Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 16 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 16
(25/06/2023 domingo)
Ao cair da noite, a coterie Sentinela Escarlate se reuniu. Sentaram-se à elegante mesa, adornada com oito pequenas velas aromáticas e um arranjo de flores discreto, algo que sempre trazia algum simbolismo humano para o grupo de vampiros. Flores e velas para os mortos.
As discussões iniciais sobre os afazeres daquela noite já estavam em andamento quando Luiz Pareto, o carniçal da coterie, apareceu esbaforido, com uma face cheia de preocupação, e falou apressadamente que Torrado estava em uma situação ruim.
Dividiram-se em dois carros e seguiram para a área que ficava entre Taguatinga e o Recanto das Emas. A região, quase conurbada, ainda resistia e possuía um alto índice de vegetação nativa, pelo menos naquele mundo de trevas e assombros. Ao chegarem, desceram dos carros e começaram a busca por Torrado Martins. Pastor Israel chamou as sombras para si e, com seus olhos que captavam nuances além do natural, viu um grupo de fantasmas ao seu lado. Quando os seres etéreos se sentiram examinados, fizeram um movimento sincronizado. Os cinco levantaram seus braços e apontaram na direção de um grande pé de pequi. A coterie e Pareto dirigiram-se à árvore. Antes mesmo de percorrerem 20 metros, Pareto direcionou a luz da lanterna para um corpo ao longo da trilha. Era Vitória, a pessoa que havia informado ao carniçal onde Torrado Martins estava. Pareto tremeu de medo e preocupação, pois já havia sido caçado por Martins antes, e agora era hora de caçá-lo, pelo menos para poder ajudar seu senhor. Ter um Nosferatu em uma região e não poder vê-lo era preocupante.
À medida que se aproximavam da árvore, viam mais nitidamente os corpos deixados por Martins, inclusive o cadáver em posição impossível sobre o galho. A luz das lanternas percorria cada canto, mas mesmo com a intenção de encontrar algo, foram surpreendidos quando Torrado surgiu de um buraco sob a árvore e sua face deformada transmitiu sua intenção de consumir não apenas o sangue, mas também a vida de Pareto.
O monstro correu em direção ao carniçal, que apontou a arma para Torrado, mas não teve coragem de puxar o gatilho. Jamais poderia fazer isso. Jamais poderia trair seus senhores. Entretanto, Pastor Israel não se conteve e conjurou sombras que desequilibraram Martins, fazendo-o cair, e logo em seguida o arrastaram de volta para o buraco.
Eli Urt expressou sua vontade e, com seu olhar dominador e sua voz de comando, ordenou ao membro perdido de sua coterie que se acalmasse. Seja o que estivesse no corpo de Torrado, abandonou-o naquele momento, e o Nosferatu mais uma vez era dono de si mesmo e ocultou-se da existência.
Os membros da Sentinela Escarlate cercaram Pareto para protegê-lo, até que, por fim, Martins apareceu atrás de Urt e se entregou, estendendo o braço e, com sua voz horrenda, disse que precisava de ajuda.
Urt e Cavalcante escoltaram Torrado até um dos carros, enquanto Pastor Israel e Luis Pareto eliminaram as provas da fome e da indiscrição de Martins.
Ainda a caminho do Refúgio, Cavalcante recebeu uma mensagem de Valéria em tom preocupante, mas a ignorou. Seus afazeres eram mais urgentes.
Já no Refúgio, sob a Bloodlust, Torrado solicitou que fosse colocado na cela, enquanto os outros discutiram com Pareto como ele soube da situação em que o quinto membro da coterie se encontrava.
Pareto contou que na noite após auxiliar Pastor a "limpar" a igreja, ele foi abordado por Benedita Venegas, que exigiu que ele traísse a coterie, algo que ele prontamente prometeu que faria, porém não tinha intenção de cumprir. Durante a conversa, repleta de ameaças, violência e pavor, ele observou que Venegas partiu imediatamente quando Torrado apareceu. Era perceptível que ela não estava com medo do Nosferatu, mas sim do fantasma que o acompanhava. Sabendo disso, Pareto buscou auxílio em um grupo conhecido de carniçais, ao qual alguns chamavam de "Ordem do Sangue e Noite", e por um longo período eles vigiaram Torrado sempre que possível. Uma médium da Ordem buscou mais informações sobre o fantasma que atormentava o Nosferatu e acabaram descobrindo o nome da aparição e como rastreá-la em certas situações. Com base nisso, nesta noite, eles sabiam a região onde Torrado estava, e no início da noite, a médium teve um surto, recebeu visões, vomitou ectoplasma, psicografou a posição do fantasma e reviveu as mortes dos jovens que acampavam na área próxima do Recanto das Emas. Por isso, sabiam onde Martins estava.
Pareto foi dispensado. Deram-lhe alguns dias de folga para se recuperar fisicamente e mentalmente da situação.
Então eles perceberam que Torrado estava lá o tempo todo, ouvindo cada palavra.
Torrado parecia estar calmo, apesar de estar sujo de terra e sangue.
Ele disse que lembrava das ações cometidas. Urt afirmou que resolveriam aquela situação e que um ritual deveria ser realizado sobre ele, com Margot, a Tremere líder da casa Carna.
Não muito tempo depois, Vilmar compareceu ao convite da Coterie. Tinham-lhe feito um convite e ele aceitou, talvez relutantemente, talvez temendo por sua vida, mas as obrigações e promessas que carregava o tornavam importante e necessário, pelo menos ele acreditava nisso e valorizava a si mesmo.
Quando chegou, foi recebido cordialmente e retribuiu a elegância e a educação com as inevitáveis fofocas sobre quem havia ganhado e perdido status, como os membros se relacionavam. Falou sobre as disputas entre alguns Toreadores influentes, mas não da realeza, comentou sobre a ascensão de Yussef Ahmad, o Banu Haqim, que havia entregado a cabeça de Gilmar Mesquita a José Cavalcante, entre outros assuntos. Se não soubessem quem era a dona daquele carniçal, provavelmente acreditariam que ele era propriedade de Hiram, a Harpia.
Informaram a Vilmar sobre Benedita Venegas e disseram que ele deveria levar essa informação aos níveis superiores. Foram bem específicos sobre o perigo que a Lasombra representava e que, mesmo em cinco, não seriam capazes de neutralizá-la. Enfatizaram os métodos de operação da Assassina de Caim e relembraram algumas das leis que estabelecem a lealdade dos Lasombra à Camarilla.
Com os assuntos apresentados e explicados, Vilmar mostrou-se atento e disposto.
Apesar da tensão inicial, pois na última visita de Vilmar à coterie houve ameaças, indiscrições e desconforto, e apesar da ausência da bela Catarina, tudo acabou bem, uma vez que Israel ordenou que trouxessem Nirvana.
Vilmar partiu, levando consigo as informações.
Então, finalmente decidiram lidar com a situação que Bruno Giovanni trouxera até eles em noites passadas, envolvendo Ingrid, uma Gangrel que estaria violando a Máscara em Taguatinga Sul, na região anteriormente conhecida como Areal.
Ao chegarem ao Areal, avistaram alguns jovens universitários consumindo entorpecentes na madrugada.
A coterie se separou e Cavalcante aproximou-se dos estudantes.
Sentou-se, trocou ideias e percebeu que talvez eles soubessem de algo, pois a ex-namorada de Diego, um dos rapazes da roda, estava entre as pessoas desaparecidas.
O implacável sol em breve surgiria no horizonte.
Quando estavam prestes a partir, Isabele, uma moça que havia mencionado o desaparecimento de sua amiga (ex-namorada de Diego), aproximou-se de Cavalcante para conversar em particular.
Ela revelou que sabia o que ele era e que faria o que fosse necessário para vingar a morte de sua amiga. Isabele ofereceu seu pescoço ao Ventrue, que avaliou a oportunidade e cravou os dentes na carne da jovem. Cavalcante bebeu o sangue que jorrava rico e intenso. Assim, marcaram um novo encontro para a noite seguinte, quando ela os levaria até o covil da besta. Para ocultar seus próprios passos e mitigar possíveis violações da Máscara, Cavalcante reescreveu vários fragmentos da memória da moça com seus poderes vampíricos.
Uma nova noite emergiu, trazendo consigo novos desafios. No celular de Cavalcante, havia diversas mensagens de Valéria. Não era mais possível ignorá-la, pois ela raramente procurava o primo. José decidiu ligar para ela. A voz de Valéria estava carregada de mágoa e tristeza; ela chorou e expressou o desejo de conversar pessoalmente caso ele algum dia tivesse tempo. Infelizmente, suas responsabilidades muitas vezes tornavam sua existência como vampiro incompatível com sua vida entre os mortais.
Partiram, e a coterie dirigiu-se ao local marcado com Isabele.
Ela entrou no carro com Cavalcante, e todos seguiram em direção a um estabelecimento a não mais que 1500 metros de distância.
Ela revelou que a fera residia lá, no subsolo.
Cavalcante apagou da mente da jovem qualquer conhecimento que ela pudesse ter sobre a Gangrel e os membros de sua coterie. Após ordenar que ela partisse, a Sentinela Escarlate dirigiu-se ao estabelecimento.
Eles circularam ao redor, investigaram e notaram a movimentação no local. O Pastor Israel ouviu o proprietário do estabelecimento negar as informações de um cliente sobre os acontecimentos na área. A conversa parecia ser de alguém que não queria chamar atenção desnecessária para a região, evitando que os clientes deixassem de comprar. No entanto, essas palavras eram familiares. Eram palavras enganosas, usadas para desinteressar as pessoas sobre o assunto. O empresário não se preocupava apenas com os clientes, mas com algo além, algo sobrenatural. Após encerrar o expediente no comércio, Divino, o dono, e sua esposa Joana Moura entraram no carro.
Antes mesmo de partir, Divino sentiu dedos gélidos e firmes ao redor de sua garganta. Torrado e Eli Urt já estavam dentro do veículo, enquanto o Pastor Israel e José Cavalcante adicionavam um clima ainda mais sombrio, permanecendo de pé do lado de fora do carro, impedindo-o de se mover.
Urt segurava o pescoço do homem com suas mãos, e com uma voz sombria, apenas ordenou que ele dirigisse.
Divino ligou o carro e partiu, sentindo o pavor dominar seu ser, enquanto Cavalcante e o Pastor Israel os seguiam de perto em outro veículo. Talvez aquela fosse a última vez que Divino tivesse trabalhado.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Benedita Venegas - Lasombra;
Ingrid Menezes Ortis - Gangrel
Vilmar - carniçal;
Valéria Teixeira - secretária do senador;
Isabele Drummond - humana - estudante;
Diego Alencar - humano - estudante;
Divino Moura - humano - comerciante;
Joana Moura - humana - comerciante;
Vitória Andrade - humana - médium;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

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