Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 31 [Vampiro a máscara 5ª edição]
Quando a noite cai: Medos Ácidos - Sessão 31
(05/11/2023 domingo)
Mais uma vez a noite caiu. As paradas de ônibus e as estações de metrô começaram a ficar cheias de trabalhadores que retornavam para suas casas. Os bares começaram a receber a vida noturna, com estudantes barulhentos, jovens vistosos, velhos desesperançosos, casais afetuosos e todo um conjunto de realidades que só se desnudavam após o por do Sol. As chuvas das noites anteriores haviam lavado um pouco da sujeira gerada pelos humanos. As cidades fervilhavam. O Distrito Federal pulsava após o ocaso. Essa também era a hora dos predadores despertarem.
Sob o comércio da casa noturna Bloodlust, a Vehme Sentinela Escarlate se reuniu à vistosa mesa, levemente adornada com flores e um pequeno incensário verde brilhante de porcelana que queimava sálvia branca. A inquietude da Fome era sentida por todos os membros da coterie. A maldição exigia sangue, entretanto a política e a socialização eram tão importantes quanto o ferroso e viscoso líquido.
Cavalcante foi colocado à par dos acontecimentos além das fronteiras da Camarilla. Evitaram comentar sobre a violência de Bruno Ribeiro sobre Eli Urt. E como se fosse assunto novo, José Cavalcante apenas escutou sem conseguir ligar que ele mesmo já estivera com os anarquistas em meses passados. Sua memória estava nublada. Mudaram de assunto. Decidiram que sairiam para caçar, enquanto Catarina buscava entender o clima entre os funcionários da Bloodlust.
A linda Toreador conversou com seus funcionários, com Pareto, com Ester, Lívia, Fernando, Igor, Mateus, Vivi e Crisálida. Sua atenção e tino permitiram-na a sentir um ar de tristeza estranha, um sentimento de apatia, que tomava conta dos empregados e colaboradores. Nem mesmo R@zorGirl, a extremamente dinâmica e alienada DJ residente estava no clima que sempre carregou. Era perceptível que havia menos clientes do que de costume, talvez porque a desejável hostress não mais estivesse à porta, recebendo os frequentadores. Contudo havia algo mais, como uma aura de desânimo. Catarina começou a crer que algo de cunho sobrenatural, talvez fantasmagórico, pudesse ser a chave para aquele sentimento e a decadência visível da Bloodlust. Catarina se deu a obrigação de encontrar a razão de tudo aquilo. Seu sangue amaldiçoado lhe concedia habilidades sobre-humanas e, uma delas, era ver além do perceptível. A tarefa poderia durar meses, mas ela a executaria com atenção e dedicação. Ela não perderia a Bloodlust.
Não sem tempo, enquanto aguardavam o enviado do Barão Anarquista para perseguirem Isabel Vilasques, resolveram retomar a investigação sobre o grupo de desajustados que andavam no território de Torrado Martins.
O primeiro lugar onde foram foi a Praça Primavera, na QSC 5, em Taguatinga. Lá Torrado falou com o seu amigo, o receptador, estelionatário, trapaceiro, batedor de carteira e simpático Tripa Seca, que apesar do apelido de tempos passados, adquiriu um sobrepeso e uma calvície, que ele tentava esconder deixando o cabelo, que ainda lhe restava, mais comprido, fazendo um "combover" muito mal engendrado.
Tripa Seca mostrou as fotos que havia tirado do grupo e disse que eram uma gangue que variava entre 8 e 10 membros, com 4 deles aparecendo com bastante recorrência, principalmente o jovem que aparentava ser o líder. Torrado agradeceu e pagou seu informante, não sem antes receber propostas de adquirir itens de procedência duvidosa.
Na praça havia um grupo de usuários de crack em uma das pontas, um casal bastante íntimo sentados em um dos bancos e três adolescentes no alto do "half-pipe" de skate.
Uma imagem chamou a atenção de Eli Urt, eram letras e símbolos escondidos entre centenas de grafites e pichações. As imagens remetiam a um tipo de alquimia. Era discordante que jovens infratores, crianças analfabetas e membros de gangue pudessem saber os significados daqueles símbolos.
Urt começou perguntando sobre quem havia desenhado aquilo com os drogados, todavia as respostas que conseguiu não faziam sentido além da irrealidade entorpecida da existência daqueles seres. Enojado com as propostas indecorosas dos drogaditos foi direto aos jovens skatistas. Por azar, pela desconexão entre sua juventude e o novo milênio, ou talvez pela irritabilidade gerada pela Fome, a abordagem de Urt com os adolescentes foi a pior possível. O problema dos jovens é que eles não viveram tempo o suficiente para terem medo do escuro e isso fez com que a língua daqueles três se tornasse mordaz, mal sabendo eles do perigo que o monstruoso Tremere poderia ser.
A forma com que os skatistas agiram, o tom que tomaram e as palavras que proferiram despertaram a Besta de Eli Urt. Tudo o que ele enxergou à frente eram vítimas que precisavam serem destruídas, não importando os meios.
Quando estava pronto para dilacerar os jovens, Torrado Martins o derrubou no chão.
Martins e Urt trocaram violentos golpes, com Torrado tentando evitar que Eli se machucasse, mas o ódio que consumia a alma do Tremere fez apenas que sua ferocidade fosse ampliada, uma vez que a presa que desejava matar, lhe foi proibida.
Ao final de minutos intermináveis, Eli Urt finalmente retomou a sanidade. Torrado estava rasgado e ferido, mas não guardava mágoa de seu associado, não que demonstrasse. Partiram. Em um silêncio repleto de raiva e desassossego ainda foram em cinco outros pontos onde a gangue foi vista. Nas cinco localidades Urt viu os símbolos de alquimia, entre as pichações, como um emblema apócrifo de demarcação de terras e demonstração de posse.
A noite era finda e em breve o astro rei nasceria, levando, por várias horas, os medos e os prazeres da noite.
No despertar a Fome se intensificou. A caçada dos membros da coterie não correu bem.
Evitar as quebras de Máscara era o mantra principal e isso gerava cada vez mais dificuldades durante a busca por vítimas.
Aproveitando os contatos de Urt, o próprio mago, Torrado e Cavalcante foram à casa de prazeres obscuros na W3 Sul. Lá conversaram com o sempre atencioso e fisicamente disruptivo Otávio "o Pêssego", que com sua elegância e simpatia fingida os levou para um quarto. Três jovens vítimas entraram, para que os vampiros pudessem se alimentar. Os trabalhadores daquela casa aproveitaram as regalias ofertadas pelos três excêntricos homens. Fartaram-se de bom vinho, dançaram ao som de músicas que nenhum deles conhecia e sentiram o prazer profano de serem usados como fontes de alimento para os amaldiçoados.
José Cavalcante e Eli se satisfizeram sem ferir muito suas fontes de sangue, porém Torrado Martins estava além dos limites da Fome e foi tomado pelo desejo de chegar até o fim, sendo impedido apenas por um lampejo de sobriedade antes que a vítima ultrapassasse as barreiras entre os vivos e os mortos.
Vendo a jovem vítima pálida e largada no chão, Cavalcante não perdeu tempo, nublou as mentes dos outros dois humanos.
Quando "o Pêssego" respondeu ao chamamento de Urt, deixou claro que estava chateado com a menina ferida, que seria levada ao hospital, e que os custos dos tratamento deveriam ser pagos pelo cartão de Cavalcante, uma vez que não haviam pago para terem prazeres que envolvessem o óbito.
José não aceitou que precisaria "pagar", controlou a mente e reescreveu as memórias de Otávio "o Pêssego". Saíram sem custos. Eli Urt não sabia, mas haveria consequências com suas ligações com o "Sistema Circulatório" por causa deste episódio.
Enquanto os "homens" refastelavam-se no sangue, Catarina Oliveira, que estava plena de Vitae, recebeu um convite para conversar com Iran Borba, a Harpia.
O lugar escolhido pelo elegante e interesseiro Toreador foi um bar, onde as risadas ébrias e o clima descontraído e sensual ornavam a necessidade de serem vistos.
Quando entraram no lugar não houve alma viva que não tivesse virado a cabeça e devorado ambos com os olhos. Ser o centro das atenções agradava a ambos.
Contudo a conversa foi política e distante da realidade dos mortais.
Iran Borba inqueriu sobre o quanto a Sentinela Escarlate estava se empenhando na Caçada de Sangue à Isabel. Ao receber de Catarina as informações sobre o possível paradeiro de Isabel, sobre a ida da Vehme ao território Anarquista e sobre a conversa com Bruno Ribeiro, Iran transpareceu suas reais intenções.
Ele confirmou o que já sabia e vendo que Catarina não lhe esconderia nada, contou a ela que os Banu Haqim Yussef Ahmad Al-Sabbah e Nádia Zoghbi estavam próximos de Isabel.
Iran deixou claro que preferia mil vezes que Catarina resolvesse a situação e trouxesse glória à defasada honra dos Toreadores, a deixar que os Banu Haqim eliminassem a presa.
Com o recado dado, Iran despediu-se, mas não sem antes perguntar como havia sido o encontro entre Bruno Ribeiro, o Brujah, e Eli Urt, o Tremere... Catarina enrubesceu. Iran riu, num misto de contentamento e vergonha. Ele sabia o quanto os Brujah de Brasília odiavam os Tremere da cidade. Bruno foi o braço direito de Abdias Torquato Valente e a relação entre os dois clãs durante a primogenia do ex Alto Regente Henrique de Oliveira Médici e o domínio de Beliza Gregory. E sabia também que Bruno jamais executaria um Tremere sem motivo, apenas humilharia, pois, mesmo tendo abandonado a Camarilla, sempre foi fiel aos seus ideais.
Personagens
Renato - José Teixeira Cavalcante [Ventrue]
Neimar - Eli Urt [Tremere]
Osny - Catarina Oliveira [Toreador]
Marquinhos – Vinícius “Torrado” Martins [Nosferatu]
Cris – Pastor Israel [Lasombra]
Isabel Vilasques Lacerda - Toreador;
Bruno Ribeiro - Brujah - Barão;
Abdias Torquato Valente - Brujah - ex-Primogênito;
Yussef Ahmad Al-Sabbah - Banu Haqim;
Nádia Zoghbi - Banu Haqim;
Otávio "o Péssego" - traficante de gente;
Luiz Pareto - carniçal.
Sistema:

Comentários
Postar um comentário