Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 30 [Vampiro a máscara 5ª edição]
(29/10/2023 domingo)
A noite caiu com uma chuva intensa, as pessoas fugiam dos grossos pingos que atingiam o solo com força. Os estudantes chegavam às faculdades ou entravam em bares, numa fuga da realidade dolorida que o dia impunha. Prostitutas começavam seus trabalhos, com pouca roupa e maquiagens intensas. Alguns comércios já começavam a fechar, enquanto os trabalhadores de TI resolviam problemas nos mais diversos escritórios. Quando o dia findava e a noite caía, um novo mundo aflorava e nele, os predadores caçavam.
Vinícius Torrado Martins, do Clã Nosferatu, membro da coterie Sentinela Escarlate, buscou informações e contatos com Alice Pink. Ele precisava encontrar Cipriano, um outro Nosferatu, mas que era considerado Anarquista, sem vínculos com a Camarilla.
Durante o encontro, Alice Pink, proeminente figura entre os irmãos do Clã dos Orloks, perguntou se era para ele, Martins, ou para a Vehme. Torrado explicitou que sua coterie precisava falar com Cipriano para entrarem em território anarquista. Então Alice disse que iria ajudá-lo, desde que a Sentinela devesse um favor à causa Nosferatu e que Torrado deveria empenhar sua palavra na execução posterior desse favor. Além disso, em um momento de sinceridade e abertura, Alice Pink deixou claro a Torrado que ele deveria tomar cuidado com o seu líder, José Cavalcante, do Clã Ventrue, pois ele era novo, ignorante das tradições, obtuso quanto à Camarilla e que ele poderia levar todos para o fundo do abismo. Era a primeira vez que alguém falava daquela forma sobre Cavalcante. Martins assentiu com a cabeça, para marcar concordância, mesmo que fosse apenas para que ela parasse de falar. Uma amargura começou a tomar conta de seus pensamentos.
Torrado se reuniu com sua coterie. À bela mesa de reuniões enfeitada com doces, uma abóbora e o crânio de uma das vítimas anteriores dos vampiros, a Sentinela Escarlate se sentou. Cavalcante tomou a palavra e foi direto, disse que precisava resolver coisas particulares e estaria ausente por poucas noites.. Pastor Israel seguiu e falou que precisa reforçar sua presença junto a seus fieis, coisa que após todos os acontecimentos gerados por Benedita Venegas, era prioritário, não apenas para ele, mas para fortalecer a presença da Camarilla entre as ovelhas então partiram. Eli Urt e Catarina instruíram Torrado de como deveria agir para pedir passagem aos anarquistas.
Discutiram sobre uma possível presença de vampiros de sangue fraco no domínio de Martins e o que fariam se os encontrassem.
Catarina manteve-se recuada, queria evitar qualquer conflito direto, queria que perigos ficassem distantes, seja com os eventos do punhal de Mictlantecuhtli, fosse com o diário de Niko Petrakis ou a existência de Benedita Venegas. Ela buscava o caminho calmo e tranquilo da política Toreador, onde a beleza e palavras polidas feriam tanto quanto a espada, mas que as cicatrizes existiriam apenas internamente, jamais expondo sua carne ou lacerando sua beleza.
Infelizmente as noites incansáveis e as obrigações junto à Vehme consumiam suas energias e ampliava sua Fome até o limite. E neste limite, durante uma caçada, a Fera assumiu o controle da Bela e sua vítima foi sugada até o suspiro final. Catarina não queria aceitar que pudesse matar sem desejar, que pudesse agir como um animal e entregou-se aos braços e as poesias de Bernardo, numa tentativa de segurar um pouco a humanidade que se esvaia noite após noite.
Eli Urt iniciou o procedimento e ritualísticas para fazer com que Luiz Pareto, o carniçal da Bloodlust, obedecesse e se vinculasse apenas a ele. O seu conhecimento dos mistérios do Sangue eram ímpares e mesmo com as desvantagens que sua linhagem carregava, queria ter o carniçal sob controle extremo.
Torrado falou com Cipriano para conseguir acesso ao território anarquista para caçarem uma Toreadora anátema conhecida como Isabel Vilasques. Cipriano deixou claro ao irmão Nosferatu que ajudaria, mas que seria melhor, durante a reunião com o Varão anarquista Bruno Ribeiro, deixar o Tremere falar, e que Martins deveria ficar o mais distante possível, de preferência bem próximo a uma porta.
Muitas coisas precisavam ser organizadas, mas a caçada de sangue era primordial, principalmente com os revezes que vários dos membros da Sentinela Escarlate haviam sofrido, com perdas de Status entre os seus, com sermões desnecessários, com até um sentimento de capacitismo, como se fossem crianças incapazes. Resolver a caçada de sangue os colocaria nas boas graças do Príncipe Maximiliano e mostraria a seus senhores, Primogênitos e inimigos que deveriam tomar cuidado e ter mais respeito pela Vehme.
Receberam de Cipriano a confirmação que Bruno Ribeiro, o Barão Anarquista iria falar com eles. O lugar seria o mesmo onde eles levaram Nyala Kintu em tempos passados e as lembranças de como foi a reunião entre a Arconte Ventrue Nyala Kintu e o Barão Anarquista Bruno Ribeiro estava ainda viva na memória da Vehme, com exceção de Cavalcante, que teve as lembranças sobre o período com a Arconte, apagados de sua cabeça pela Primogênita do Clã Ventrue, Flora Coraline.
Alimentados e resolutos foram para além das fronteiras do Domínio do Principado de Brasília.
A diferença de ares era tangível entre o Domínio Camarilla e as terras abandonadas aos Anarquistas. Era como se uma barreira invisível protegesse aqueles que seguiam a ordem e a Torre de Marfim. Certamente o que estavam do "lado de fora" pensavam totalmente diferente e viam sua liberdade, sem as amarras podres e velhas dos antigos caminhos, como algo com muito mais valor.
Chegaram ao ponto de referência. O lugar quase não tinha iluminação pública. Logo viram uma figura se aproximar. A pessoa perguntou se eles aguardavam o Barão. A resposta foi positiva. E puseram-se a andar até o galpão onde uma vez estiveram. A voz da pessoa que os acompanhou mudou três ou quatro vezes durante a caminhada. Certamente era Cipriano e os disfarces típicos dos medonhos Nosferatu.
Viram o galpão próximo, mas foram parados e então luzes de enorme intensidade foram jogados sobre eles. Quase ficaram cegos com a claridade. Pela cabeça de Eli Urt passou que era sorte do Pastor não estar lá naquele momento...
Seguindo instruções continuaram, chegaram ao galpão e entraram por uma grossa porta lateral, o qual foi fechada logo em seguida. O lugar era escuro, mas não permaneceu assim por muito tempo. Quatro grandes luzes se acenderam mostrando um lugar onde era uma academia de pugilismo e outras artes marciais. Ao centro do lugar, num quadrado marcado no chão onde, em dias específicos, seria montado um ringue, estava o Barão, vestido como um remanescente punk advindo direto do final dos anos 80, início dos 90. Bruno Ribeiro pertencia ao Clã Brujah, foi fiel à Camarilla nos tempos de Abdias Torquato Valente e a abandonou após a queda de Beliza Gregory e a consequente culpa que foi atribuída a todos do seu Clã, pelo desaparecimento, ou mesmo morte, da Venerada. Ao lado dele estava uma mulher exótica, de olhos que eram desprovidos do branco, totalmente tomados pela escuridão.
Bruno permitiu que a coterie falasse. Eli Urt de um passo a frente e começou a tecer suas palavras dizendo o que foram fazer ali e o que precisavam. A forma com que Eli falou era repleta de impáfia, característica do Clã dos Bruxos de Brasília. O desagrado do Tremere em frente ao Brujah era claro. O ódio entre os dois clãs era claro e feria como o Sol. Após algumas palavras às quais Ribeiro interpretou como ásperas além da necessidade, o punk cresceu para cima do Tremere. Os olhos de ambos se encontraram e a Presença brutal do Barão dos Anarquistas mostrou quem era o líder naquele lugar. O medo se instaurou na mente de Urt, que perdeu as forças das palavras e quase foi ao chão de tanto pavor. Bruno inquiriu então os outros membros da Sentinela Escarlate. Demonstrou um carinho com Catarina, não por sua beleza apenas, mas pelo Clã ao qual ela pertencia. Afonso e Abdias foram aliados. Foram irmãos.
Após ouvir e ponderar, viu qual era a gangue que dominava o lugar onde a Vehme desejava caçar a anátema. Mesmo entre os Anarquistas, a diablerie era um crime maior. Resolveu que iria ajudá-los, desde que, ao terminarem o serviço, Bruno fosse o primeiro a saber e receber as provas da execução e que o Príncipe Maximiliano recebesse da voz deles que os Anarquistas ajudaram na caçada.
Então chamou a mulher dos olhos negros. Veda Maat entrou com um pequeno caldeirão, seguida por um forte membro do clã Gangrel, que carregava um pilar de ferro quase um metro.
O pilar foi colocado no meio da sala, o sangue dos três membros presentes da Sentinela Escarlate foi "solicitado". Um ritual foi executado. Urt sabia qual era aquela magia. Um rito de juramento, para que eles não ficassem zanzando em território anarquista sem realmente estarem pela caçada de sangue.
Com os ritos finalizados Bruno Ribeiro mandou que todos saíssem, à exceção de Eli Urt. O Brujah apenas deixou claro que era para ele levar um recado para Jason Wyld.
Catarina e Torrado saíram e pouco após a porta se fechar ouviram os sons de violência. Temeram pela existência de Urt.
Menos tempo do que imaginaram se passou e a porta se abriu. O Barão saiu, dando as costas para todos, sumindo na noite. Os demais membros Anarquistas que estiveram no lugar também partiram. Catarina e Martins voltaram, pegaram o Eli Urt do chão, ferido, alquebrado e ajudaram-no a voltar para o carro.
Quando chegaram no veículo, Cipriano estava lá, aguardando-os. Conversou ainda com Torrado Martins. Torrado perguntou se ele sabia de Lodo. Cipriano disse que a última coisa que soube era que Lodo desapareceu ao caçar um demônio das sombras e que Ossos, um outro membro do Clã Nosferatu, viu quando ele entrou numa sombra e nunca mais voltou.
A Sentinela Escarlate retornou para seu Refúgio, sob a Bloodlust. Aguardariam o mensageiro para continuarem sua caçada.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Maximiliano Jean Carlos - Ventrue, o Príncipe de Brasília;
Jason Wyld - Tremere - Primogênito;
Veda Maat - Tremere;
Beliza Gregory - Tremere - ex-Príncipe;
Afonso Beloto de Assis - Toreador - ex-Primogênito;
Bruno Ribeiro - Brujah - Barão;
Abdias Torquato Valente - Brujah - ex-Primogênito;
Cipriano - Nosferatu;
Ossos - Nosferatu;
Bernardo Monteiro - poeta boêmio;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

Comentários
Postar um comentário