Guardião Ancestral - Godsend Agenda RPG
A noite era densa e com ventos fortes que faziam o manto do Guardião Ancestral tremular como uma grande bandeira defraudada. A figura sombria e encapuzada encontrava-se no alto de uma torre de um grande prédio, desafiando a gravidade e o bom senso. As luzes da cidade atrapalhavam-no de observar as estrelas, entretanto as principais ele conseguiu ver, e elas diziam, com um suave cintilar e seus posicionamentos, que um grande mal estava para surgir.
Depois do incidente do espelho e do enfrentamento das aranhas demoníacas, Guardião Ancestral foi visitar sua mãe, mesmo que envolto no manto de sombras. Tudo o que o padre Cláudio havia dito sobre ela estar melhor, mais calma e contente foi destruído com o assalto. Agora ela se encontrava novamente presa à cama, para impedir que se machucasse. Davi sofria todas as vezes que a via daquele jeito e sabia que Belgori, o demônio que estava aprisionado em seu manto, satisfazia-se com aquela dor.
O diário de sua mãe continha uma escrita criptografada com símbolos que ele desconhecia. Mesmo depois de tanto tempo estudando o oculto e as iterações místicas eles ainda lhe eram arcanos demais. Faltava-lhe a chave para quebrar aquele código e decifrar o enigma. Belgori murmurava em sua mente que talvez por não saber da chave, é que a pessoa que roubou o diário o havia deixado sob o altar. Davi concordava com o demônio.
Faltavam peças importantes para resolver aquele quebra-cabeças, mas de toda sua pesquisa até agora apenas um fato fora revelado, de que nesta noite, entre as marcações arcanas do muro leste, ele encontraria um guia. E para o Muro Entremundos ele foi. Havia uma passagem estreita que permitia a Davi, em sua forma de Guardião Ancestral, perceber o Muro que dividia essa dimensão da dimensão mais próxima, em direção ao mundo averso. Ele aguardou, observando. Aquelas sombras eram fantasmas de homens, mulheres e feras que um dia andaram sob este mundo, mas também havia conceitos mais abstratos de espíritos cósmicos: diabretes não-nascidos, seres celestiais, e mais um sem número de entidades que não se sabia o que eram. Davi jamais os viu de verdade pois ele era mortal, mas Belgori os via com seus olhos demoníacos, e o Guardião Ancestral os percebia dessa forma, tanto mortal quando como demônio. Pacientemente o Guardião aguardou até que, entre sombras tardias, ele viu uma que se destacava aos olhos de Belgori. A sombra elevou-se em direção ao mundo físico, sobrevoando a cidade, seguida não muito de perto por Guardião Ancestral, quando finalmente chegou a uma velha igreja afastada da cidade, um monumento decrépito no meio do nada.
Entre as paredes em ruínas a sombra se perdeu. Guardião Ancestral então pousou silenciosamente e ocultou-se envolto em sombras que se moveram para escondê-lo.
“Revele-se sombra! Revele-se e diga-me a mensagem do mundo além deste!” - Um homem disse. A voz ouvida era imponente, imperiosa, permeada por magias de invocação.
A sombra então se fez material no centro de um círculo com desenhos enigmáticos cercado de velas acesas feitas de sebo de carneiro novo. Certamente feitos para conjurar e para conter.
Com uma voz vinda de uma garganta imprópria para articular palavras, a sombra se dirigiu ao homem vestido de vermelho fazendo gelar o coração do homem estranho e de Davi, mas não do Guardião Ancestral.
“A força de Manon, Belfegor e Askaris estarão em breve neste mundo! Temei os três! Temei e abre o caminho para os meus mestres! A recompensa será de seu senhor, como foram acertados nos acordos anteriores! Agora me liberte forma inferior, ou a ira dos Nefandi recairá sob você, teu mestre e os seus seguidores. “
O homem de vermelho apagou as velas e a sombra se esvaiu junto com as chamas, como fumaça.
E apenas um instante após, quando o homem começou um novo encantamento, um surto de energia entrópica o acertou, vindo da escuridão próxima. Davi Damasceno vomitou o poder em direção ao acólito através de sua sinergia parasítica com Belgori, na forma fantástica de Guardião Ancestral!
O raio acertou um escudo místico ao redor do homem de vermelho, gerando faíscas de cores sobrenaturais que contaminaram o mundo. Quando a rajada findou, havia apenas o manto do homem no chão, semi existente entre o mundo mortal e o mundo entrópico.
Belgori gargalhou na mente de Davi.
“Ele não fugiu. Ele se desfez. Ainda pode ser que ele retorne...”
“O que eu quero saber agora é quem é o mestre deste homem.” - respondeu Davi.
No chão, entre os trapos aos quais a roupa vermelha se tornou, o Guardião Ancestral viu um cartão de visitas com as inscrições: “John Portier, detetive paranormal, mestre das artes místicas e revelador do oculto. Sala 1313, 13º andar; Edifício Praça da Bandeira”.
Mais uma peça do quebra-cabeças se apresentava!
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Delta City, a cidade dos heróis.

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