Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 22 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 22
(20/08/2023 domingo)
A escuridão se tornava cada vez mais densa entre os membros da coterie Sentinela Escarlate. Dias de fome e preocupação tomaram conta dos que estavam hospedados na casa do Toreador Iran Borba, a Harpia.
Estava fora de seu domínio, longe de seus campos de caça, à mercê das bênçãos e favores de terceiros, caso quisessem se alimentar sem procurarem ofender todo e qualquer pequeno vampiro cujo território entrassem. Era uma situação cheia de dualidades, pois uma vez como Vehme, tinham o poder de entrarem onde quisessem, levarem a justiça da Camarilla aos que quebrassem a Máscara, eram temidos e admirados, entretanto, quando não vestiam o manto de Vehme, eram sujeitos às regras tanto quanto qualquer outro Membro e isso, às vezes, gerava um desconforto amargo.
Para sanar o grande problema da Fome, Pastor Israel voltou suas garras e presas para o mercado negro. Vendedores ignorantes dos seus clientes, ou ao menos pareciam ignorantes, vendiam sacos de sangue, provavelmente retirados de doadores compulsórios, para prazeres e rituais profanos. Os vendedores não se importavam, desde que o dinheiro entrasse e o produto saísse.
Samuel Silva era um desses, seu nome já não era dito por ninguém, ele era conhecido como Samuca Velho. Por anos operou em tráfico de animais, produtos religiosos proibidos, sangue ensacado, fosse sangue humano ou não. Israel era um de seus clientes, um dos quais por meses não o procurou. E ter um cliente fiel e sem dívidas era algo raro nessas noites perigosas. Quando o Pastor o procurou, Samuca Velho mostrou-se muita satisfação e fez o que pode para agradar ao bom freguês.
Pastor Israel comprou muito mais do que costumava comprar. Eram sacos sujos, de procedência duvidosa, mas não era importante saber de onde vieram, o importante era que seu conteúdo fosse nutritivo e aplacasse a Fome, tanto dele quanto de Torrado Martins. Torrado parecia sempre estar muito mais faminto que qualquer outro vampiro e deixá-lo sem alimento poderia colocar muito em risco.
Ambos beberam do líquido viscoso e ferroso, nunca se satisfazendo por completo, mas satisfeitos o suficiente para suportarem mais algumas noites.
José Teixeira Cavalcante, o jovem Ventrue, finalmente foi admitido na populosa habitação de Iran, onde seus colaboradores já estavam a vários dias. Iran Borba, como um bom anfitrião, permitiu que usassem bem a residência, tanto que disponibilizou um ambiente apropriado para conversarem isoladamente.
Por um momento o Pastor Israel observou máculas dos poderes abissais nos olhos de Cavalcante. Teixeira ficou tempo demais sozinho no domínio, sob possível influência de Benedita Venegas, ou poderia ser resquícios das sombras dos mortos e do sangue do assassinado Davi, que ainda corria forte em seu corpo.
A reunião da Sentinela Escarlate começou com acusações. Cavalcante foi colocado contra a parede, questionado sobre onde estava sempre que precisavam conversar com Lodo. Cavalcante impunha sua égide de líder, de Ventrue, de que jamais poderia ser questionado. Catarina e Martins buscaram informá-lo de que não era uma resposta suficiente, mas foi Pastor Israel quem foi mais contundente, faltando apenas esbofeteá-lo. Ânimos exaltados e egos feridos foram o prato servido na reunião.
Algum tempo depois ouvem alguém batendo à porta da sala, era o dono da cara, Iran Borba, que explica sobre seu papel de Harpia e que não teria muito tempo para ficar com eles. Informou também que desde que assumiu a empreitada junto ao domínio da Vehme, de caçada à anciã Lasombra, Lodo não deu mais notícias. Aquilo era preocupante.
Ao fim, Catarina informa à Harpia que todos ali precisavam de alimento, mas que evitariam áreas disputadas ou mesmo voltarem à seu domínio. Iran entregou um pequeno cartão, contendo um endereço e um nome. Lá poderiam se alimentar, pelo preço certo, sem questionamentos, sem imposições, se não fossem sovinas.
No caminho para o endereço comercial na W3 Sul, discutiram sobre o que fazer, agora que Lodo poderia ter desaparecido permanentemente. Catarina foi categórica que deveriam ir atrás do diário de Petrakis, para que não caísse nas mãos de Benedita. O Pastor temia qualquer aproximação àquele lugar maldito, lembrando a todos que o monstro quase os destruiu. Eli Urt deu a ideia que poderiam atrais Benedita Venegas para uma armadilha, e nem precisavam ter a posse do tal diário, era apenas necessário que ela imaginasse que eles o possuíssem. Várias ideias e negativas foram criadas e relegadas.
Chegaram então ao lugar informado no cartão. Mostraram o cartão ao corpulento segurança estava em frente à luz de neon vermelho que circundava a porta que dava acesso ao subsolo do prédio. Ele abriu a porta e deu caminho para passarem.
Os odores do lugar variavam a cada passo, a cada respiração forçada. Suor, detergente, perfume, cigarros, drogas, fluídos corpóreos diversos, bebida, entre outros. Era um lugar onde o pecado era latente.
Logo foram recebidos por um homem velho, cuja maquiagem pesada o fazia parecer um boneco de cera, com cabelos brilhosos que mostravam uma peruca incompatível com a idade, ele era Otávio "o Pêssego". Gracejos elegantes demonstravam a afinidade do homem com o tipo de clientes que os membros da Sentinela Escarlate eram. A maquiagem tentava dissimular as marcas de mordida no pescoço, braços e quem sabe onde mais.
Em um ato de total desapego a qualquer economia barganha, Catarina deixou seu cartão com o homem e o acompanhou pelos meandros tortuosos do lugar.
Chegaram em frente a uma porta de ferro, trancada. Quando Otávio a destrancou, o cheiro de flores mortas e doces assombrou os vampiros. No quarto mal iluminado havia três mulheres, despidas, acorrentadas. Otávio era um traficante de pessoas.
A Fome era maior do que a moralidade e se alimentaram das pobres almas, tão cheias de sofrimento. Buscaram não terminar suas vidas, não que isso fosse visto como violência, mas talvez até como piedade, mas talvez não estivessem suficientemente capazes de pagar pela vida delas, em dinheiro.
Ao fim da alimentação, Eli Urt, um exímio conhecedor e estudioso do Sangue, pode garantir que algo entre elas não era completamente humano. Observou nas costas de uma delas as marcas de cortes, como se algo fosse arrancado e depois a pele costurada para cicatrizar. Como se a mulher uma vez tivesse asas, que lhe foram removidas.
Deixaram as pobres e belas criaturas para trás. A porta se fechou. Urt, com dinheiro vivo de Cavalcante, ainda tentou comprar a informação do que eram elas, mas pôde ver que "o Pêssego" era tão ignorante daquela peculiaridade quanto ele mesmo.
Se foram, mas a existência daquilo ainda seria estudada em noites posteriores, pela mente incansável de Eli, caso os monstros do abismo não os devorassem antes.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Beliza Gregory - Tremere, antiga Príncipe de Brasília;
Iran Borba - Toreador - Harpia;
Carlos Gonçalez - Toreador;
Pierre Toussaint Gaudez - Toreador - Primogênito;
Davi Andrade - assessor político;
Elza Lacerda - administradora;
Sebastião Silva - garçom;
Renata Batory - vidente;
Jorge Paulo Bulhões - promoter;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

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