Borracha Humana - Godsend Agenda RPG
Era a sétima escola que ele pintava depois que começou a prestar os serviços comunitários. Nas últimas 52 semanas ele havia aparado árvores, recolhido lixo, arrumado antenas, trocado telhados e pintado quase todos os tetos dos prédios da secretaria de educação (ao menos em sua cabeça ele pensava que haviam sido quase todos).
É claro que poder se esticar e multiplicar seus braços facilitava muito o trabalho e sempre o colocavam para fazer algo que atingir pontos altos era importante.
“Isso é a ressocialização, meu jovem. Quanto mais você produz para a sociedade, mais integrado a ela você fica.” - sempre dizia o senhor Veiga, seu conselheiro.
“Claro. Vou me reintegrar à sociedade, senhor.” - Juliano não acreditava que ele conseguiria se reintegrar. Ele seria para sempre um ex-detento, mas fazer os serviços comunitários durante os finais de semana e ir para a penitenciária apenas para dormir era melhor do que o regime fechado. E aquela era sua última escola, seu último teto, seu último dia de prisão.
Ninguém se meteu com ele na cadeia porque seus superpoderes mantinham os outros à distância.
“Ele não precisa ir para cela especial, ele é fraco.” - sempre o subestimaram, mas ele não foi fraco enquanto preso. Ninguém lhe fez nenhum mal.
Não houve adeus quando saiu. Apenas saiu. Pelo menos estava limpo e melhor alimentado que a maior parte dos que ficaram na prisão. Mais uma das vantagens de se prestar o serviço do lado de fora, a comida era melhor.
Como era de se esperar não havia uma festa para ele quando atravessou os portões, mas pelo menos Quincha estava lá para lhe levar para casa.
Estava a um ano e seis meses longe. Seis meses em fechado e o ano em um regime especial. Réu primário, bom comportamento, poderes especiais.
Exitou antes de se sentar no bar e tomar a primeira cerveja depois desse longo período. Bebeu. Foi libertador. Aquilo era liberdade. Agora era arranjar um trabalho remunerado, pois os caraminguados que conseguiu enquanto detento não davam para muita coisa.
Conseguiu fazer alguns bicos de pintor (sim, novamente, ele era bom, mas dessa vez usava uma escada, não queria que soubessem de seu passado), jardineiro e tosador de cães. Ele tinha boas habilidades com as mãos.
Depois de poucas semanas conseguiu dinheiro suficiente. Foi ao seu contato e mostrou o desenho do uniforme.
“A roupa precisa mudar comigo, igual à última, mas agora eu quero algumas modificações, aqui está o dinheiro”.
Enquanto aguardava o contato conseguir o uniforme, o que poderia demorar alguns dias, ele olhava as reportagens sobre os Jovens Vigilantes, parecia que Fumaça, Boombox e Firewall ainda atuavam na cidade. Primeiro daria um jeito neles, depois iria para São Paulo, a Delta City, cuidar de seu maior inimigo, o Fugaz.
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Godsend Agenda RPG
Delta City, a cidade dos heróis.

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