SEM SENTIDO - Godsend Agenda RPG
Ana dançava sozinha, sob uma música suave, como se flutuasse à meia luz daquele amplo salão no andar superior do teatro e escola de dança: Valsa. Por mais de uma hora ela treinava seu fouetté em busca da perfeição artística, a precisão dos acordes facilitava seus movimentos. Seu senso de equilíbrio era tão apurado que observadores que desconhecessem as técnicas, diriam preconceituosamente que ela era sobre-humana. Treino, era a palavra. Horas e horas de treino diário para fazer com que seu corpo deslizasse através do palco, às vezes com a suavidade de um sonho, às vezes com a violência do mar revolto, mas invariavelmente belo como apenas a dança é capaz de ser.
A transpiração vertia abundante e era arremessada longe pela força centrípeta de cada giro executado, como a imposição da música ouvida. As pontas de seus pés já não doíam mais, estavam anestesiados pelo cansaço. Ana dançava ao som da música que vinha da rua.
A música que circundava Sem Sentido era suave, precisa, impositiva. Ele era um exímio dançarino, como Ana, mas ele sim era sobre-humano. A música e a dança eram tão intensas e influenciavam tanto Sem Sentido que ele se transformava seguindo as ondas incontroláveis da sinfonia. O mundo se moldava à sua vontade como se a composição fosse maior do que a existência e a realidade se ajoelhasse perante sua vontade.
Os sete marginais, que tiveram o azar de bater na idosa senhora, que passeava com seu pequeno cachorro, quando estavam próximos do jovem discreto, não imaginaram que logo após a primeira pancada que deram na anciã começariam a ouvir uma música clássica compassada e firme. O barulho dos passos de dança eram ouvidos acima da música, também firmes e generosos. A idosa desnorteada não ousou se levantar, mesmo quando os golpes sobre seu corpo pararam. Os sete olhavam para cima e também para os lados buscando a fonte daqueles passos dança e daquela música velha. Foi aí que viram saindo das sombras, com uma espécie de luz de holofote sobre sua cabeça, com as notas musicais lhe acompanhando: Sem Sentido. A máscara em seu rosto era sempre a mesma, mas a indumentária mudava conforme a canção em execução. Naquela hora ele usava o collant de um bailarino, de musculatura exímia e pose perfeita. Em suas mãos havia um bastão de basebol com uma aura esverdeada, que ele conjurou através de sua vontade.
Os marginais riram na direção de Sem Sentido, devido à singularidade da figura que viram, apesar da estranheza dos sons e da dança exótica. Mas as risadas foram caladas rapidamente, pois ainda à distância Sem Sentido, com os movimentos de um bailarino, deu um golpe no ar, como se acertasse uma bola invisível, e de seu bastão uma onda de choque esmeralda foi de encontro aos bandidos. Dois deles caíram de imediato, totalmente desacordados.
Três outros exitaram por um momento, atônitos com o que acabaram de ver. E isso deu tempo suficiente para Sem Sentido correr em direção a eles e, com a mão direita, segurar a cabeça do menor de todos, esfregando-a contra a parede, sempre com movimentos cadenciados e bem executados. Mais um fora de combate. Uma pirueta, um passo de dança, um novo golpe, a música tomou um crescendo enquanto um a um os bandidos foram caindo.
Os dois mais fortes daquele grupo, os mesmos que derrubaram a senhora, sacaram facas e desferiram golpes contra o herói. Como um toureiro espanhol, Sem Sentido se esquivou daqueles homens, ou ao menos quase conseguiu, pois por trás veio um deles, com um porrete improvisado, numa descendente aguda.
Sem Sentido aparou o golpe com o braço, no qual o porrete se espatifou. Fragmentos feriram a testa do herói dançarino.
Sem Sentido então girou mais uma vez e, como última cartada da noite, mudou a música para “A Tempestade” de Rossini, e um forte vento arremessou todos os vilões para longe! Era o fim! Era a vitória!
A música iniciou seu ocaso. Assim como a participação do herói naquela cena. Sobrando apenas a senhora e o cão na rua.
O som cessou e com ele os poderes e o disfarce de Sem Sentido, ficando apenas o professor de dança e ator, José Pizante. O braço dele doía e ficaria roxo nos dias seguintes, assim como a cabeça que latejava com um leve sangramento na testa. Ele passou no banheiro e se limpou um pouco, colocou um curativo na testa e depois subiu as escadas em direção ao salão superior.
Quando ele entrou na sala, Ana deu seu último giro, deixando-se cair no chão, com leveza e graça, totalmente exausta. Ela olhou para o rosto de José, mas não perguntou o porquê ele precisava daquele curativo. Pelo menos não perguntou de imediato.
José então se apoiou no portal, deu um sorriso e questionou:
“Terminou o ensaio? Vamos beber alguma coisa ali na esquina?”
“Sim, terminei. A música me motivou muito. Estou cansada, mas acho que uma bebida e uma boa companhia me farão bem. Vou apenas tomar um banho.” - Ela sorriu.
Eles se deram as mãos e saíram do estúdio de dança. Ambos estavam com muita sede.
A transpiração vertia abundante e era arremessada longe pela força centrípeta de cada giro executado, como a imposição da música ouvida. As pontas de seus pés já não doíam mais, estavam anestesiados pelo cansaço. Ana dançava ao som da música que vinha da rua.
A música que circundava Sem Sentido era suave, precisa, impositiva. Ele era um exímio dançarino, como Ana, mas ele sim era sobre-humano. A música e a dança eram tão intensas e influenciavam tanto Sem Sentido que ele se transformava seguindo as ondas incontroláveis da sinfonia. O mundo se moldava à sua vontade como se a composição fosse maior do que a existência e a realidade se ajoelhasse perante sua vontade.
Os sete marginais, que tiveram o azar de bater na idosa senhora, que passeava com seu pequeno cachorro, quando estavam próximos do jovem discreto, não imaginaram que logo após a primeira pancada que deram na anciã começariam a ouvir uma música clássica compassada e firme. O barulho dos passos de dança eram ouvidos acima da música, também firmes e generosos. A idosa desnorteada não ousou se levantar, mesmo quando os golpes sobre seu corpo pararam. Os sete olhavam para cima e também para os lados buscando a fonte daqueles passos dança e daquela música velha. Foi aí que viram saindo das sombras, com uma espécie de luz de holofote sobre sua cabeça, com as notas musicais lhe acompanhando: Sem Sentido. A máscara em seu rosto era sempre a mesma, mas a indumentária mudava conforme a canção em execução. Naquela hora ele usava o collant de um bailarino, de musculatura exímia e pose perfeita. Em suas mãos havia um bastão de basebol com uma aura esverdeada, que ele conjurou através de sua vontade.
Os marginais riram na direção de Sem Sentido, devido à singularidade da figura que viram, apesar da estranheza dos sons e da dança exótica. Mas as risadas foram caladas rapidamente, pois ainda à distância Sem Sentido, com os movimentos de um bailarino, deu um golpe no ar, como se acertasse uma bola invisível, e de seu bastão uma onda de choque esmeralda foi de encontro aos bandidos. Dois deles caíram de imediato, totalmente desacordados.
Três outros exitaram por um momento, atônitos com o que acabaram de ver. E isso deu tempo suficiente para Sem Sentido correr em direção a eles e, com a mão direita, segurar a cabeça do menor de todos, esfregando-a contra a parede, sempre com movimentos cadenciados e bem executados. Mais um fora de combate. Uma pirueta, um passo de dança, um novo golpe, a música tomou um crescendo enquanto um a um os bandidos foram caindo.
Os dois mais fortes daquele grupo, os mesmos que derrubaram a senhora, sacaram facas e desferiram golpes contra o herói. Como um toureiro espanhol, Sem Sentido se esquivou daqueles homens, ou ao menos quase conseguiu, pois por trás veio um deles, com um porrete improvisado, numa descendente aguda.
Sem Sentido aparou o golpe com o braço, no qual o porrete se espatifou. Fragmentos feriram a testa do herói dançarino.
Sem Sentido então girou mais uma vez e, como última cartada da noite, mudou a música para “A Tempestade” de Rossini, e um forte vento arremessou todos os vilões para longe! Era o fim! Era a vitória!
A música iniciou seu ocaso. Assim como a participação do herói naquela cena. Sobrando apenas a senhora e o cão na rua.
O som cessou e com ele os poderes e o disfarce de Sem Sentido, ficando apenas o professor de dança e ator, José Pizante. O braço dele doía e ficaria roxo nos dias seguintes, assim como a cabeça que latejava com um leve sangramento na testa. Ele passou no banheiro e se limpou um pouco, colocou um curativo na testa e depois subiu as escadas em direção ao salão superior.
Quando ele entrou na sala, Ana deu seu último giro, deixando-se cair no chão, com leveza e graça, totalmente exausta. Ela olhou para o rosto de José, mas não perguntou o porquê ele precisava daquele curativo. Pelo menos não perguntou de imediato.
José então se apoiou no portal, deu um sorriso e questionou:
“Terminou o ensaio? Vamos beber alguma coisa ali na esquina?”
“Sim, terminei. A música me motivou muito. Estou cansada, mas acho que uma bebida e uma boa companhia me farão bem. Vou apenas tomar um banho.” - Ela sorriu.
Eles se deram as mãos e saíram do estúdio de dança. Ambos estavam com muita sede.
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Godsend Agenda RPG
Delta City, a cidade dos heróis.

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