Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 6 [Vampiro a máscara 5ª edição]


 

Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 6

(26/03/2023 domingo) 

Por noites longas os membros da coterie "Sentinela Escarlate" mantiveram-se ocupados com seus afazeres noturnos, onde havia Catarina ainda extasiada de seu encontro íntimo e promissor social com o primogênito do clã Toreador, Pierre Toussaint Gaudez, e Eli Urt organizando as coisas de suas pesquisas, com pastor Israel orando pelas almas perdidas dos membros de sua igreja, e Cavalcante ainda fomentando planos para auxiliar o Senador em sua indiscrição cuminando em Torrado Martins mais cauteloso e preocupado que comumente.

Então um recado veio através das fontes confiáveis e ele dizia que Vilmar, o carniçal, iria até a Bloodlust para ter com a coterie, e aproveitar e tomar o seu tão relaxante Nirvana. Na noite acertada para a visita, os circunstanciais aliados estavam sentados à bela mesa de mármore, onde tanto já havia acontecido. Conversaram sobre a assombração, sobre o que deveriam fazer em seguida, sobre como andava o evento de Israel junto à sua igreja para conseguir o sangue específico que Urt precisava, e com quanto Cavalcante poderia ajudar financeiramente com essa coleta. Para Eli Urt cada noite que se distanciava do trabalho que aceitou de Vicenta D'Augustin, representava a possibilidade de sua contratante ficar áspera e procurar outro fornecedor. Não que houvesse outro tão eficiente quanto Eli, mas trabalhar para uma demanda Ventrue poderia lhe trazer louros, ou maldições, dependo de seu desempenho.

Vilmar chegou, cumprimentou a todos, com seu jeito educado e sereno, deliciou-se com seu Nirvana, e durante a conversa com os vampiros, ainda deixou a ideia que um dia gostaria de tornar-se um, onde foi imediatamente censurado por Catarina, que disse que se ele se tornasse um dos membros, jamais teria o prazer do Nirvana novamente. Parecia algo pequeno a ser perdido para se ganhar tanto em poder e vida eterna, mas foi algo que acabou sendo plantado na cabeça do carniçal. Valeria a existência sem o prazer do Nirvana? Entretanto o que escondiam dele é que o prazer do vitae superava qualquer outro prazer, e que o Nirvana era apenas um fragmento frágil e inconstante perto do sabor do sangue. E tão certo como se esconder do sol, era a fome eterna que caminhava com todos os vampiros, da hora que despertavam para a noite viva à hora que deitavam para desaparecer por mais um dia.

Sorriram, trocaram simpatias e por fim Vilmar entregou-lhes o envelope contendo as informações pertinentes à nova missão que deveriam cumprir em nome da Camarilla. Eram fotos, endereços e nomes, o básico. O nome e o endereço era da pessoa que havia tirado as fotos, algo que já era errado por si próprio. O que fariam com ele, ainda seria avaliado após postularem sobre o quanto daquilo era quebra da máscara. As fotos, como imaginado, eram piores do que poderiam supor. Eram imagens de uma criatura de pose ameaçadora, com ao menos 8 membros e pouco mais de 2 metros de altura. Um ser que não deveria existir. Em uma folha de papel pardo, em letras bem escritas com uma caligrafia com décadas de treino, se podia ler a palavra amaldiçoada "Sabá".

Inevitavelmente todos se viraram para pastor Israel. Os olhares mostravam todo tipo de sentimento, desde acusação infundada e velada até a busca por conhecimento, pois nenhum deles havia, de fato, enfrentado o Sabá e seus monstros. Tudo era apenas histórias e contos de fadas e demônios.

Israel avaliou as imagens, mas ao contrário do que seus novos amigos da acolhedora Camarilla pensavam, ele não sabia o que era aquela coisa. Nem todo membro, ou ex-membro, do Sabá sabia de tudo ou era colocado a par de planos e criaturas profanas da seita. Com o consentimento dos outros levou uma das imagens e foi conferenciar com outro membro de seu clã.

Chegou à Igreja do Senhor sob a Penumbra, onde Paulo "o Pastor" Cravos orava com maestria e com um pouco mais de plasticidade do que se esperaria de um membro do clã Lasombra. A voz de Paulo Cravos era afinada quando cantava os louvores e assustadora quando pregava os perigos do inimigo. Os fieis entregavam-se às orações com um fervor religioso intenso e seus corpos ardiam em paixão pelo todo poderoso Deus, que através do Pastor, os salvaria da danação eterna. Israel observou por algum tempo e logo que o final do culto se aproximou foi para o aposento onde Paulo sempre ia após sua pregação. 

Como esperado, Paulo Cravos abriu a porta, e sequer acendeu a luz. Ao seu lado vinha um jovem fiel pronto para ouvir as palavras do Senhor de forma mais pessoal. Nos olhos do jovem era possível vislumbrar que demonstravam fé, confiança e a falta de vontade que o controle mental do clã sombrio poderia fazer. Quando já estava para aproximar seus dentes do pescoço convidativo do jovem, Cravos sentiu uma presença extra no lugar e ligou a luz. Sentado em um canto estava Israel. Trocaram olhares por alguns momentos e logo após algumas palavras o rapaz foi dispensado e solicitado para ir para casa e que no próximo culto conversariam sobre os caminhos que Jesus preparara para ele, em particular, exclusivamente.

Havia um grau de desrespeito de ser atrapalhado no início de uma refeição, mas mesmo assim, com um pequeno ódio no coração, foi cordial com o membro de seu clã. Assim que o rapaz saiu e a porta foi trancada, Pastor Israel mostrou a foto do monstro de 8 membros para Cravos. Conversaram, trocaram certas acusações e no final das contas, sabiam que, se havia alguém que teria conhecimento sobre aquilo, seria Santa Tereza do Sangue. Ela sempre teve mais atividades na seita profana, bem além do próprio clã Lasombra.

Dirigiram-se para a Paróquia do Sagrado Coração de Maria, onde havia o convento de Nossa Senhora das Dores. Num claustro sóbrio e de odor ferroso, encontraram Santa Tereza do Sangue. Israel questionou Santa Tereza se ela sabia algo sobre aquela coisa.

Santa Tereza do Sangue analisou cuidadosamente a imagem, cada detalhe que pudesse lhe dissuadir do que parecia tão certo. O semblante de Santa Tereza mudou para um misto de horror e ojeriza. Antes de devolver a foto para Israel ela pronunciou o nome do diabo, "tzimisce". Cravos e Israel olharam para a freira, eles mesmos temiam que fosse algo relacionado aos antigos "aliados". Santa Tereza então continuou e disse que aquele demônio no papel fotográfico era criação de um diabo Priscus conhecido como Niko Petrakis. A região onde a foto havia sido tirada, os arredores, eram compatíveis com os trabalhos profanos de Petrakis. 

Os três Lasombra se questionaram se ainda havia sobrevivido algum dos membros do antigo clã do Dragão. Rezaram para que o tempo e o sol houvesse consumido a todos.

Catarina Oliveira, Eli Urt e José Teixeira Cavalcante foram conversar com o fotógrafo, o qual o nome estava contido no envelope entregue por Vilmar. Se dirigiram para o setor de chácaras de Sobradinho II. A rua era deserta àquela hora da noite, no lugar haviam apenas três postes de iluminação com insetos rondando as luzes de mercúrio, que emprestavam um tom amarelado ao mundo naquela noite. Aquela área já havia sido loteada a um bom tempo, e o que antes eram várias chácaras, agora eram lotes separados em parcelas menores, e mesmo assim ainda possuíam um bom tamanho. A pequena e aconchegante residência demonstrava um certo planejamento, assim como o bem cuidado jardim e a horta verdejante. Apesar de não haver animais de abate, os cães da propriedade demonstravam bastante autoridade enquanto latiam com força na direção dos três vampiros. 

Quando esses se aproximaram, os cachorros pararam de latir e apenas ficaram com os dentes à mostra, entre um grunhido e outro, mas o ensurdecedor ladrado não estava mais ali.

Bateram palmas para chamar os donos da casa e a porta se abriu. Uma mulher de meia idade quase veio atendê-los, mas foi impedida pelo homem, próximo de seus cinquenta anos, que foi ter com os visitantes noturnos.

Ele se chamava Edmar e havia sido o fotógrafo da coisa. Os membros da Sentinela Escarlate perguntaram se ele havia mostrado aquilo para mais alguém e a resposta não foi de agrado de nenhum deles, pois a foto foi enviada pra grupos de família, onde todos, segundo Edmar, zombaram dele, alegando fraudulência e engano. Ninguém parecia acreditar nele, apenas aqueles três estranhos, que ele sabia que viriam, mais cedo ou mais tarde, e certamente durante a escuridão.

Catarina foi à frente, e como de costume usou sua sensualidade para tornar a situação menos dramática e conseguir o que queria. O homem tentava disfarçar, mas seus olhos não abandonavam o busto da linda mulher pálida à sua frente.

Contou-lhes que desde criança sabia que a chácara 132 era assombrada. Crianças sumiam perto do córrego, a polícia as procurava e seus corpos eram encontrados sempre a alguma distância, mas sempre da mesma forma, afogamento, e alguma ferida no corpo, por onde o sangue esvaia. Uma ferida por um galho submerso de árvore, ou um membro quebrado de forma exposta, um enorme corte na cabeça quando acertou alguma pedra.

Acompanhou as estranhas pessoas pelo caminho de pouco menos que três quilômetros até chegarem a um ponto que disse que não avançaria mais. Indicou a trilha, revelou seus receios, seus medos e disse que nem se o sol estivesse no céu, avançaria, imagine se o faria à noite.

Os membros da coterie ficaram satisfeitos com as informações que lhes foram conferidas, acompanharam o homem até sua casa e então voltaram para seu próprio refúgio, onde, junto com os demais, traçariam um plano, tanto para verem o que era o monstro da foto, quanto para saberem até que ponto Edmar era um perigo à máscara.


Personagens
Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra] 

NPCs:
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Paulo "O Pastor" Cravos - Lasombra;
Santa Tereza do Sague - Lasombra;
Vilmar - o carniçal;
Edmar - testemunha ocular.

Sistema:
Vampiro: a máscara 5ª edição

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 26 [Vampiro a máscara 5ª edição]

Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 42 [Vampiro a máscara 5ª edição]

A ilha perdida de Syrneth - [Uma história do 7º Mar]