Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 3 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 3
(26/02/2023 domingo)
Por dias a coterie buscou informações sobre os eventos da noite que o sangue jorrou dos olhos de Catarina e tiveram pouco sucesso com seus próprios recursos. Mesmo com toda a preocupação não poderiam deixar de pertencer à sociedade, senão poderiam parecer fracos aos olhos dos outro membros.
Entretanto Pastor Israel não se deu por vencido, possuía cartas na manga. Durante anos frequentou grupos de teologia, espiritismo, filosofia e discussões com alguns intelectuais, mesmo que não possuíssem as mesmas crenças e campo de caça. Uma dessas pessoas era Tupá Guerra, uma perita em demonologia cujos anos foram extremamente inquietos em suas pesquisas e defesas acadêmicas.
Marcaram um encontro numa decadente loja de livros usados que costumava ser o centro de certos círculos de discussão.
O respeito era mútuo e não muito velado entre eles. Por horas conversaram e relembraram amigos e inimigos que não mais estavam presentes. Até que finalmente Pastor Israel tocou no assunto de um suposto demônio, sobre sangue fluir e sobre pentagramas. Exibiu uma foto polaroid à dra. Guerra. A demonologista avaliou o pentagrama e os detalhes da imagem, e pediu algumas semanas para estudar em alguns livros que nunca puderam ser digitalizados. Contudo adiantou a Israel que dificilmente poderia dizer que seriam "demônios" a executarem aquela tarefa, e que se pudesse apostar, diria que era uma falsificação muito boa da atuação fantasmas. Aquilo deixou Pastor inquieto. Ele acreditava em demônios, tanto que todas as quartas feiras, religiosamente, dois ou três possuídos pelo diabo eram exorcizados em sua igreja. Em sua visão, mortos não voltavam, ou ascendiam aos céus, aos braços do Criador ou desciam para queimarem eternamente por seus pecados.
Distante de demonologistas e discussões filosóficas sobre o intangível, Eli Urt havia ido de encontro a um caro e confortável restaurante à beira do Lago Paranoá. A duas noites ele havia recebido um convite formal, acompanhado de um belo presente, que consistia de algo que havia admirado a semanas, durante uma exposição venal de arte. Ao chegar ao restaurante viu sua anfitriã,Vicenta D'Augustin, sentada à mesa, em uma conversa animada com cinco outras pessoas, que bebiam, comiam e sorriam sem preocupações. Nas mesas ao redor, casais jantavam, amigos bebiam e parceiros de negócios trocavam informações secretas sobre projetos governamentais. Ao se aproximar da mesa de D'Augustin, Ventrue, astuta membro da corte do Príncipe Maximiliano, os acompanhantes de Vicenta cessaram a conversa e partiram. Ambos se cumprimentaram e o dr. Eli Urt sentou-se à mesa.
Vicenta D'Augustin buscou ser graciosa, elegante e educada com o Tremere. Ela havia ouvido bastante sobre as habilidades e conhecimentos de Urt e gostaria de contratá-lo para um trabalho muito específico, adquirir, por alguns meses, um tipo de sangue especial, que fosse carregado de paixão e ódio, o que Hipócrates chamaria de colérico. E não apenas um sangue com essas características, mas precisava, categoricamente, ser de estudantes do ensino médio, ou como ela mesma disse "estudantes do colegial". Dr. Eli Urt aceitou a proposta, as benesses e o dinheiro contido nela.
José Cavalcante terminou de organizar a partida do senador e começou a pensar sobre como lidar com o caso da garota. Para a mídia, o Senador Pedro Mendonça estava adoentado e teve que se retirar temporariamente da vida pública e deixar o cargo para seu suplente, Hérmio Almeida, mesmo às vésperas de votações importantes para seu partido. Contudo as indiscrições do Senador precisavam ser resolvidas. Cavalvante começou sua movimentação para ocultar os pecados de seu "aliado". Era o preço do sangue.
Não houve contato com Torrado Martins.
Catarina ficou incumbida da decoração do baile de máscaras que Iran organizava. O trabalho era incessante, detalhista e repleto de preocupações, pois era sua primeira organização formal perante os outros membros da Camarilla. Matar, explorar, extorquir, eram menos angustiantes do que preparar a decoração para o Príncipe da cidade e sua corte.
Suas noites eram curtas demais para o tamanho do evento, as horas corriam de uma forma que pareciam sobrenaturalmente aceleradas, quando um dos caminhões dos decoradores dava problema, quase não havia tempo para puni-los. Se uma peça estivesse fora do lugar a humilhação e violência física e verbal contra o mortal poderia atrasar ainda mais o trabalho. Cada erro precisava ser resolvido e sanado com seus olhos atentos, contudo certamente ela teria suas pequenas vinganças, contra os lacaios, em breve.
E então o baile de máscaras começou.
A coterie chegou junta ao evento, como era de esperar. Catarina fez questão de alugar carros luxuosos e contratou motoristas com nomes idôneos e bocas silenciosas, uma precaução importante nas noites atuais. Já havia convivas no grande salão, mas quando entraram, ao som de uma música sombria e dançante, a iluminação, sons e poses fizeram com que parecessem andar em câmera lenta.
O lugar já possuía um bom número de membros, e os contatos de Catarina permitiram-na saber qual era a hora mais elegante e impactante para entrarem. Viram logo grupos bem distintos, como os Ventrue com faces sisudas em conversas com políticos e empresários convidados, velhos conhecidos aliados da Camarilla, nomes cuja fidelidade foi posta a prova em anos anteriores e ainda permaneciam vivos e presentes. Viram um grupo Tremere, outros Malkavianos, um coterie de pequenos artistas e uns membros menos importantes da seita. Garçons serviam a todos que conseguiam consumir, e mesmo os mortos fingiam beber e comer. Os lacaios sequer ousavam levantar as cabeças enquanto executavam suas obrigações. Era medo, respeito e condicionamento que mostrava que, mesmo deteriorado, o poder da Camarilla ainda era presente e constante. Por todos os lados seguranças eram vistos, para proteger seus senhores e mestres.
Assim que os viu, Iran pôs-se em movimento e foi receber coterie. Cumprimenta todos com atenção e formalidades dignas, começou por sua querida Catarina, que se possuísse um coração funcional, teria ruborizado de contentamento, passou pelo jovem Ventrue, com suas roupas destoantes dos demais, novas demais, mundanas demais, mas certamente elegante. Então apertou a mão e sorriu para o aparentemente velho Tremere com seu jeito de cientista. Ele questionou Catarina sobre o paradeiro de Martins, mas ninguém soube responder por onde ele andava, ou porque não compareceu a tão importante e suntuoso evento, contudo isso não era de todo estranho, pois ele era um Nosferatu e esse clã tinha certa fobia a eventos sociais. Por fim deparou-se com Pastor Israel, para quem desfiou uma série de elogios.
Ao falar com o Lasombra, Iran já sabia que tanto Santa Tereza do Sangue quanto Paulo "o Pastor" Cravos, se aproximavam. Ele então faz uma enorme vênia e como uma boa harpia, anunciou solenemente o clã soturno, e lançou os olhares de todos aos sombrios, e ainda um tanto apócrifos, novos membros da Camarilla.
O Príncipe Maximiliano Jean Carlo logo tomou a frente de todos iniciou um discurso de poder, política, irmandade, tolerância e de união entre todos os membros da sagrada Camarilla. Ele falou que o Domínio de Brasília não estava fadado ao mesmo destino que os Domínios vizinhos. Disse que aceitou direito de ser Príncipe após a queda da venerada Beliza Gregory, falou de todos os infortúnios que aconteceram após as turbulentas noites das traições. Falou da falta de Henrique Médici, de Kigali Kramer, Afonso Beloto de Assis, Phelippe Mistral Ferrier faziam naqueles tempos de angústia, e se pronunciou forte sobre e da traição dos Brujah, e que nunca perdoariam os atos de Bruno Ribeiro e de Lâmina pelas atrocidades cometidas, nem sobre o desaparecimento de Abdias Torquato Valente. Por fim disse que mesmo com essa tribulação, novos aliados e novas forças agora permitiam que eles se reunissem novamente. Agradeceu à presença de todos os presentes e recebeu aplausos, reais e forçados. Ofertou belas palavras aos novos clãs aliados, Lasombra e Banu Haqin. Que agora estavam sob novos protocolos de segurança e que uma nova era de paz se iniciava. Maximiliano foi contundente em suas palavras e os membros souberam que eles não deixariam de ser os senhores da noite, nem se tornariam vassalos do pavor.
Após as palavras do Príncipe, as conversas, músicas e mexericos retornaram. Urt foi conversar com Jason Wyld sobre seu encontro com a Vicenta. Israel foi tratar assuntos com o seu clã. Cavalcante buscava espaço na Torre de Marfim. Catarina era agraciada e inebriada com os elogios pela decoração.
A noite era agradável e a festa carregava uma aura de eternidade. Os deuses do sangue sabiam que muita coisa ainda havia de acontecer.
Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Iran Borba - Toreador, Harpia;
Lodo – Nosferatu, Xerife e Primogênito;
Perseu - Nosferatu;
Alice Pink - Nosferatu;
Pedro Mendonça - senador da república;
Pedro "o Pastor" Cravos - Lasombra;
Santa Tereza do Sangue - Lasombra;
Jason Wild - Tremere, Primogênito;
Margot - Tremere, casa Carna;
Beliza Gregory - Tremere, antiga Príncipe de Brasília;
Willian Alves - Tremere;
Elisabeth Viana - carniçal de Iran;
Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert - Malkaviano, o Senescal de Brasília e Primogênito do clã;
Afonso Beloto de Assis - Toreador, antigo Primogênito;
Henrique de Oliveira Médici - Tremere, antigo Primogênito;
Kigaly Kramer - Gangrel, antigo Primogênito;
Phelippe Mistral Ferrier - Toreador - antigo Príncipe, antes de Beliza Gregory;
Bruno Ribeiro - Brujah, líder anarquista;
Lâmina (Blade) - Brujah, anarquista;
Vicenta D'Augustin - Ventrue;
Tupá Guerra - demonologista
Vampiro: a máscara 5ª edição

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