Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 29 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 29
(15/10/2023 domingo)
A noite caiu mais uma vez e a morte rondava próxima. Como um farol agourento para o submundo, a presença nefasta dos vampiros atraía a última caminhada.
À magnífica mesa de reuniões apenas algumas flores simples, talvez significando a decadência financeira momentânea na qual a casa noturna Bloodlust se encontrava. Lá a coterie Sentinela Escarlate se reuniu uma vez mais. Lá estavam José Teixeira Cavalcante, do clã Ventrue; Pastor Israel, do clã Lasombra; Catarina Oliveira, do clã Toreador e Eli Urt, do clã Tremere. A ausência de Vinícius "Torrado" Martins, do clã Nosferatu era esperada.
Torrado havia partido a algumas noites para conseguir salvaguarda junto aos anarquistas. Ele buscava a ajuda de Cipriano, um membro de seu clã, que tinha proximidade com vários grupos dispersos dos caóticos sem regência. Martins entendia a busca pela liberdade de agir, mas sabia que mesmos eles estavam atrelados a poderes maiores e lideranças antigas, tanto quanto a própria Camarilla. Bruno Ribeiro, do clã Brujah, foi o braço direito de Abdias Torquato Valente, o primogênito e um dos fundadores da Camarilla em Brasília, antes e durante o período da Venerada.
Após a queda de Beliza Gregory, a acusação de que Abdias a havia destruído e o desaparecimento dos antigos primogênitos, Bruno Ribeiro convenceu os seus e o clã de Kigaly Kramer a abandonarem as amarras da Torre de Marfim.
Torrado sabia. Sempre haveria líderes, mesmo entre os anarquistas.
Mas então, a reunião de início da noite, tão característica da Vehme se deu quase sem percalços. Algumas acusações mesquinhas. Alguns insultos discretos. Algumas ironias incontidas. Eli Urt informou a todos que Mazira, um aliado do clã Ravnos, iria passar algumas noites no Refúgio. Não houve discordância. Mazira sempre foi útil e um lugar para fugir do sol era algo que ele mesmo já havia ofertado à coterie em noites passadas.
Foi então que Luiz Pareto, o fiel carniçal, advogado, faxineiro de cadáveres, assassino, sequestrador, em suma, faz-tudo da Coterie, apareceu. Sua face demonstrava uma certa aflição. Várias eram as notícias que ele trazia, uma delas, mais ligada à Bloodlust era que Ivo, o funcionário que havia caído da escada em noites passadas e estava hospitalizado, faleceu. Catarina ficou chocada e pediu ao Pastor Israel que deixasse palavras para os demais funcionários. A Bloodlust estaria de luto por três noites. Não obstante ainda havia uma intimação a ser dada a Cavalcante e Pareto temia por sua vida. Todos os membros fizeram questão de acalmar o devotado lacaio. Pareto então cita o que lhe foi comandado pela Camarilla, de que José Cavalcante deveria se apresentar imediatamente perante Flora Caroline, a primogênita de seu clã. Surpreso com a demanda, Cavalcante despediu-se de todos e partiu.
Cavalcante foi encontrar Flora Caroline. Ele entrou no sala de reuniões. Desta vez não havia ninguém aos pés da Senhora. O jovem Ventrue mostrou seu aprendizado das tradições e ritualísticas dos Sangue Azul ao citar sua linhagem até o Exaltado Príncipe Maximiliano Jean Carlo.
A Primogênita fica satisfeita com a forma como Cavalcante se apresentou, deixou claro que ele estava estudando direito e que da próxima vez ele citasse sua linhagem até Mithras.
Flora perguntou sobre como a Sentinela Escalarte estava atuando sobre o caso da anátema Isabel Vilasques Lacerda. José Teixeira deixou claro que os membros de sua coterie tinham pistas fortes sobre o paradeiro da mesma, e que ela, provavelmente estaria em território anarquista. Flora sorriu elegantemente ao receber a notícia, então disse que a Vehme tinha bons contatos e que deveriam continuar na investigação.
E então, com uma mudança de ares e nos rumos da reunião, as coisas deixaram de ser agradáveis ao neófito e Flora Caroline vestiu sua face de dominadora, de Primogênita, de Ventrue. Ela comunicou a Cavalcante que seu campo de caça agora estava restrito a Câmara Legislativa Distrital. Lhe fora removido o privilégio de presas de alto padrão. Cavalcante não esboçou grande reação, contudo pediu licença para perguntar o motivo dessa reprimenda, nada em sua mente lhe mostrava algo que tivesse feito que merecesse isso. A líder e referência de seu Clã explicou que ou era isso ou a destruição. Ele foi dispensado logo em sequência.
Cavalcante saiu sem entender nada, apenas se perguntava, quem diabos era Mithras...
Catarina foi em busca do seu querido Bernardo Monteiro, o poeta marginal que ela havia dispensado e depois o colocou sob suas asas angelicais. Ela Precisava relaxar e se desligar um pouco dos últimos acontecimentos das noites sem fim. Entretanto o encontrou bastante triste e deprimido, falando palavras de profunda melancolia e tristeza, se machucando e atentando contra sua existência. Ela tentou ao máximo, acalmar e acalentar o seu coração.
Terminou a noite ainda mais preocupada.
Ordenou a Pareto que desse uma olhada, em seu rebanho, durante o dia. Na noite seguinte, se deparou com Bernardo à beira da morte, ao visitar sua residência novamente. Buscou reanimá-lo e, durante esse processo, sentiu uma presença sobrenatural no recinto. Era um espectro, uma aparição que o acariciava lentamente, tocando-lhe os cabelos sem jamais tocá-los, a coisa intangível e fantasmagórica ali estava se alimentando do pouco que era Bernardo. A entidade tentou sugar o que parecia ser o resquício da energia vital do mortal, e Catarina interviu, mesmo sem ações concretas. Ela esbravejou e golpeou a criatura (em vão).
Recebeu um contra ataque que lhe deixou extremamente amedrontada. Sua única reação foi levar o corpo de Bernardo ao carro e partir em disparada, para segurança de seu Refúgio. Quando lá chegou, buscou desesperadamente a ajuda dos demais membros da Coterie. Por sorte Eli Urt estava presente e pôde prestar os devidos socorros ao moribundo Bernardo. Após o que pareceu terem sido horas de tristeza e desespero da Toreador, o Tremere surgiu com boas novas sobre o quadro geral do paciente. Bernardo sobreviveria a esse episódio. Entretanto, parece que a entidade que o assombrava não estava sozinha...
Do diário de Eli Urt
Mais uma noite, mais uma jornada, na qual eu buscava desempenhar todas as tarefas que a Casa Tremere confiara a mim.
Como de costume, nos reunimos para discutir nossos planos para a noite. No entanto, cada um decidiu cuidar de questões pessoais ou familiares, afastando-se temporariamente das responsabilidades da coterie.
Fiz questão de informar a todos que Mazira estaria conosco por algum tempo, embora fosse reconfortante saber que, devido à sua natureza, sua presença não se estenderia por mais de uma semana. Todos concordaram com essa disposição, reconhecendo o valor de Mazira como um valioso contato.
Pareto trouxe uma mensagem para Cavalcante, e, por alguma razão que permaneceu não declarada, preferiu compartilhá-la diante de todos nós: Flora, a primogênita Ventrue, exigia a presença de Cavalcante.
Diante disso, decidi investigar o paradeiro de Margot, da casa Carna, uma vez que a Casa Tremere estava empenhada em estabelecer uma colaboração com ela. Saí para contemplar o céu estrelado, lembrando que a casa Carna estava intrinsecamente ligada aos elementos naturais. Quando alcancei o exterior do nosso refúgio e me preparei para olhar as estrelas, encontrei uma figura esbelta e imponente na porta de entrada. Era a Sra. D'Agostinni, entregando uma nova encomenda de sangue. Desta vez, ela parecia mais ansiosa do que o habitual para que eu completasse a entrega. Prometi que seria mais eficiente em atender às suas demandas. A Ventrue sabia o que queria e eu sabia como conseguir o que ela precisava.
Descobrindo onde Margot estaria naquela noite, percebi que ela estava vizinha de Lázaro, o diabolista protegido de Nyala Kintu. Poderia ser mera coincidência ou talvez por um propósito maior. Fui recebido de forma calorosa e respeitosa, cumprindo todos os protocolos de nossas Casas. Deixei claro que o pedido de assistência viera diretamente de Jason Wyld, nosso Primogênito e Regente da Capela de Brasília, explicando a importância de suas habilidades no entendimento de um artefato antigo e perigoso pertencente à Casa Tremere. Ao nos despedirmos, Margot fixou seu olhar em mim e fez um comentário enigmático sobre minha aura, mencionando um odor intrigante. Ela também me aconselhou a manter distância dos Lírios, um recado que, naquele momento, não compreendi completamente.
Ao retornar ao meu refúgio, deparei-me com uma cena perturbadora: Catarina estava ensanguentada e contava que um de seus "amigos" tentara tirar a própria vida. O dilema humano... No entanto, algo nessa situação chamou minha atenção: o sangue derramado, seu cheiro, seu aroma impregnando o ambiente. Sem pensar, me aproximei de Catarina e segurei seu braço com firmeza, lambendo o sangue que ali estava. O sabor do sangue, a ressonância, a discrasia... era o auge de todas as emoções que caracterizam aquele tipo de sangue. Imediatamente, perguntei sobre o paradeiro da pessoa e se poderíamos prestar-lhe assistência. Dada a hora avançada, decidimos adiar a visita, na esperança de que nada de pior acontecesse com a pobre alma.
Na noite seguinte, já sem muita esperança de que o sangue mantivesse sua potência, deixei a ideia de lado e dirigi-me ao "mercado de sangue" recomendado por Iran. Após negociar com Otávio, também conhecido como "o Pêssego", ele me levou até a portadora do sangue especial. O ambiente estava sujo, impregnado com o forte cheiro de urina. Durante a coleta do sangue, a portadora faleceu; seu corpo já estava fraco devido aos eventos e sofrimentos anteriores. Olhei com desdém para Otávio, mas ele simplesmente encolheu os ombros, demonstrando que para ele aquela mulher era apenas uma mercadoria. Ele não compreendia o verdadeiro valor daquele sangue. Ao sair, ele murmurou algo sobre uma dívida que havia sido quitada. Aquele lugar necessitava de uma nova direção, e eu tinha a certeza de que Horácio seria um líder eficaz para reformar o local. Devo deixar claro que algo estranho foi extraído do corpo da menina, há uma pedra dentro do vasilhame, um fragmento ínfimo, mas sólido. Devo investigar isso posteriormente.
De volta ao Refúgio, encontrei Catarina segurando nos braços o mesmo homem que tentara o suicídio na noite anterior, agora entregue como um presente, com todo o seu sangue ressonante, clamando para ser consumido. Imediatamente, levei-o para meus aposentos e iniciei o tratamento para uma possível overdose. Solicitei que todos se retirassem para me permitir trabalhar e tentar salvar a vida daquele desafortunado. Cautelosamente realizei a lavagem estomacal e outros procedimentos médicos, a fim de neutralizar os efeitos das drogas, e não pude resistir a provar o sangue. Era um sangue raro e excepcional. Garanti que ele não fosse morto, afinal, ele representava um recurso valioso. Após concluir todos os procedimentos, limpei e organizei minhas ferramentas com meticulosidade, o que, talvez, tenha levado mais tempo do que o próprio tratamento. Comuniquei a Catarina sobre as boas notícias e, em seguida, retornei ao meu quarto para iniciar o estudo do sangue e daquela criatura singular.
Pastor Israel foi ter com Gervásio Almeida Jr. o novo contador. Ele estava doente, mas trabalhava com afinco, debruçado sobre as planilhas e notas fiscais. Em certo momento ele disse que havia indícios de coisas estranhas na contabilidade, mas que precisaria de tempo para desvendar e realmente ter certeza de que a estranheza era algo errado ou apenas um engano. Sua saúde começou a apresentar deterioração até o ponto em que Israel ordenou que ele tirasse o resto da noite de folga e que durante o dia fosse par ao hospital. Gervásio ainda tentou argumentar, mas a tosse dolorida o fez mudar de ideia e aceitou as palavras agradáveis do bondoso Pastor.
Na noite que se seguiu, Israel pregou para os funcionários da Bloodlust, levando a palavra aos colegas de trabalho de Ivo, o leal funcionário que jazia no cemitério de Taguatinga.
Israel viu espíritos obsessores no Refúgio. Eles estavam guardando o corpo do amigo-alimento de Catarina. Eram ao menos cinco deles. Catarina deu a ideia de pedirem ajuda a Bruno Giovanni, mas Pastor Israel foi contra, uma vez que o mesmo Giovanni havia deixado um "fantasma" quando eles trataram de Ingrid. Urt deu o nome de Margot como uma possibilidade genuína para a solução desse e outros problemas do gênero, incluindo os descaminhos espirituais de Torrado Martins.
Naquela mesma noite Pastor Israel recebeu a notícia de que Gervásio Almeida Jr. havia falecido de insuficiência respiratória no hospital Anchieta.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Flora Caroline - Ventrue - Primogênita;
Vicenta D'Augustin - Ventrue;
Jason Wyld - Tremere - Primogênito;
Margot - Tremere;
Iran Borba - Toreador - Harpia;
Isabel Vilasques Lacerda - Toreador;
Bruno Ribeiro - Brujah - Barão;
Cipriano - Nosferatu;
Bruno Giovanni - Hecata;
Ingrid - Gangrel;
Mazira - Ravnos;
Otávio "o Péssego" - traficante de gente;
Gervásio Almeida Jr. - contador;
Ivo Silva - funcionário da Bloodlust;
Bernardo Monteiro - poeta boêmio;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

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