Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 24 [Vampiro a máscara 5ª edição]


Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 24

(10/09/2023 domingo)

Houve então o retorno ao "lar". Cada um dos membros vistoriou os cômodos subterrâneos sob a Bloodlust e, apesar de vestígios agourentos ainda do tempo em que a Gangrel Ingrid estava sob custódia da Vehme, as coisas pareciam dentro da normalidade.

A não ser pelo adoro sobre a icônica mesa de reunião. Apenas uma única tulipa, um signo da precariedade econômica na qual a casa noturna se encontrava.

Eram dívidas com fornecedores, folha de pagamento e serviços gerais, apesar de toda a movimentação da boate. 

Contabilidade Criativa.

Se reuniram em reunião tensa. Os vampiros da coterie Sentinela Escarlate souberam que estavam sendo roubados. Aparentemente a contadora da Bloodlust havia desviado uma pequena fortuna da casa noturna. Contudo a verdade era um pouco diferente. Quem realmente havia desviado o dinheiro era José Cavalcante, para bancar seus contatos e o luxo necessário para a não vida. Não era para ninguém ter descoberto suas falcatruas contábeis, mas Pareto descobriu e informou a todos que a contadora, Samara Guedes, havia sido a responsável.

José Cavalcante se mostrou extremamente preocupado com toda a situação e ficou de resolver o caso com presteza. Catarina foi incisiva ao se indicar como auxiliar de Cavalcante naquela tarefa.

Na noite seguinte José Cavalcante e Catarina Oliveira iriam visitar a contadora.


Eli Urt foi à Capela Tremere, tratar com o Regente Jason Wyld.

O primogênito Tremere o atendeu, apesar de deixar claro que algumas das ausências de Urt em rituais anteriores seriam punidos posteriormente.

Eli então contou a seu superior sobre os dias que passaram junto a Harpia, Iran Borba.

Foi minuncioso ao falar sobre como muitos membros apontavam o clã Ventrue como usurpador do poder Tremere, em Brasília, como a Harpia e o Hecate, Bruno Giovanni, falavam com saudosismo da Venerada Beliza Gregory como Príncipe. 

Wyld iluminou o jovem aprendiz com os perigos que Beliza enfrentou ao assumir o trono. Como  todos os membros da Primigênia a observava. Afonso Beloto de Assis, o primeiro Príncipe, queria que a cidade continuasse com os Toreador, contudo sua cria o abandonara a anos. Kigaly Kramer, a Fera, era fiel ao Príncipe, fosse qual fosse, apesar de se preocupar pouco com a política, como qualquer membro do clã Gangrel. Henrique de Oliveira Médici, o Primogênito Tremere era quem havia arquitetado tudo para sua pupila. Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert, calculava cada nova etapa e, dizem, sabia do período sombrio que enfrentariam. E, claro, Abdias Torquato Valente, o Primogênito Brujah, vigiava sua odiada Gregory tão de perto que, dizem, a Príncipe jamais passava dia algum sem rituais sangrentos de todos os tipos de proteção.

Abdias odiava o clã Tremere a séculos, mas era, ao menos na época, ainda fiel à Camarilla.

Vozes dissonantes e mentes tacanhas diziam que Beliza era apenas uma marionete amarrada às mãos de Médici. Inveja, claro. Apesar de tantos olhos e julgamentos, a Venerada Beliza Gregory não se deixou diminuir. Guiou os Membros do Domínio por um período grandioso, até que a segunda inquisição surgiu, e com ela o fim de uma era.

Urt então revelou sobre o monstro que assombrava as noites da Sentinela Escarlate, Benedita Venegas. Somente o nome da Mãe Sombria, da Assassina de Caim, foi o suficiente para fazer o sangue de Jason Wyld congelar. Contudo, foi quando Eli Urt falou que Benedita exigia que o Pastor Israel entregasse a ela o diário do Tzimisce Niko Petrakis, que a face de Wyld realmente se transfigurou em desespero.

As lembranças de conflitos antigos entre ele, Kigaly Kramer e Zoltan contra Niko e suas abominações, quase o levaram à loucura. A forma como Zoltan havia sido esfolado e deixado ao sol, distorcido com a maldita e profana Disciplina do Tzimisce, e como ele mesmo por pouco não padeceu, lhe assombraram mais uma vez.

Saber que Petrakis estava morto lhe trouxe alguma satisfação. Descobrir que a Bruxa Divina estava atrás de um diário daquele monstro, lhe encheu de preocupação.

Jason Wyld então incumbiu Eli Urt de reaver o diário, e levá-lo à Capela, antes que ele caíssem nas garras sombrias de Venegas.

Urt aceitou, com o coração muito pesado, aquela tarefa.


José Cavalcante estava pronto para partir em diligência à residência de Samara Guedes, a contadora da Bloodlust, quando foi interpelado por Catarina Oliveira.

Cavalcante não estava satisfeito por saber que a coterie havia reclamado abertamente de sua liderança. Ele era Ventrue e era sua posição de direito. Cavalcante não iria deixar que nada, nem ninguém, ainda mais membros de clãs menores, lhe desafiassem. Impiedosamente reescreveu partes inteiras das memórias da linda Toreador, fazendo com que ela ignorasse qualquer desvio anterior e que o apoiasse como líder então.

Mesmo sem entender direito o que havia acontecido, Catarina sabia que José Teixeira Cavalcante, do clã Ventrue, era a pessoa certa, no lugar certo, para aquele cargo. Ele teria seu apoio.

Cavalcante então partiu para resolver a peça solta, Guedes. Para que sua máscara continuasse, ela precisaria morrer. Frustrou-se ao saber que ela havia viajado a mais de duas semanas. A maldita havia armado para cima dele, mas isso não iria ficar assim.

Horas depois, já recomposto de sua raiva, foi tentar amenizar as coisas com sua Primogênita, Flora Caroline. Ele sabia que os membros de seu clã haviam falado com ela e o Senescal.

Flora Caroline o recebeu como um CEO recebe um funcionário menor, com palavras de liderança, uma distância coorporativa, e termos de alta política.

A mesa à qual estava era das primeiras a chegarem à nova capital, mogno puro. Ao pé da mesa um homem usava máscara de couro, que lhe roubavam a visão. Era um pet.

A Cavalcante não foi permitido sentar. Ele deveria falar em pé mesmo. Ali José deixou a Primogênita a par das atitudes de sua coterie e como eles estavam questionando sua autoridade, como reescreveu as memórias de Catarina para que ela não o questionasse, e como estava insatisfeito com seus subordinados.

Flora obrigou-o a se ajoelhar e didaticamente, como a mestra dominadora num palanque, ditando verdades a alunos submissos que deveriam aceitar suas palavras como absolutas, ela lecionou a respeito de como um líder deveria ser. Ela foi categórica ao afirmar que ela havia formado a Vehme, e que escolheu ele como líder, pois os Ventrue eram temidos e invejados na cidade, e precisavam sempre manter posições de poder. Que a Camarilla precisava de líderes, senão eram apenas animais como os anarquistas. E ser o responsável pela manutenção da Máscara era um símbolo de poder. Ela deixou bem claro que ele ainda permaneceria como líder porque ele era linhagem direta dela mesma, chegando até a Maximiliano, além de que os favores da Arconte Nyala Kintu caiam sobre ele e que 

Então Cavalcante cometeu o crime de dizer havia conhecido o barão anarquista Bruno Ribeiro. Indagado de onde o conhecia, José deixou claro que Nyala havia se encontrado com os anarquistas além dos Domínios da cidade.

Saber o que a Arconte Kintu foi fazer em Brasília, era uma curiosidade que Flora sempre teve, e perguntou a Cavalcante quais outras coisas haviam feito, com quem falaram, onde foram.

José falou. Falou sobre a ida ao Guará, sobre os anarquistas, sobre empreitada infrutífera à Pedra Fundamental e, apesar da expressa ordem da Arconte, falou sobre o encontro dela com um diabolista chamado Lázaro.

Flora ouviu tudo com muita atenção, mas quando soube do diabolista, ficou em uma encruzilhada. Deveria matar a Cria de sua Cria ali, naquele momento, ou usá-lo para planos mais profundos. A influência do ignorante não poderia ser descartada, mas aquele conhecimento não poderia sair dali. E como se o destino risse com uma ironia nada sutil, todas as memórias de Cavalcante, sobre a jornada com Nyala Kintu, foram reescritas.

Ao final da noite, Cavalcante partiu, deixando Flora Caroline pensativa sobre o que faria com os outros membros da Vehme...


Catarina reuniu-se com os funcionários da Bloodlust. Deixou claro que faria de tudo para evitar demissões, e que de todas os déficits que a casa tinha, a primeira fatura a ser sanada da dívida seria com os trabalhadores. Apesar das palavras de Catarina, do modo apaziguador que sua voz possuía e de sua beleza avassaladora, alguns funcionários se atentaram em demasia ao termo "evitar demissões".

Trabalhavam ali a anos. A maior parte sabia que uma demissão não era apenas deixar o emprego e procurar outro. Sabiam das consequências.

Na noite seguinte, um dos funcionários não apareceu para trabalhar. Havia caído de uma escada. Talvez não sobrevivesse.  


Personagens

Jogadores:
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra] 

NPCs:
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Flora Caroline - Ventrue - Primogênita;
Reinhardt Birkheuer von der Näcktschwert - Malkaviano - Senescal;
Jason Wyld - Tremere - Primogênito;
Henrique de Oliveira Médici - Tremere - ex-Primogênito;
Beliza Gregory - Tremere - ex-Príncipe;
Zoltan - Tremere;
Afonso Beloto de Assis - Toreador - ex-Primogênito;
Iran Borba - Toreador - Harpia;
Abdias Torquato Valente - Brujah - ex-Primogênito;
Kigali Kramer - Gangrel - ex-Primogênito;
Benedita Venegas - Lasombra;
Niko Petrakis - Tzimisce;
Bruno Giovanni - Hecata;
Samara Guedes - contadora;
Luiz Pareto - carniçal.

Sistema:
Vampiro: a máscara 5ª edição

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