Vícios Sombrios em Almas Perdidas - Sessão 0
Sistema: Sombras Urbanas - PbtA.
Serão cinco jogadores e os arquétipos que eles escolheram foram:
- Dr. Victor Zimerman, maculado. Vendeu sua alma a Malphas, um demônio, para sair da miséria.
- César, um féerico metamorfo que trafica drogas de outro mundo para a cidade.
- Gael, o espírito de um rapaz preso na guerra entre os traficantes.
- José Carlos “Zeca”, uma outra vítima da guerra do tráfico. Após sua morte, retornou ao mundo para buscar vingança, é um Ressurgido.
- Gregório Prates, um mago que encontra desaparecidos para aqueles que conseguem pagá-lo, mas nunca conseguiu achar o próprio pai.
Zimerman havia terminado seu plantão no Hospital de Base. Mais de vinte horas de pronto socorro deixavam o corpo e a mente de qualquer um em pedaços. Não havia outra alternativa, ele precisava de ao menos uma dose do “remédio” de César antes que pudesse dormir. Eram poucas as formas de fazer as vozes de sua cabeça se calarem e as drogas vendidas por aquele traficante era uma das formas mais eficientes. Chegou ao Sudoeste Econômico, estacionou e não perdeu tempo, indo logo comprar o produto. Retornou ao carro e ali mesmo, no estacionamento inalou profundamente cada grama do alucinógeno. O mundo ao seu redor mudou imediatamente, tornando o escuro e sombrio em cores vibrantes e uma música indistinta que vibrava ao ritmo de um coração descompassado. A voz de Malphas era silenciada em momentos como aquele e uma perdida sensação de paz lhe possuía.
Gael foi uma das inúmeras vítimas na guerra do tráfico, sua alma jamais descansou. Ele buscava uma espécie de redenção e talvez justiça, algo que permitisse a ele partir para lugares melhores do que aqueles que um dia quase caiu. Não muito tempo atrás, quando ainda se acostumava com a ideia de que não estava mais vivo, mas mesmo assim ainda sofria e pensava e tentava inutilmente respirar, ele foi perseguido por uma criatura demoníaca, não havia outra forma de descrever o monstro. Apesar de não ter coração ou pulmões, Gael correu e buscava forças para fugir. Foi quando um outro ser o encurralou, era um ser de aparência humana, mas com uma silhueta invisível com uma forma amedrontadora. Era seu fim definitivo, pensou Gael, agora vou para o inferno e sofrerei por mil vidas! Mas o segundo ser não levou sua alma. Ele enfrentou a primeira criatura e salvou a alma perdida. Isso havia sido num passado próximo. Foi então que Gael viu o homem que o havia salvado meses atrás, sentado em um carro de luxo, inalando a droga que até pouco tempo ele mesmo vendia. Pairando, quase sem tocar o solo, próximo do carro, Gael vê que dois sorrateiros ladrões se aproximam para roubar seu salvador. Ele então atravessa a massa do veículo, se posiciona no banco bem atrás do motorista que murmura palavras inconstantes e sussurra, enquanto se manifesta para ser percebido pelo mundo “dois homens se aproximam, vindo de trás, com armas em punho. Vão te assaltar ou apenas te matar”. A voz etérea vinda do mundo dos mortos despertou Victor Zimerman, que olhou pelo espelho retrovisor e confirmou a informação. Zimerman ligou o carro e se afastou rapidamente do estacionamento. Gael sabia que uma parte de sua dívida havia sido paga.
Em outra parte da cidade, em outro momento. Maria Elisa era a mãe de um rapaz que havia desaparecido a pouco mais de quatro meses. O rapaz não tinha exatamente o biotipo que faz a polícia se levantar e procurar incessantemente por seu paradeiro, mas a mãe jamais desiste. Ela vendeu alguns eletrodomésticos que tinha e juntou dinheiro para poder falar com um homem que, segundo lhe disseram, encontraria qualquer um ou qualquer coisa, pelo preço certo. E ela ligou. Gregório Prates estava em casa, lendo sobre como eram os deuses astronautas quando um recado foi deixado na caixa postal do celular. Os dois se encontraram em uma praça na comercial da 115 norte. A conversa foi direta e objetiva. Maria havia levado as coisas que Gregório solicitou: uma foto do desaparecido, um controle de videogame (um objeto querido), a certidão de nascimento, e o dinheiro. Gregório conhecia aquele tipo de desespero, o mesmo desespero que viu em outras mães, irmãs, filhos, madames, que ajudou em não mais que 5 anos. A mulher deixa a caixa com os objetos e parte, pois precisa trabalhar. Gregório não sai do lugar, apenas analisa os objetos. A energia residual no controle auxiliaria bastante, mas a foto do rapaz, com um sorriso enorme estampado no rosto o intrigava. Havia algo ali quer não era totalmente natural. Algumas pessoas diziam que fotografias roubavam almas, mas certos magos sabem que vez ou outra elas podem revelar segredos...

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