Por Todas as Noites Áridas - Sessão 8
Rodrigo Dantas acordou em sua quitinete no Sudoeste. Apesar de estar a três meses sem pagar o aluguel, o proprietário ainda não pediu o imóvel de volta. Era quase meio dia, e as experiências dentro do Labirinto estavam fervilhando em sua cabeça. Ele sabia onde os três que invadiram e fizeram um grande ritual em seu território, estariam! Havia louça suja na pia, bagunça por todo o lugar. Quando foi a última vez que aquele lugar realmente viu uma arrumação? Provavelmente antes de Rodrigo entrar lá. Dantas tomou um demorado banho para tentar limpar corpo e mente. Ao sair do banho e olhar no espelho, seu sangue gelou. No espelho ele não via sua face mal barbeada, mas sim via as costas de uma mulher, que olhava para um espelho à frente. O banheiro da mulher era diferente do seu, mas coincidentemente, todos os movimentos que Rodrigo fazia, ela fazia também. O lobo então pegou uma toalha e jogou sobre o espelho. Lavou o rosto e retirou a toalha. Viu sua cara costumaz no vidro embaçado. Olhou de perto, analisou, farejou, mas nada de estranho remanesceu.
Mabus acordou no apartamento onde a anos vivia junto a Kobe, seu ex-escravo no reino de Arcádia. O lugar era muito bem arrumado, com a decoração combinando em um equilíbrio entre o moderno e lembranças de reinos esquecidos. Era muito depois de meio dia e a fome avassaladora tomou conta de Finriel. Sobre bancada da cozinha americana havia um envelope com um recado escrito com a letra paciente e bem desenhada de Kobe, havia comida feita e lasanha no forno. Finriel saiu para um passeio após o almoço, para também organizar as ideias quanto ao pedido de Rodrigo, pouco antes de se separarem e voltarem para casa “Peço a ajuda de vocês para me auxiliarem quando eu for cuidar dos três que fizeram o ritual”. Eram novos problemas para tratar. Enquanto caminhava no comércio, Finriel ficou atento a um gato que parecia atento demais a seus movimentos. O felino olhava a uma certa distância, mas aqueles olhos matreiros não davam dúvida, realmente o vigiavam. Então resolveu se aproximar do gato. “Petit?” - ele perguntou, sem obter respostas e deu mais um passo em direção do animal. Foi nesse momento que ouviu um grito de um transeunte - “CUIDADO!”. Mabus olhou para cima e viu que a marquise estava caindo. Tentou tecer algum glamour para se salvar, mas já era tarde demais. Foi soterrado pelos destroços.
Hiram acordou de seu sono sem sonhos naquela noite. Levantou-se como se mal tivesse ido se deitar para fugir dos raios perigosos do sol. Não perdeu muito tempo e de imediato foi conversar com Alice, a qual inqueriu imediatamente se era uma prisioneira naquele lugar. O sorriso doce na face de Hiram tiraram qualquer pensamento sobre esse assunto, ela não era uma prisioneira, era uma convidada e estava ali para que nada de mal lhe acontecesse. Hiram Marques acompanhou Alice em um jantar, simulou comer, para não deixar a moça constrangida e conversaram tanto amenidades quanto sobre a vingança aos que invadiram o apartamento da doutora em história. Foi quando na TV, no jornal local, eles viram que uma marquise caiu em um comércio do Plano Piloto. A TV informava que um jovem sem identificação foi atingido e levado ao hospital de Base. O rosto de Hiram mudou em um certo contragosto quando na tela ele via Mabus no hospital. Algo estava muito errado.
Hiram se encontrou com Rodrigo, e ambos foram de pronto para o hospital. Apesar de toda a urgência do fato, o vampiro não queria usar de seus poderes noturnos e isso gerou uma situação que quase levou a paciência de Hiram a um teste. A atendente grosseira simplesmente os impediu de entrar. Saíram daquela sala de atendimento, foram para longe da mulher, pois se permanecessem mais tempo ali, eles não queriam ser responsabilizados por quaisquer estragos que ocorresse àquele ser humano mesquinho e infeliz.
Neste instante Hiram vê uma enfermeira saindo de uma porta. A mesma acende um cigarro e o traga com prazer.
Os dois seres da noite chegam nela, conversam, Hiram conversa, Rodrigo apenas observava a pouca distância, também com um cigarro na boca. Na conversa Hiram pergunta se ela sabe sobre o homem sem identidade que foi atingido por uma marquise que caiu. Ela diz que sim, que ele está no politraumatizados e que é estranho que um indigente, apesar de muito bonito, esteja com dois policiais militares na porta, como se ele fosse perigoso ou pudesse fugir.
Hiram impõe sua vontade e seus desejos sobre a enfermeira, uma mulher de meia idade, fazendo com que ela acredite que ele a deseja de forma lasciva. Ela os levou pra dentro do hospital. Rodrigo foi primeiro, Hiram se alimenta da mulher, mas o sangue dela não nutriu seu corpo. Aquilo era estranho. Não era a primeira vez que isso acontecia. Alimentar-se tem se tornado complicado e não corriqueiro. Seria algo que apenas os vampiros estão sofrendo? Seria algo com relação à vinda de Andromalius? Eram questões que ainda precisariam serem respondidas.
Rodrigo e Hiram subiram até a área de politraumatizados. Lá viram pessoas em camas, acompanhantes de enfermos, enfermeiros, médicos e auxiliares. Ouviram os barulhos tristes e sofridos que o hospital tinha.
Foi quando de pronto notaram dois policiais fazendo a guarda da porta onde Mabus estaria. Rodrigo Dantas viu a imagem sobrenatural da mesma mulher que vira no espelho, entrando aquele quarto. Hiram usou seus poderes para afastar os policiais da porta, permitindo assim que Rodrigo entrasse no quarto. Quando o lobo se esgueirou para dentro do quarto, ele viu duas pessoas vestidas com mantos negros e marcações em vermelho, prata e dourado, que mostravam padrões ou letras estranhas. Cada uma das pessoas estava de um lado da cama onde Mabus encontrava-se em uma espécie de coma, com o corpo amarrado os braços engessados e a cabeça fixa em um travesseiro. Eles faziam um ritual com uma estatueta quebrada da Vênus de Willendorf sobre o corpo de Finriel. Debaixo da cama saiam tentáculos que quase ultrapassam a altura da cama. Havia um pentagrama feito com o sangue do feérico desenhado no chão e runas escarlates nas paredes.
Rodrigo não é um homem de perder tempo: espancou a figura mais próxima da porta e, apoiando a mão sobre o corpo de Finriel, pulou sobre a cama para pegar o outro, contudo os tentáculos o agarram no meio do salto. Com a dor, Mabus despertou de seu transe e teceu uma ilusão onde um grande dragão atacava dentro do quarto. A figura sombria se assustou com todo o acontecido, com o dragão, com o ataque, então terminou rapidamente o encantamento, pegou a estatueta quebrada e saiu correndo pela porta, assustado com as atitudes e a presença feral de Dantas. O cultista abriu a porta fazendo estardalhaço, o que chamou a atenção dos policiais que olharam a pessoa correndo. Um deles pegou um cassetete e o outro uma arma de fogo e foram em direção ao quarto. Hiram usou suas habilidades vampíricas para impedi-los. O guarda com o cassetete reage e o acertou nas pernas, produzindo um barulho alto de ossos estalando. Hiram pulou no pescoço do homem e sugou seu sangue, consertando sua perna e atemorizando o outro policial, que corre para as escadas, em fuga.
Hiram foi então em direção ao quarto, onde viu tentáculos segurarem Rodrigo. Os tentáculos começaram a secar, fazendo rodrigo cair sobre o moribundo Finriel. Havia muito barulho no andar do hospital. Pessoas comuns gritavam em desespero, havia bagunça, gente correndo pelos corredores, um caos. Finriel avaliou a situação e se concentrou. Suas forças estavam esgotadas, mas conseguiu utilizar a energia da moeda dada por ícaro. Então a cama onde estava deitado os engoliu, Finriel, Dantas e Borba. Eles desapareceram dessa realidade. Sobre a cama do hospital ficou apenas as amarras que usaram em Finriel e uma moeda queimada, agora sem a face do sol nem a efígie de Ícaro.
Personagens dos Jogadores
Hiram Borba Marques: vampiro;
Finriel Mabus: fae;
Estevão Matarazzo: caçador;
Rodrigo Dantas: lobo.
Personagens não jogadores
Dois cultistas;
Dois policiais;
Gato;
Alice Moreira, dra em História da UnB.
Sombras Urbanas
Por todas as noites áridas

😰😨
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