Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 1 [Vampiro a máscara 5ª edição]
(05/02/2023 domingo)
A escuridão era quase plena, apenas quebrada pelas não tão distantes lanternas dos policiais que estavam próximos à saída da delegacia. Mesquita e Arnaldo estavam tensos com o negrume e os barulhos dos gritos dos detentos. Era como se eles sentissem que alguma coisa estranha estivesse no ar, como se seus medos de infância quase pudessem ser saboreados. Freitas, um dos policiais mais centrados, tentava amenizar a situação ao dizer que a empresa de energia era um lixo e que com sorte em menos de dois dias eles teriam luz novamente. Enquanto fazia comentários para acalmar seus companheiros de serviço, aproveitava e gritava em direção aos presos, sem munda convicção de que eles parariam de fazer balbúrdia. Talvez tivesse que descer lá e acalmá-los, a seu modo.
Mais próximos do que gostariam de estar dos policiais, Catarina e Vinícius Torrado buscavam uma saída alternativa, sem que houvesse necessidade de conflito direto. Àquela altura Mazira estava desmaiado, ou de fome, ou de dor por estar a tantos dias no mesmo lugar. Seja como for, os dois membros responsáveis por sua libertação ficaram mais calmos, pois sabiam muito bem o que a fome poderia fazer e como ela poderia atrapalhar naquele momento.
Vinícius Torrado encontrou uma solução não muito prática, mas eficiente. Sairiam pelo muro dos fundos, além dos arames farpados. Cataria e Torrado carregaram o vampiro desacordadoe o arremessaram acima do muro. Catarina já estava do outro lado quando Mazira passou o muro e segurou o corpo antes de tocar o chão e produzir barulhos desnecessários. A incrível velocidade da toreador tornava seus movimentos praticamente invisíveis a quem poderia observar. Era algo assustador. Torrando pulou logo em seguida.
Saíram pela rua, ocultos pelo manto da escuridão. Não muito longe o pastor Israel buscava informações com seus olhos amaldiçoados pela tenebrosidade lasombra. O breu era seu amigo e amante, seu martírio e seu pupilo. Ele os viu e quase podia dizer que percebeu algo além, mas não sabia dizer o que. Era como se um espectro perseguisse os membros da coterie. Contudo não podia afirmar, então ficaria em silêncio.
Levou o carro até os fugitivos, colocaram Mazira dentro do automóvel. Partiram para seu refúgio, pois o sol estava próximo de nascer.
Aprisionaram Mazira em uma caixa com cadeados e tomaram cuidado de deixar algumas bolsas de sangue juntas a ele. Na noite seguinte resolveriam a situação.
O sol nasceu, dominou o céu, se pôs e os mortos se levantaram mais uma vez.
A coterie Sentinela Escarlate estava toda ao redor do caixão onde deixaram Mazira. Abriram-no após informar seu ocupante de que tudo estava bem e ele estava seguro. Apesar da tensão e preocupação pertinentes, tudo correu bem.
As feridas, hematomas, cabelos desgrenhados e desarrumação foram desaparecendo pouco a pouco e deram forma a um sorriso amplo, como se nada jamais estivesse fora do lugar. O sangue fluía pelo corpo do vampiro e uma ilusão de normalidade se formava ao seu redor.
Mazira agradeceu por terem-no salvado das grades da prisão e fez promessas de lealdade. As promessas de lealdade de um ravnos. Apresentou-se como uma pessoa capaz de executar tarefas de entrega com maestria. Entregar sem questionar e com eficiência. Deu-lhes um contato para caso precisassem desse tipo de serviço, e instruções para poderem encontrá-lo no futuro.
A coterie questionou sobre as razões dele ter sido preso e ele afirmou que havia sido uma armação, um golpe, uma armadilha executada por alguém que não queria que ele terminasse uma tarefa. Foi categórico ao dizer que não sabia quem poderia ter sido seu algoz, mas a fome, o cansaço e a preocupação fizeram-no vacilar nas palavras, que mostravam categoricamente que ele estava mentindo, ao menos no ponto de não saber quem era o mandante de sua prisão. Mais uma vez agradeceu aos seus libertadores e partiu com o consentimento de todos.
Eli Urt buscou marcas ou manchas de sangue no esquife, ele esperava que aquilo fosse o suficiente para estudar aquele ser e levar algo interessante para seus irmãos tremere.
Cavalcante então foi resolver suas coisas junto aos mortais, Pastor Israel foi ter com os membros de sua igreja enquanto Catarina e Vinícius saíram para a mais maldita das atividades vampíricas, se alimentar do sangue humano.
Apesar de sua aparência grotesca, Vinícius evitava atacar pessoas, Ele tinha um fornecedor de bolsas de sangue que dificilmente o deixava na mão. Já Catarina agia como uma sucubus, caçando mortais em bares, boates, festas e inferninhos, prometendo-lhes sexo fácil e prazer, para então retirar seu sangue. Sua última vítima havia sido Bernardo Monteiro, um poeta que conheceu em um bar povoado de boêmios e perdidos. Os olhos e as palavras do poeta foram belos o suficiente para fazerem dele uma presa aceitável. Ao final do intercurso Catarina estava saciada e seus lábios repletos do ferroso líquido, já Bernardo estava exausto, satisfeito e entregue à própria sorte, quase morto. Apesar das vontades hipnóticas da vampira, o poeta não esqueceria jamais o belo rosto e o prazer doloroso daquela noite.
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Personagens
Jogadores:Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
NPCs:
Vilmar – carniçal
Freitas – policial civil do DF
Mesquita – policial civil do DF
Arnaldo – policial civil do DF
Mazira – Ravnos, motoboy da madruga
Bernardo Monteiro – poeta de bares
Cristiano Torres Sales - traficante de bolsas de sangue
Sistema:
Vampiro: a máscara 5ª edição
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