Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 4 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 4
(05/03/2023 domingo)
O baile Camarilla durou por horas, repleto de sorrisos fáceis, frases impactantes e cheias de ironia, rancores ocultos, maquinações indiscretas e um senso nostálgico que, muitos jamais admitiriam, remetia à sociabilidade maquiavélica que todos apreciavam em tempos passados, antes do medo vergonhoso da segunda inquisição. Havia a paranoia permanente por trás dos olhos maquiados e máscaras ricas, mas ela era escanteada, por ligeiros momentos, pela satisfação da não-vida e da exuberância imortal.
Os membros da casa Tremere conversavam sobre as possibilidades de escalarem vantagens com a necessidade da Ventrue Vicenta D'Augustin por sangue colérico.
Os Lasombra permaneciam em um canto. Vez ou outra recebiam cumprimentos de outros membros que demonstravam contentamento na presença deles e reiteravam que agora eram todos unidos a um só propósito, de proteção mútua, manteneção da máscara e a sociabilidade para as longas noites dos predadores solitários. Eram mentiras bem contadas, uma farsa orquestrada e concisa, mas era o cerne da existência daquela seita. Para os antigos membros do Sabá era estranho não haver o grito dos inocentes nem as orgias de sangue em uma reunião como aquela, mas, por menos que quisessem admitir, sentiam que na troca haviam recebido mais do que perdido.
Os Toreadores certamente eram os que mais apreciavam o baile. Dançavam, fofocavam, deslumbravam-se e empavonavam-se e eram categóricos ao concederem um status maior temporário à Catarina, a organizadora do evento.
No topo da Torre de Marfim, os Ventrue agiam segundo os ditames de seu sangue, eles faziam política. Cavalcante conseguiu uma audiência extraoficial com o Príncipe Maximiliano. Era um enorme feito, mesmo com os favores que acabaria devendo a Flora Caroline, que maquinou a conversa entre os dois. Teixeira Cavalcante era inexperiente nas noites cainitas e desconhecia alguns protocolos, mas sabia que se não aproveitasse a situação, as oportunidades de sentar-se frente à frente com o senhor daquele domínio, ficariam cada vez mais escassas. Falou sobre a importância de sua coterie, sobre os feitos junto a manutenção da máscara, sobre o ravnos que ele acreditava esconder informações. O Príncipe ouviu a tudo com seu melhor sorriso político, deu conselhos, exigiu respostas, mostrou autoridade e desenhou o caminho para os próximos passos de Cavalcante. Até que José Teixeira conseguiu ler nas entrelinhas que o Príncipe não sabia da existência de sua coterie e das atribuições instadas a ela. Que tudo o que o Regente notava é que um dos seus Lasombra era membro daquele grupo. Agora Cavalcante mostrou-se uma peça importante nas cordas que gerenciavam a cidade e foi incumbido de mais obrigações do que possíveis louros. Se não era para o Príncipe que a Vehme trabalhava, para quem seria?
A noite estava próxima de seu fim. A coterie "Sentinela Escarlate" foi refugiar-se em suas acomodações. Ao atravessarem as duas portas de segurança, sentiram o cheiro ferroso do sangue. Não tardou até vislumbrarem o corpo de Martins Torrado. Ele estava crucificado na parede da sala de reuniões, com estacas em seus punhos. Catarina e Urt puseram-se a removê-lo daquela situação e levaram-no para o laboratório de Eli. O Tremere amarrou bem o corpo do Nosferatu, avaliou os ferimentos, viu que haviam marcas de sangue e coágulos em formatos simbólicos, anotou-os. Viu que Torrado acordaria, precisava apenas de sangue. Catarina não mediu esforços em conseguir uma vítima para alimentar o rastejador. Certamente sentia nojo dele, mas ainda havia uma porção humana em seu corpo. Levou uma jovem desacordada para o refúgio, com a ajuda de Luis Pareto, um lacaio fiel e confiável. Alimentaram Martins, se desfizeram da vítima. Martins acordou em desespero por mais sangue, em surto de pavor e ódio, arrebentou as amarras e agarrou o pescoço de Eli Urt e com violência começou a beber o sangue do Tremere. Parou apenas quando foi alvejado por Cavalcante. Era como perfurar um boneco de pano, buracos eram abertos, mas não terminariam o horrendo ser.
Não tinham mais tempo para fazerem nada. Reforçaram as amarras sobre Torrado e todos foram dormir.
Na noite seguinte viram as gravações das câmaras de segurança. As imagens mostravam apenas o vazio da sala enquanto estavam no baile. Então o vídeo ficou pixelado e piscou escuro por um momento. Quando retornou, ainda cheio de ruídos, foi possível ver o Nosferatu deitado de costas sobre o solo, ele se movia de costas, puxado apenas por seus braços, que faziam movimentos estranhos. Sua cabeça tremeu em uma convulsão inexplicável. O pixelamento da imagem ficou mais forte, sumiu novamente, voltou com Torrado sendo arrastado parede acima por absolutamente nada. Seus braços se estenderam e os cravos grossos feitos de duas pernas de cadeira, perfuraram seus pulsos e o pregaram na parede. A imagem pixelou novamente, piscou, quando retornou, uma face hedionda estava sobre a câmera. O susto foi medonho. Um observador externo poderia acreditar que o coração dos mortos havia voltado a bater, tamanho foi o salto que deram. Após aquilo, puseram-se em movimento.
Foi o momento que o Pastor Israel chegou, ouviu o relato e não perdeu tempo, foi procurar por Tupá Guerra, a quem havia conferido uma tarefa.
Eli Urt estava intrigado com aquilo e resolveu vender um pedaço de sua alma em busca de conhecimento e algo que pudesse ajudar sua coterie.
Martins estava assustado, mas a fome era maior do que o medo. Não podia caçar e ser exposto, foi atrás do traficante de sangue. Ele sempre tinha o que Torrado precisava e isso deixava o Nosferatu inquieto: como é que ele sabia? Precisava, além do vitae para seu sustento, de saber como é que o vendedor conseguia a mercadoria.
Catarina buscou abster-se naquele momento. Vestiu sua face egoísta e saiu para se alimentar. Tinha consigo que, apesar de fazer parte de um grupo, não precisava ser uma siamesa, principalmente porque não tinha interesse em tantos eventos inexplicáveis. Tentou fingir que não era uma presa fácil e foi caçar.
José Teixeira Cavalcante também tinha outros pensamentos. Deixaria o estranho e o enigmático com o Pastor e com Eli, pois precisava resolver as coisas para o Senador. Era hora de buscar mais coisas sobre a menina que precisava "desmentir" os rumores sobre o envolvimento com o político.
Era o mesmo café, a mesma loja de livros usados, o mesmo cheiro aconchegante. Tupá Guerra aguardava o Pastor Israel e quando ele chegou, sorriu. Conversaram por um bom tempo até que a doutora em demonologia Tupá Guerra revelou os resultados de sua pesquisa. Segundo ela, o que tivesse feito o desenho do pentragrama não era humano e não caminhava entre demônios. Explicou sobre a escrita canhestra, a forma com que a imagem começou e terminou. Concluiu que se aquilo fosse feito por algo, seria um poltergeist. O Lasambra escutou, ponderou e agradeceu a Tupá.
Urt levou as anotações dos símbolos que estavam marcados no corpo de Torrado. Margot os analisou, fez sua feitiçaria. Com um punhal evocou o sangue, dela e de Urt, que fluiu em pirotecnia de encher os olhos dos não iniciados. Interpretou os desenhos com a ajuda de apetrechos externos: tarot, runas, posição dos astros no firmamento. Ao final do ritual, foi assertiva em suas palavras.
Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Flora Coraline - Ventrue;
Vicenta D'Augustin - Ventrue;
Pedro "o Pastor" Cravos - Lasombra;
Santa Tereza do Sangue - Lasombra;
Jason Wild - Tremere, Primogênito;
Margot - Tremere, casa Carna;
Tupá Guerra - demonologista;
Luis Pareto - carniçal;
Eloá Gonçalves - menina grávida.
Vampiro: a máscara 5ª edição

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