.
Seria a Alice Moreira uma tia velha, fumante com as unhas malfeitas e curvadas para baixo?
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