Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 15 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 15
(18/06/2023 domingo)
Ao cair da noite, a coterie Sentinela Escarlate se reuniu em sua elegante mesa, adornada com um arranjo floral provavelmente feito pelos funcionários da Bloodlust e colocado no lugar por Pareto. Naquela noite fria e levemente úmida, quatro dos membros da coterie estavam presentes. O semblante de Cavalcante talvez revelasse seus pensamentos, pois ele estranhamente sentia-se envergonhado por ter atirado no homem da fila, apesar de saber que o mortal merecia uma punição por sua audácia ao dirigir-se à Arconte. Enquanto isso, a mente de Pastor Israel buscava incessantemente uma maneira de resolver a situação com Benedita Venegas. Catarina estava altiva, mesmo diante das coisas que foram ditas sobre Iram. Eli Urt lia um livro sobre doenças sanguíneas obscuras que havia pegado com o doutor Hamada, na UnB.
Sentaram-se e trocaram algumas palavras agradáveis, dentro do possível. Não podiam perder muito tempo, pois precisavam percorrer 30 quilômetros até a atual residência de Flora Caroline, a Primogênita Ventrue, para escoltar Nyala Kintu, a Arconte, por mais uma noite, como lhes foi solicitado.
Olharam para a cadeira vazia de Torrado Martins e se perguntaram onde ele estaria, principalmente sabendo que algo o perturbava. Pelo menos, o que quer que fosse, não estava os atormentando, mas estaria Torrado bem ou algo lhe aconteceu? Isso seria algo para verificar em breve.
Não muito tempo depois, chegaram à mansão atual da senhora Flora Caroline. Como na noite anterior, o carro com os membros que não eram do clã Ventrue ficou do lado de fora, enquanto Cavalcante entrou e foi recebido por Flora, que deixou claro a responsabilidade que assumiam, abrindo então a porta do carro para a Arconte.
Colocaram-se em movimento.
Oficialmente, deveriam seguir para a Pedra Fundamental da Nova Capital, em Planaltina, mas assim que percorreram pouco mais de dois quilômetros, Nyala Kintu ordenou que se dirigissem a um novo endereço. Mostrou suas anotações a José Teixeira Cavalcante e afirmou que aquele destino deveria permanecer em segredo, conhecido apenas pela Sentinela Escarlate, e mais ninguém. Cavalcante assentiu obedientemente. Dirigiram-se à 315 Norte.
Foi uma jornada rápida, não durou mais que oito minutos.
Ao descerem dos carros, a Arconte reforçou sua ordem de manter em segredo aquela operação. Sua voz era suave, carregada de sotaque. Ela não buscava intimidar, apenas deixar bem claro suas opiniões e posição. Poucas palavras eram necessárias para mostrar que eles precisavam obedecer.
Em direção ao edifício, subiram os três degraus da escada e, já no pilotis, aproximaram-se do porteiro. Nyala Kintu não perdeu tempo com o mortal. Ela simplesmente ordenou que ele ligasse para o apartamento desejado e informasse que ela estava a caminho, com convidados. O homem de meia-idade obedeceu cegamente e, pouco depois, mal se lembrava de ter feito qualquer coisa.
Nyala e a Sentinela Escarlate seguiram para a entrada D e, no hall, Eli Urt sentiu um arrepio na nuca. Ele juraria que havia uma aura mística no ambiente. Viu símbolos de proteção e ameaça em pontos estratégicos e na porta do elevador. Ele permaneceu atento a qualquer coisa. Por ordem de Nyala, subiram pelas escadas.
Conforme subiam, a sensação se intensificava. No terceiro andar, pararam diante de uma porta repleta de símbolos demoníacos, palavras riscadas na madeira como se feitas por um prego ou a ponta de um punhal. Urt reconhecia alguns desses ideogramas e palavras diabólicas. Embora não acreditasse no demônio, alguns dos livros que leu após ser abraçado forneceram uma certa perspectiva sobre o assunto. Pastor Israel também reconhecia as palavras e as interpretava por meio dos versículos da "Bíblia Negra".
Então a porta se abriu. Não havia luz visível dentro do apartamento, apenas escuridão total. A visão amaldiçoada de Pastor, membro do clã das Sombras, não conseguia penetrar naquele negrume, mas era possível ver um pequeno homem de aparência frágil e doentia sob o batente da porta. Ele sorriu com dentes amarelados e irregulares, uma carranca que continha mais cinismo sincero do que falsa sinceridade.
O nome daquele ser era Lázaro. Ele questionou Nyala, de forma quase desrespeitosa, sobre a presença dos membros da Sentinela Escarlate e recebeu como resposta uma ordem para deixá-los entrar e sair em segurança.
Lázaro desfez o sorriso tosco e entregou-lhes vendas, instruindo-os a usá-las e acompanhá-lo, além de ignorarem os sons que ouvissem após atravessarem a porta. A senhora Kintu aconselhou-os a seguirem suas palavras. E assim fizeram.
Sem o sentido da visão, adentraram o apartamento de Lázaro. Assim que atravessaram o portal, tiveram a sensação de mergulhar em águas profundas. Quase perderam o equilíbrio, mas logo perceberam que ainda estavam pisando em solo firme e que a sensação havia passado tão rapidamente quanto surgiu.
Por trinta passos, vagaram às cegas enquanto ouviam gritos de dor, sons de mutilação, grunhidos de agonia, risadas satânicas e toda sorte de impropérios e ofensas vindas de vozes sem dono. Então pararam e puderam retirar as vendas.
Encontraram uma sala pintada de preto, com móveis avermelhados e repleta dos mais variados objetos que remetiam a uma religiosidade distorcida e dissonante. Na parede mais larga, havia a cabeça de um bode sobre uma prateleira cheia de velas em cores mortas. Nas estantes, viam-se livros em várias línguas e formatos, todos com o mesmo tema. Em um altar, abaixo da cabeça embalsamada do animal, havia um exemplar da "Bíblia Satânica".
Urt observava tudo com atenção. Israel avaliava cada detalhe. Os outros membros da coterie ficaram atônitos.
Houve uma breve discussão entre Lázaro e Nyala. O tom de voz do homenzinho era desrespeitoso em relação à Ventrue, mas para aqueles que sabiam interpretar, era possível notar um medo bem disfarçado. A senhora Kintu havia ido buscar um pagamento pela permanência de Lázaro em uma cidade da Camarilla. Ele pagou com uma caixa repleta de adereços oriundos das profundezas da mente distorcida daqueles que seguem o demônio. Ele não estava satisfeito em ter que efetuar aquele pagamento, e muito menos satisfeito por ter quatro membros da Camarilla que agora sabiam quem ele era.
Ao final da breve interação, Lázaro mandou que fossem embora de seu local. Nyala sabia que era hora de partir, no entanto, antes que se movessem, ela exigiu que não houvesse mais travessias por lugares inalcançáveis.
Lázaro proferiu blasfêmias em uma língua infernal e, nas sombras da porta dos fundos, uma figura quase inumana, com pernas animalescas, abriu a porta e a segurou para que saíssem.
Quando Eli Urt estava prestes a sair, Lázaro perguntou seu nome e disse que, se ele quisesse conhecer o verdadeiro poder, saberia como encontrá-lo.
Urt apenas deu um educado "boa noite", conforme ordenado pela Arconte.
Saíram e, em silêncio, dirigiram-se à Pedra Fundamental, em Planaltina.
Ao chegarem à Pedra Fundamental, a senhora Kintu os reuniu em frente ao obelisco e, como pagamento pelo silêncio da Sentinela Escarlate a respeito da visita e da pessoa que visitaram, ela lhes deu uma informação conhecida por poucos.
Lázaro uma vez havia sido humano e também já foi vampiro. Era membro do Ministério e auxiliou a Camarilla em um momento importante, o que lhe permitiu continuar vivendo, se aquilo podia ser considerado vida. No entanto, sua curiosidade sobre o deus negro era grande e ele acabou encontrando os filhos de Baal, uma seita de vampiros infernalistas, que naquela época fora expurgada pela Camarilla, o Sabá e a própria Segunda Inquisição.
Após a breve explicação, era hora de executarem as tarefas.
A Arconte ordenou aos quatro que cada um se colocasse próximo a um dos pequenos pilares ao redor da Pedra Fundamental. Assim que se posicionaram, ela deu a ordem para que puxassem os pilares para cima. Ao fazê-lo, uma pequena pedra se soltou na base do obelisco. A senhora Kintu ficou extremamente insatisfeita por não encontrar nada sob a pedra solta. Sua expressão se tornou amargurada e raivosa. Ela ordenou que retornassem a pedra ao seu lugar, que se encaixou com um clique.
Ao longe uivos foram ouvidos.
Em seguida, foram para os carros e se dirigiram a Sobradinho.
Já no carro, Nyala Kintu dirigiu a palavra a Cavalcante, questionando onde era o lugar em que a vehme enfrentou o monstro formado por vários seres, e ordenou que se dirigissem para lá.
Ao chegarem ao local, no início da trilha que os levaria até a casa de Niko Petrakis, no mesmo lugar onde, em noites passadas, haviam estacionado outro carro e descoberto que os lobisomens aparentemente não estavam em extinção, a Arconte assumiu sua postura Ventrue, adotou sua pose protocolar de Arconte e perguntou à coterie Sentinela Escarlate sobre o monstro que enfrentaram, o dono da criatura e como sobreviveram.
A Sentinela não economizou palavras e contou tudo em detalhes, apesar da clara preocupação por estarem próximos da aberração e dos lobisomens.
Após ouvir atentamente as palavras de cada membro da coterie, a Arconte Nyala Kintu oficializou o retorno da Sentinela Escarlate como vehme, em reconhecimento às suas ações em prol da Camarilla, acompanhando-a e mantendo a compostura durante suas obrigações e além.
Os rituais burocráticos foram concluídos e, antes do nascer do sol, eles voltaram para a mansão.
Após a Arconte se retirar, Flora Caroline reforçou o retorno da coterie às suas atribuições, deixando claro que seu status havia sido restabelecido pela Primigênie e apenas pela Primigênie.
Na noite seguinte, em uma reunião à bela mesa, com uma única vela aromática acesa sobre ela, após todos os acontecimentos, a vehme decidiu investigar a vampira Ingrid, do clã Gangrel, que, de acordo com Bruno Giovanni, estava quebrando a máscara em Taguatinga Sul, próximo à Universidade Católica.
Durante a reunião, o Pastor Israel abriu seu coração sombrio e contou sobre Benedita Venegas, como ela o tem atormentado, perseguindo-o e assassinando membros de sua igreja. Ele mencionou suas exigências e como Torrado Martins e Luiz Pareto o ajudaram a limpar o local.
Isso acendeu um alerta na mente de Catarina. Será que Torrado Martins havia desaparecido por causa dessa Benedita Venegas?
Sem mais delongas, exigiram a presença de Vilmar para que ele cumprisse seu papel de levar as notícias aos superiores.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Nyala Kintu - Ventrue - Arconte;
Flora Caroline - Ventrue - Primogênita;
Lázaro - Ministério - Infernalista;
Benedita Venegas - Lasombra;
Niko Petrakis - Tzimisce;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

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