Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 19 [Vampiro a máscara 5ª edição]



Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 19

(30/07/2023 domingo)

José Teixeira Cavalcante, membro do clã Ventrue e integrante da coterie Sentinela Escarlate, sentia a fome lhe dominar. Suas restrições alimentares tornavam-no um caçador especializado, buscando saciar-se com sangue de assessores parlamentares, pequenos políticos e filhos de dinastias políticas.

Após satisfazer sua sede, ele cruzou a porta do gabinete do Senador e, para sua surpresa, ouviu um choro discreto e contido vindo de sua prima, Valéria. Ao questioná-la sobre a razão de seu pranto, foi recebido com uma esbofeteada, mas seu interesse era genuíno. Valéria, então, desabou em um choro copioso, tentando em vão entrar em contato com Cavalcante diversas vezes.

Utilizando de seus dons sobrenaturais, José conseguiu extrair dela a informação que buscava, e que temia inconscientemente: ela havia sido molestada. Com insistência, ele procurou saber quem cometera tal ato. Valéria relutou em revelar, até que, em determinado momento, rendeu-se e o revelou, mas somente sob o juramento de que Cavalcante se vingaria do agressor. O juramento foi feito.

Antes de retornar ao seu refúgio, localizado sob a boate Bloodlust, ele ainda teve uma conversa com o Senador, cujo teor ficou guardado em sigilo.


A noite caiu e a Sentinela Escarlate se reuniu ao redor da mesa. Planejaram os passos que seguiriam em relação a Ingrid e Torrado, duas noites era pouco tempo para se organizarem e executarem um transporte tão perigoso sem que houvesse maiores problemas. 

Urt saiu e pegou um mendigo, pagou para ele, convenceu-o a se sujeitar a atrocidades morais. O homem foi. Em um ligeiro ritual, já executado anteriormente, Eli deixou cair uma gota do sangue do apavorado morador de rua na boca do homem no caixão. Torrado, sorveu o precioso líquido despertou de seus pesadelos para um mundo de dor, a dor da fome avassaladora que o consumia, a dor das feridas religiosas sob seu corpo, mostrando que pelos olhos piedosos de Deus, ele era um anátema jogado na escuridão. Martins pulou e se alimentou do mendigo, contudo não o matou. Um lampejo de consciência permitiu que deixasse a pobre alma entre a vida e a morte, mas não totalmente partido. O homem foi amarrado e colocado desacordado no caixão onde a pouco estava Torrado Martins.


José Cavalcante e Catarina Oliveira saíram pelas ruas no limiar de seu domínio, em busca de uma presa mais aprazível que um imundo morador de rua. Passaram por diversas prostitutas, cada uma delas categoricamente dispensadas pelo olhar reprovador e analítico de Catarina. O jovem e impaciente Ventrue ensaiou uma espécie de protesto pela demora, demonstrando que para ele tanto fazia qual seria a vítima, pois serviria apenas para alimentar a Gangrel. Suas reclamações não foram além das palavras iniciais, uma vez que os olhos de Catarina o mediam e condenavam por sua reprovação à busca pela beleza. Era tácito que a Toreador não iria aceitar esse tipo de repreensão de um vampiro que não conseguia se alimentar quando desejava. 

Foi então que ela viu o sorriso miraculosamente impecável da prostituta. Seria ela a vítima. Seria ela a beleza procurada. Acertaram um valor para uma festa particular, algo que jamais ocorreria. O odor da mulher era doce demais, barato demais, as roupas baratas demais, mas seu sorriso valeria a pena. Com Cavalcante conduzindo o veículo, Catarina se aproveitou de alguns lampejos carnais antes que aquele sorriso desaparecesse para sempre nas garras de Ingrid.

Entraram direto para os caminhos do refúgio. Ao chegarem lá a mulher se desespera com a presença de um animal em uma cela e de figuras que pareciam anedotas pálidas com intensões doentias.

Antes que o desespero tomasse conta da garota, ela foi hipnotizada e conduzida para o abatedouro. Enquanto andava, chorava por dentro, pois sabia que jamais sairia dali.

Quando a porta da cela se abriu, ela foi jogada como sacrifício para  besta enjaulada. A violência da alimentação de Ingrid deixou todos atônitos. A Gangrel então terminou seu jantar funesto e atirou parao lado o cadáver da prostituta de sorriso belo. Ingrid escancarou a boca vermelha de sangue e gritou por mais. Uma única vítima não a saciaria. Cavalcante não entendia como aquilo era possível. Pensaram em por o mendigo como oferenda ao monstro enclausurado, contudo a ideia foi refutada pela própria Gangrel que sabia que a fonte de sangue estava quase exaurida.

Como se as bençãos divinas caíssem sobre os vampiros, o recado de que Bruno Giovanni pedia permissão para uma conferência, assentava como uma luva, ao menos nos planos de Catarina. Ele que resolvesse a alimentação da Gangrel.


A educação do membro do clã Hecata era primorosa, talvez não apenas maior do que os subtextos de cada uma de suas doces palavras. Mesmo com as palavras ásperas e, por vezes, brutais, de José Cavalcante, que não havia participado das tratativas anteriores com Giovanni, a educação reinou e o Hecata conseguiu reverter o ranço apresentado pelo Ventrue. Algumas palavras ditas ao jovem José eram desconhecidas pelo membro da Vehme, mas foram captadas e assimiladas por Eli Urt, principalmente as relacionadas à ascensão recente do clã Ventrue no Domínio e a participação da coterie de Bruno e Ingrid em eventos importantes antes mesmo de Beliza Gregory assumir o trono.

À medida que desciam para o nível da cela o sorriso sociável e pragmático de Bruno começava a desaparecer. Ver sua companheira de noites naquela situação não era nada agradável. Pediu permissão para que ele e Ingrid ficassem sozinhos e assim foi. Bruno entrou na cela com a Gangrel. Os membros da Coterie saíram do recinto, todos eles, à exceção do imperceptível Torrado Martins, que vestiu o manto incógnito e observou o desenrolar dos eventos.

Por vários minutos Bruno Giovanni e Ingrid  Ortiz discutiram sobre traição, ameaças, obrigações e fome. A Gangrel ameaçava, culpava e tornava a cena ainda mais irreal. O Hecata apaziguava, se retratava e buscava um perdão que nem ele se dava. Então Bruno ofertou o braço para que Ingrid se alimentasse do potente sangue do velho vampiro. Aquilo certamente saciaria a besta que consumia a antiga Gangrel.

Ortiz se alimentava da espessa essência de Giovanni, até o momento que aquilo começou atravessar o ponto sem volta. Bruno sabia o que aconteceria. Ele então conseguiu tocar o corpo da mulher que havia sido dada como oferenda e a impediu de partir em paz. Obrigou o fantasma de Rose a ajudá-lo. Rose confundiu Ingrid tempo suficiente para que Bruno se recompusesse e a fome se afastasse da antiga aliada. Bruno chamou pelos donos daquele lugar, para que pudesse ainda partir. Prometeu a Ingrid que a ajudaria em seu julgamento, e condicionou a aparição, privada do descanso eterno, a vigiar e reportar as ações da Sentinela Escarlate. Em silêncio Torrado a tudo observou.

Bruno Giovanni partiu, agradecendo mais uma vez a tudo o que a Vehme havia feito, e deixando claro a diferença de poder entre eles.

Personagens

Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra] 

NPCs:
Ingrid Menezes Ortis - Gangrel;
Bruno Giovanni - Hecata;
Valéria - assessora parlamentar;
Sheilla / Rose - prostituta;
Ivan Nóia - pessoa em situação de rua;
Luiz Pareto - carniçal.

Sistema:
Vampiro: a máscara 5ª edição

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